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As notas nos vinhos de Portugal

14 outubro 2008 | por Carlos Cabral | Seja o primeiro a comentar

Revistas estrangeiras de língua inglesa, como a “Wine Spectator”, a “Decanter” e a “Wine Advocate”, de Robert Parker, não são nada generosas quando se referem aos vinhos de Portugal. Mesmo quando analisam os novos vinhos lusos são incapazes de dar crédito a todo o esforço que Portugal vem fazendo ultimamente. Talvez a “Decanter”, por ser inglesa, tenha gasto um pouco mais de tinta para louvar os vinhos de Portugal.

A “Wine Spectator” é, aparentemente, muito comercial. Basta que em uma edição saia um anúncio de um vinho português, para que, no número seguinte, os vinhos daquela marca sejam incluídos na seção best buy.

Somente a portuguesa “Vinhos de Portugal” tem se ocupado, há anos, em apresentar e indicar os vinhos portugueses em suas primeiras páginas, recomendando se o vinho está pronto a beber ou se é um vinho de guarda.

Essa revista vem fazendo um bom trabalho pelos amantes de vinhos. Com julgamento imparcial, apresenta tudo o que a amostra degustada tem de bom e de ruim. Os seus editores ouviram todo o tipo de reclamação possível de produtores e até de consumidores, mas continuam seguindo à risca seus princípios básicos, de sempre expressar sua opinião pessoal sobre cada vinho.

Por dez anos consecutivos, João Paulo Martins, jornalista e enófilo português, publica o seu “Guia de Vinhos de Portugal”, com notas de provas de um a oito pontos, e mais uma série de conselhos para os iniciados no vinho. Há dois anos, um produtor de vinhos processou-o, achando que seu vinho não teve uma nota correta.

Isso nos faz recorrer à memória. No início da década de 80 o amigo e confrade Celso Nucci, então diretor da “Quatro Rodas”, organizou o primeiro painel de vinhos brasileiros. Os produtores gaúchos quase reeditaram a revolução Farroupilha.

Nucci comeu o pão que o diabo amassou e aborreceu-se muito, pois sua intenção era dar ao leitor não mais que uma prova real da qualidade do vinho nacional da época.

Um dos resultados dessa pendenga foi a edição, às pressas, da Lei do Vinho, engavetada desde a época de Getúlio Vargas, em 8 de novembro de 1988, que estabelece normas nada democráticas para que se efetue uma análise do produto.

O “Guia Anual de Vinhos de Portugal”, daquela mesma revista, é rico em informações, e é dividido por regiões. O deste ano analisa mais de dois mil vinhos.

Outro guia lusitano é o “Minha Seleção”, de João Afonso, que analisa quase 1.800 rótulos diferentes. Suas considerações são um pouco esnobes, mas é um bom guia de referências.

Um ponto negativo desses livros é que os vinhos degustados pelos autores são enviados pelos produtores, e na edição deste ano, João Paulo Martins cita nominalmente -e deselegantemente- aqueles que não enviaram seus vinhos para a prova.

De qualquer maneira, o novo ou o velho consumidor de vinhos de Portugal irá surpreender-se com esses guias, devido ao grande volume de novidades surgidas no mercado nos últimos cinco anos, no qual a qualidade está suplantando a quantidade.

Só espero que Deus nos mantenha por aqui mais tempo a fim de provarmos essa bela coleção de vinhos que os lusos estão nos dando, e que a última coisa com que devamos nos preocupar é com a nota que o vinho merece. Afinal de contas, a melhor nota é sempre a nossa!

Artigo publicado na Revista Vinho Magazine – nº 28 – Ano 4 – 2002

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