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Antonio Agrellos

2 dezembro 2008 | por Carlos Cabral | 1 Comentário

O cargo que este enólogo exerce em seu trabalho equivale aos seguintes cargos: Curador de Arte do Museu Louvre, Diretor de Criação da Ferrari, Chefe de Projetos da Nasa, Cardeal Carmelango na vacância do Papa, perfumista chefe da Maison Chanel etc, ou seja, só coisa boa, de alto nível, reservada para poucos e bons. Falo de Antonio Agrellos, o Diretor Técnico da Quinta do Noval, o pedaço de solo mais sagrado do Douro Vinhateiro. Quem o conhece, nem imagina que este senhor já foi um músico que tocava Rock com o não menos famoso enólogo João Nicolau de Almeida, da Casa Ramos Pinto. Foi também um estudante de arquitetura, antes da enologia lhe pegar por uma perna. Escolas boas não lhe faltaram, trabalhou na Real Companhia Velha, com Frederico Van Zeller e na Ferreirinha com criador de vinhos Fernando Nicolau de Almeida.
Também adquiriu experiências em casa, sua família tem produzido vinho do Porto por quatro gerações. É de responsabilidade deste simpático senhor a elaboração dos vinhos do Porto Noval, dentre eles se destaca o Nacional, vinho único, originário dos poucos mais de 1.500 pés de uvas descendentes das únicas cepas não atingidas pela Philoxera Vastratix, a praga que dizimou a vitivinicultura no Douro a partir de 1863. Quem já teve o privilégio de degustar um Noval Nacional, sabe o que estou falando, sua produção máxima em 1994 chegou a 3.000 garrafas, mas por exemplo, o Nacional 2000, na minha opinião o melhor Porto que já provei em minha vida, não chegou a 1.000 garrafas.
Antonio Agrellos é de poucas falas, prefere mostrar a sua obra, e curiosamente, toda a vez que vou ao Noval, Antonio me deixa com os vinhos e vai cuidar de outras coisas, não quer dar palpite ou influenciar, ou então ficar ouvindo uma ladainha de elogios, tão comuns naquelas plagas do Noval, onde qualidade é a tônica do dia-a-dia. Recentemente António começou a elaborar vinhos tintos maduros do Douro, que todos nós sabemos, terão a obrigação de em breve, transformarem-se em mais um ícone deste maravilhoso Douro. No Brasil os vinhos da Quinta do Noval são importados pela Gran Cru. Se seu dinheiro não der para um Nacional, vá de Vintage Noval, mas se mesmo assim for impossível, aterre em um Noval 40 anos, só cuide-se de se amarrar ao solo, porque senão você pode flutuar.
Estando no Douro, pelos lados do Pinhão, de um pulo no Noval, e tente conhecer o António Agrellos e sua obra, você merece. Afinal, até onde sei, momentos únicos são raros, e este certamente lhe será inesquecível!

1 Comentário »

  • Adriano disse:

    Meu deus, por isso que acho que eu nasci em país errado! queria ter nascido lá no meio do Douro, entranhado no meio da quinta do noval

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