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	<title>Carlos Cabral &#187; Artigos em revistas</title>
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		<title>O Douro com raça</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:33:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
		<category><![CDATA[Douro]]></category>

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		<description><![CDATA[Voltemos a 1976. Naquele ano, raros ou muito poucos vitivinicultores do Douuro elaboravam vinhos tintos maduros na região portuguesa. Esses vinhos eram para consumo próprio e somente o emblemático Barca Velha aparecia no mercado. Em anos de bons vinhos, algumas marcas faziam sua entrada no mercado, muito timidamente, como é o caso do Lello, da Casa Borges e Irmãos.
Volto a 1976 porque foi nesse ano que um jovem enólogo português, formado em Bordeaux, na França, voltava para casa com seu diploma debaixo do braço e dois grandes desafios para enfrentar. ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Voltemos a 1976. Naquele ano, raros ou muito poucos vitivinicultores do Douuro elaboravam vinhos tintos maduros na região portuguesa. Esses vinhos eram para consumo próprio e somente o emblemático Barca Velha aparecia no mercado. Em anos de bons vinhos, algumas marcas faziam sua entrada no mercado, muito timidamente, como é o caso do Lello, da Casa Borges e Irmãos.</p>
<p style="text-align: justify;">Volto a 1976 porque foi nesse ano que um jovem enólogo português, formado em Bordeaux, na França, voltava para casa com seu diploma debaixo do braço e dois grandes desafios para enfrentar. O primeiro era o de não se lançar ao mundo dos vinhos à sombra de seu pai, o lendário Fernando Nicolau de Almeida, o &#8220;mago&#8221; ou o &#8220;cheirista&#8221; que inventara o Barca Velha. O segundo desafio era o de trabalhar ao lado do maior sonhador que o Douro já viu: seu tio José Antonio Ramos Pinto Rosas, o &#8220;lord&#8221; do vinho do Porto e a maior personalidade do Douro no século XX.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse jovem, João Nicolau de Almeida, saiu-se melhor que a encomenda. Juntou em si todas as qualidades &#8211; que não são poucas &#8211; de seu pai e do tio. Encontrei o João pela primeira vez em 1982, na Quinta do Bom Retiro, localizada no &#8220;cima Corgo&#8221;. Estávamos num quartinho de uns 6 metros quadrados, com prateleiras de madeira que sustentavam diversos pequeninos tanques de inox para as fermentações experimentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Lá, ele e seu tio Zé Antonio aos poucos iam descobrindo as virtudes e alguns defeitos de diversas castas que germinavam no Douro há séculos, mas que nunca haviam sido estudadas daquela forma. Nascia naquela sala o que era o embrião da Associação para o Desenvolvimento da Vitivinicultura Dourense, a ADIVID, todos os princípios que hoje nos enchem o coração de alegria, com os fantásticos vinhos tintos do Douro que não param de surgir.</p>
<p style="text-align: justify;">Após anos de estudos, nove castas foram recomendadas como as de maior excelência em qualidade e produtividade. Entre essas destacam-se Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Tinto Cão.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não só as castas receberam a atenção dessa dupla dinâmica. O sistema de condução das vinhas, o trabalho tão penoso para o culltivo e manuseio dos vinhedos da região também foram objeto de estudo desses dois paladinos, surgindo assim o sistema de condução conhecido como &#8220;Vinhas ao Alto&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Com tudo pronto, a dupla se lançou à caça de terrenos para implantação de novas vinhas. Nessas terras, os lotes cultivados são organizados por cepas, e não mais misturados como era a prática corrente no Douro até o início do século XX. Surge a Quinta de Ervamoira, o &#8220;jardim no meio do deserto&#8221;, na localidade de Muxagata, no Douro Superior, também conhecido como o Douro Internacional, por estar contíguo à fronteira da Espanha. Lugares áridos, inóspitos, sem vegetação, com um clima tórrido, onde nunca se imaginou que pudesse brotar alguma coisa foram transformados no Paraíso do Douro, com irrigação controlada, outra novidade que a dupla implantou na região.</p>
<p style="text-align: justify;">A Casa Ramos Pinto sempre teve outras propriedades ao longo do Douro, e é de duas dessas propriedades que João Nicolau de Almeida fez surgir o mais regular vinho do Douuro. Para elaborar o &#8220;Duas Quintas&#8221;, as uvas são procedentes da Quinta de Ervamoira e da Quinta dos Bons Ares, que fica junto ao Rio Torto, um afluente do Douro.</p>
