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A volta dos alemães

17 outubro 2008 | por Carlos Cabral | Seja o primeiro a comentar

Há pouco, o Consórcio de Exportadores Vinho de Baden-Wünttemberg, estado da Alemanha, convidou um grupo de importadores brasileiros para uma viagem de aproximação com os vinhos produzidos na região. Foram sete dias de um programa organizado nos mínimos detalhes, que levou o grupo a conhecer 16 cooperativas vinícolas e a degustar 128 rótulos, a maioria de tintos.
A região de Baden-Wünttemberg tem cultivo com videiras dispostas em 26.500 hectares de vales, em encostas de montanhas que margeiam os rios Neckar e Rena. O clima é ensolarado e quente, graças às proteções que as florestas Negra e Oden dão à região. A típica condução dos vinhedos na vertical dá origem a uma paisagem única, como se um manto verde cobrisse a montanha.
É nessa região que se produzem 75% de todo o vinho tinto alemão (que não é pouco) que tem conquistado espaço no mundo. Um sucesso tímido ainda, mas que por certo terá futuro, afinal não se trata de uma aventura. Com o surgimento de bons vinhos brancos no novo mundo, frutados, aromáticos e com corpo, a Alemanha se voltou com tudo para os tintos que faziam sucesso em casa, mas eram praticamente desconhecidos no resto do mundo e mesmo na própria Europa onde França, Itália, Espanha e Portugal reinam até hoje com seus emblemáticos rótulos.
Durante a viagem, provei vinhos de todos os tipos, dos populares de 1,50 euro até os mais sofisticados de 13,50 euros (preço da adega para exportação). Em resumo, posso dizer que o tinto alemão de Baden-Wünttemberg é leve, fresco e jovem. Até mesmo os Spätburgunder, que estagiam no carvalho, aproximam-se dos Borgonha na cor, embora no aroma e no paladar fi-
quem um ponto abaixo. Não são maus, são bons vinhos, mas quando se trata de Pinot Noir é muito difícil desassociá-los dos Pinot da Borgonha.
Todos os rótulos com preço acima de cinco euros cumpriram sua missão, não decepcionaram, e os que se destacaram em breve estarão entre nós. Têm chance de sucesso por aqui também, mas não será fácil. Ainda mais com a herança maldita das garrafas azuis. Os importadores presentes à viagem concluíram que será preciso uma forte campanha de promoção e marketing para despertar o interesse do consumidor brasileiro para um vinho alemão.

Enquanto eles não chegam, tome nota dos rótulos que se destacaram:
Weingartner Bracenheim – Premium-Signum 1 – 2006 – 100% Lemberg com 14% de álcool, vinho sedoso, macio e com excelente retrogosto e aromas pronunciados de amoras e cerejas.
Júpiter Weinkeller Lemberger qba Trocken Barrique Maecenas – Um vinho de produção limitada, só 50 litros por hectare de vinhas velhas. Há uma presença da baunilha, aromas de frutas vermelhas e uma perfeita maturação dos taninos.
Lemberger Beerenauslese – Da cooperativa Brackenheim, tem 16,5% de álcool natural, uma obra de arte!
Husarenkappe Riesling Grosses Gewächs – branco de Riesling – Da propriedade Weingut Burg Ravensburg, até agora está na minha memória. Aroma inebriante, aliado a uma cor amarelo ouro límpido e uma explosão floral na boca.
Löchle Pinot Noir Grosses Gewächs – tinto – Da mesma propriedade, esse Pinot Noir foi o que mais se aproximou de um bom Borgonha. Em uma prova às cegas poderia, sim, pregar uma peça em muita gente.

Artigo publicado na revista Prazeres da Mesa – nº 59, maio/2008

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