Ângelo Salton
No último dia 10 de fevereiro, faleceu em São Paulo, vítima de enfarto, Ângelo Salton Neto. Seu sobrenome Salton já o identifica como alguém ligado ao mundo do vinho, mas o que quem está fora deste mundo não sabe é que este simpático senhor era, nada mais nada menos, do que o próprio vinho em pessoa.
Simpático, entusiasta, humano e acima de tudo extremamente bem humorado, Ângelo fazia parte daquela geração de pessoas em extinção, a “Classe dos Humanos Normais”.
Progressista e empreendedor e deixou de lado a engenharia civil e foi administrar o negócio da família iniciado por seu avô e tios avós, em 1910.
De vinícola produtora de vinhos populares, a Vinícola Salton transformou-se, durante a administração de Ângelo, na maior vinícola do Brasil, que coleciona records e prêmios a cada ano.
Não era só uma questão de administrar, mas de se fazer fundir o nome e o vinho, em uma só pessoa. Esta façanha conseguida por Ângelo é o sonho de todo o vitivinicultor do mundo. Quando se fala do Vinho Salton, todos se lembram do Ângelo, quando se fala de Ângelo Salton, todos se lembram dos vinhos Salton.
Afora a coragem de em 10 anos fazer duplicar o faturamento da empresa de 90 para 180 milhões de reais, uma particularidade deste senhor era a de reconhecer quando algum de seus vinhos não estava bom. Aceitava as críticas e logo saia em busca de uma solução. Batalhou e conseguiu elaborar o melhor vinho tinto brasileiro da atualidade, o Talento, e em seguida apresentou-nos o Desejo, um grande Merlot, jamais feito em terras brasilis!
Todas as pessoas que eram recebidas em seu escritório de trabalho acabavam virando piloto de provas de seus vinhos, e após o primeiro gole, a conversa fluía melhor. Todos saíam convencidos de que o melhor vinho do mundo era elaborado pela Vinícola Salton.
Ao redor de Ângelo, tudo se transformava. A alegria logo despontava. Era o rei das boas surpresas. Certa vez, estava eu e um grande grupo de Atendentes de Vinhos visitando as novas instalações da Vinícola Salton, no distrito de Tuiuty, em Bento Gonçalves, quando de repente começamos a ouvir a Ave Maria de Gunot, com o som partindo do meio dos enormes tonéis de inóx da vinícola. Ângelo havia contratado o vinicultor e cantor Dirceu Pastore que com o seu vozeirão encantou os visitantes, sempre encerrando suas apresentação com a música “Amigos para Sempre”, propositalmente colocada naquela hora e que levava às lágrimas muito dos presentes.
Ângelo representava, e bem, a moderna vitivinicultura do Brasil, era seu líder inconteste, e agora deixa um enorme vazio, justamente na hora em que mais precisávamos dele.
Chamado por diversos órgãos de imprensa do Brasil de “O Senhor do Vinho”, Ângelo foi muito mais que isso, foi um grande semeador de amizades e um enófilo de primeira grandeza.
Esteja você amigo Ângelo onde estiver, os meus próximos brindes serão em tua memória. Um homem só morre quando a gente se esquece dele. Você vivera para sempre!
Sr. Carlos,
Apesar de ter o mesmo sobrenome do Angelo, somente o conheci
em 2003 quando retornei de uma bonita reunião da Familia Salton
realizada em Bento Gonçalves. Tivemos a oportunidade de ver
o final das obras da “maior” vinícola brasileira e com muito
orgulho faço a divulgação.
Me emocionei com as suas belas palavras a respeito do Angelo
e com certeza ele fará muita falta.
Abraços
Carlos Cabral:
Belo depoimento ao Srº ângelo Salton!
Sr. Cabral, parabenizo-o pelas palavras a Ângelo Salton. Ele merece todas as homenagens de nós enófilos e brasileiros. Grande empreendedor e entusiasta dos vinhos no Brasil, expressando sempre aquilo que mais valorizamos nos homens: o sentimento do fundo da alma! Que deus abençoe a família de Ângelo Salton Neto.
Lindo texto de homenagem, só um grande amigo do Sr. Angelo como o Sr. Cabral poderia redigi-lo, pois certamente não foi escrito somente com letras, mas com o sentimento, tenho certeza…
Por ter a oportunidade de ter trabalhado na equipe do Sr. Cabral, tive a honra de ter conhecido o Sr. Angelo e digo não precisava de muito para admirá-lo. Numa ocasião no churrasco que ele gentilmente concedia ao Atendentes de vinhos anualmente, além de ser servido por ele, que até me constrangia, pelo fato de sermos tão pequenos, íngressando no mundo do vinho, sendo servidos pelo Sr. Angelo, era um grande ato de humildade. Não tenho bagagem para falar do Sr. Angelo como o Sr. Cabral, mas o pouco contato que tive já é motivo de admirá-lo. Ainda depois que ele se negou a vender a vinícola a um grupo de investidores americanos, descartando uma proposta bilionária, nem se comenta, além de um grande homem, um grande brasileiro!
Um abraço.
Rafael Cereja.
Uma perda para a Indústria Nacional!
abraços,
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Carlos Cabral
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