<p style="text-align: justify;">Não resta dúvida, trata-se do vinho mais estável do Douro, que acumula qualidades ao passar dos anos. Mesmo em safras pobres, o Duas Quintas mantém uma qualidade superior se comparado a seus congêneres. E nos bons anos, João separa o pouco obtido para fazer o Duas Quintas Reserva, este já elevado ao mundo dos ícones.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, João promoveu uma prova vertical com todos os Duas Quintas Reservas disponíveis, do primeiro editado em 1991 até o 2005. Onze safras entraram na prova, sendo que os de 1992 e 1994 se destacaram com as maiores pontuações. A Revista de Vinhos, de Portugal, fez uma prova com 58 tintos do Douro, e o primeiro colocado foi o Duas Quintas Reserva Especial 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;João Nicolau de Almeida herdou do pai e do tio o amor irrestrito pelo Souro e suas coisas&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">No evento da degustação das 11 safras, João, que além de enólogo é também o presidente da Casa Ramos Pinto, informou que colocará em breve à venda algumas caixas sortidas com essas colheitas degustadas, todas especiais. Aos interessados: é bom fazer reserva.</p>
<p style="text-align: justify;">Independentemente da capacidade de fazer bons vinhos, quem tiver o privilégio de conhecer o João Nicolau de Almeida, e partilhar uma boa conversa, verá que além de profissioonal, ele herdou do pai e do tio o amor irrestrito pelo Douro e suas coisas. Falo de um amor castiço, que envolve o respeito por sua gente, pelas tradições, pelo passado de glória da região, mas sem tirar os olhos do futuro. João tem um filho enólogo, que assim como ele formou-se em Bordeaux, e já dá seus passos de sonhador pelas colinas do Douro, como criador de vinhos, muito longe da sombra de seu pai &#8211; o que nos leva a crer que esta família de boa cepa e de muitos bons frutos nos darão boas surpresas por muito tempo.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em fevereiro de 2009, nº67</em></p>
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		<title>Nostalgia à mesa</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:32:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
		<category><![CDATA[Bacalhau]]></category>

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		<description><![CDATA[Este texto é sobre uma receita de bacalhau que marcou época e me deu uma enorme coleção de amigos. Fui proprietário, em sociedade, da Casa Cabral, uma bonita loja nos Jardins, bairro de São Paulo. O lugar oferecia 1.000 rótulos de vinhos, entre eles 187 do Porto, além de uma infinidade de comidas importadas e o melhor da delicatessen brasileira da época, o que incluía um bacalhau que fez história.
No piso superior da loja havia uma sala destinada aos cursos de vinho que ministrei continuamente por três anos. O espaço ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Este texto é sobre uma receita de bacalhau que marcou época e me deu uma enorme coleção de amigos. Fui proprietário, em sociedade, da Casa Cabral, uma bonita loja nos Jardins, bairro de São Paulo. O lugar oferecia 1.000 rótulos de vinhos, entre eles 187 do Porto, além de uma infinidade de comidas importadas e o melhor da delicatessen brasileira da época, o que incluía um bacalhau que fez história.</p>
<p style="text-align: justify;">No piso superior da loja havia uma sala destinada aos cursos de vinho que ministrei continuamente por três anos. O espaço tinha cinco mesas e 20 cadeiras. Certo dia, resolvemos montar ali uma sala de refeições para servir apenas bacalhau, somente dois dias por semana, e só no almoço. No cardápio, três pratos: bacalhau nas natas, bacalhau ao vinho do Porto (receita de José Antonio Ramos Pinto Rosas) e o bacalhau assado com batatas ao murro &#8211; uma versão levemente modificada por mim do célebre bacalhau à lagareira.</p>
<p style="text-align: justify;">Um trio de ouro de portugueses fez a vez de pilotos de provas dos pratos: os confrades Armando Reis e Emídio Dias de Carvalho e o todo-poderoso senhor dos hipermercados Eldorado, Adelino Veríssimo. Coitados, tiveram de comer um bacalhau salgadíssimo &#8211; eu ainda não havia acertado a mão na arte de de molhar o peixe. Após dois meses de testes, só o assado com batatas ao murro ficou no cardápio até o fechamento da Casa Cabral, a 30 de outubro de 1995.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma grande posta de bacalhau (Porto Imperial 8/10), muito branco, sem a pele, empanada na farinha de rosca com pó de alho, que recebia um banho de azeite bem quente antes de ir por 10 minutos ao forno. Esse foi por dois anos a alegria de muita gente. E graças a esses admiradores, a lenda tomou forma.</p>
<p style="text-align: justify;">O grande criador de vinhos da Bairrada, Luis Pato, afirma até hoje nunca ter provado nada igual. Alguns clientes que ficaram assíduos saboreadores desse prato solicitaram que eu o fizesse em suas casas em dias de festa familiar.</p>
<p style="text-align: justify;">E lá íamos, Leda e eu, para a agradável missão. O artista plástico Emanuel Araújo, o banqueiro Toninho Herman, o empresário Emílio Odebrecht, o investidor Gilberto Bomeny, o nobre italiano Ângelo Granito di Belmonte, o chef Sergio Arno, os amigos Lina e Candeias, e o pessoal da banda Titãs estão entre os tantos que prestigiavam com assiduidade o pequeno restaurante. Até Paul Pontalier, enólogo-chefe do Château Margaux, provou desse bacalhau.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo peixe preparado para o restaurannte era vendido limpo e sem pele na loja. A dupla Juscelino e Edvaldo, com dois alicates utilizados para cirurgias ortopédicas (peças de superinox que não enferrujam em contato com o sal), retiravam as espinhas maiores do peixe, sem lhe rasgar a carne, embalavam com cuidado e exibiam suas obras de arte na geladeira no fundo da loja. E para aqueles que compravam o bacalhau dessa forma, passávamos a receita com muito carinho &#8211; era nossa maior propaganda.</p>
<p style="text-align: justify;">E não posso esquecer os vinhos que a loja fornecia ao preço da prateleira. Lançamos e ajuudamos muito no sucesso do verde Trajadura, da Quinta da Aveleda, e do tinto Esporão Reserva. Grandes experiências com vinhos foram realizadas com esse prato: degustamos de Barca Velha a Sauvignon Blanc da Nova Zelândia &#8211; uma raridade na época. A maior ousadia foi acompanhar o prato, a pedido de um senhor mexicano, com Champagne Veuve Cliquot Brut!</p>
<p style="text-align: justify;">Por diversas vezes, na Quaresma, veículos de comunicação nos entrevistaram sobre o preparo do peixe. Lembro-me de uma equipe de fillmagem comer uma baciada de bolinhos de bacalhau enquanto gravava nosso trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Até hoje cruzo com pessoas que pedem paara voltar a preparar o prato e servi-Io. Foi um temmpo bom aquele, mas o melhor foram as amizades que dele brotaram e que até hoje se mantêm.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em março de 2009, nº68</em></p>
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		<title>A mesa e a diplomacia brasileira</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>

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		<description><![CDATA[O tema &#8220;Como nosso Serviço Diploomático recebeu e recebe seus convidados&#8221; sempre me interessou. O Itamaraty sempre foi uma grande escola de fidalguia e bom gosto, embora suas verbas para o assunto mesa, até hoje, sejam tremendamente restrita, o pessoaI da Divisão do Cerimonial do Itamaraty faz &#8220;das tripas o coração&#8221;!
Findo o II Império em 15 de Novembro de 1889, o Brasil logo agiu politicamente para se expor ao mundo como uma república moderna, que queria ocupar seu lugar no restrito mundo das nações mais civilizadas. Coube ao nosso Ministério ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O tema &#8220;Como nosso Serviço Diploomático recebeu e recebe seus convidados&#8221; sempre me interessou. O Itamaraty sempre foi uma grande escola de fidalguia e bom gosto, embora suas verbas para o assunto mesa, até hoje, sejam tremendamente restrita, o pessoaI da Divisão do Cerimonial do Itamaraty faz &#8220;das tripas o coração&#8221;!</p>
<p style="text-align: justify;">Findo o II Império em 15 de Novembro de 1889, o Brasil logo agiu politicamente para se expor ao mundo como uma república moderna, que queria ocupar seu lugar no restrito mundo das nações mais civilizadas. Coube ao nosso Ministério das Relações Exteriores, patrocinar e vender essa imagem ao mundo. De uma política espartana e até de pão-duro com relação às festas no tempo do Império, passamos a receber delegações e visitas ilustres mais amiúde.</p>
<p style="text-align: justify;">O velho e sempre charmoso palácio cor-de-rosa, da antiga Rua Larga de São Joaquim, hoje Avenida Marechal Floriano, no Rio de Janeiro, RJ, passou a ser a sede de nosso serviço diplomático a partir do ano de 1898. O teste de fogo do palácio foi a visita do presidente da Argentina general Julio Roca, em agosto de 1899, a primeira de um chefe de Estado à jovem república brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi com o grande barão do Rio Branco que, finalmente, nossa diplomacia deu sua cara ao mundo e iniciou com galhardia a arte de receber. O serviço do cerimonial, assim como hoje, era o responsável por preparar o sempre mais esperado em uma vista: o banquete. Pelo trabalho que dá montar um banquete de Estado ou oficial, concordo plenamente com o mordomo do cardeal degli Aldizi, em meados do Século XVII, Giacomo Colorsi, que afirmou: &#8220;O homem que prepara um banquete tem tanto a fazer quanto aquele que comanda um Exército&#8221;! O barão do Rio Branco, que ocupou o Palácio do Itamaaraty de 1902 a 1912, ordenou e executou uma reforma interna no palácio para deixá-lo à altura das festas e das recepções que ali viriam a acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;">O barão encomendou na Europa, cortinas, tapetes, móveis, louças, pratarias, cristais e elementos de decoração que até hoje são o orgulho da casa, agora, museu diplomático. O Itamaraty recebia quase diariamente delegações de diplomatas estrangeiros, comandos de navios da Marinha de Guerra de todo o mundo que aportavam no Rio de Janeiro, autoridades eclesiásticas que vinham de Roma e transitavam pela América Latina, escritores e filósofos de todos os tipos de corrente de pensamento, além, é claro, de chefes de Estado e membros das casas reais da Europa.</p>
<p style="text-align: justify;">Com antecedência, o Serviço do Cerimonial expedia os convites, contratava os fornecedores das comidas, porque o palácio nunca teve cozinha própria para a elaboração das refeições, cuidava da decoração, comprava os vinhos a ser servidos, escalava um batalhão de funcionários para trabalhar (houve jantar paara 32 pessoas em que trabalharam 36 pessoas, só para servir) e um dia antes do evento se ensaiava tudo, passo a passo, para que nada dessse errado. Uma gafe diplomática nesse setor era considerada um martírio para muitos anos de comentários maldosos. Dois dias antes do evento, começava o martírio de se correr atrás das confirmações ,afinal o mapa da mesa deveria ser montado, e ali estava o maior quebra-cabeça da diplomacia, a precedência deve ser obedecida à risca. As autoridades equivalentes devem ficar ao lado de um correlato, de igual patente ou cargo, ou próximas, nunca soltas em qualquer lugar da mesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Até hoje, para não se passar vergonha, existe a figura do &#8220;tapa-buraco&#8221;, geralmennte funcionários do próprio ministério se sentam à mesa, porque não é de bom tom ter lugares vagos na mesma. No velho ltamaraty, era comum um número de funcionários ter no seu gabinete de trabalho, bem arrumado, seu fraque, pois não daria tempo de ir em casa buscar o traje de gala, se o chefe o escalasse para participar do banquete.</p>
<p style="text-align: justify;">Os menus, todos escritos em francês, eram ricos em detalhes, e os pratos ou frutas típicas brasileiras não escapavam dessa versão. Por exemplo, um peru à brasileira virava &#8220;dinde à la brésilienne&#8221;; a sobremesa era &#8220;bacury à la neige&#8221;. O primeiro cardeal da América Latina, d. Joaquim Arcoverde, foi recebido com um menu, que podemos chamar de &#8220;celestial&#8221;: crême Mazarin, dame de garoupa cardinal, suprême de boeuf Richelieu, bavaroise Leon XIII, mais diplomático, impossível!</p>
<p style="text-align: justify;">Na trajetória do livro, podemos ver e sentir como o &#8220;glamour&#8221; dessas festas e recepções se alterou. Em nome do modernismo, o fraque, as condecorações e o smoking foram abolidos para os homens, e as mulheres não podem mais exibir seus longos vestidos e suas jóias. Hoje, o que vale é a diplomacia da economia ou da globalização, até o serviço à francesa foi eliminado, por questão de tempo. Hoje, o ltamaraty em Brasília recebe com &#8220;serviço de buffet&#8221;, não economizando na prataria, nas louças e nos cristais, mas agora para comer, deve-se pegar a fila!</p>
<p style="text-align: justify;">As cartas de vinhos, formam um capítulo à parte no livro, sofreu profundas alterações ao longo dos anos, e acredito, para melhor. Substituímos os vinhos importados pelos nacionais, mas quando durante mais de um século servimos vinhos de fora, nunca decepcionamos. Hoje, todo o cardápio é nacional, comidas de norte a sul do Brasil passam pelos salões do Itamaraty de Brasília, e agradam muito, os príncipes das Astúrias Felipe e Letícia saborearam e gostaram de nossa feijoada; o príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, provou uma bateria de sushis com peixes de Fernando de Noronha e da Bacia do Rio Paraná. O grande bobó de camarão é um habitué da casa e os quindins reinam absolutos.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro tem quase 300 fotos, que registram essa rica história de nossa cultura diplomática e é recheado de fatos e casos interessantes, como as comidas que servimos em nossa embaixada em Londres, o que comeu e bebeu Walt Disney, a descrição em detalhes dos vinhos servidos ao presidente Eisenhower, o que comeu o príncipe de Gales em São Paulo em 1934, alguns menus servidos no Copacabana Palace e no Jockey Club da Gávea, no Rio de Janeiro, além de revelar que o barão do Rio Branco incentivou Rui Barbosa a oferecer vários banquetes em Haia, para convencer as delegações estrangeiras presentes na Conferência da Paz a aceitar as posições do Brasil, receita que deu certo.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram dois anos e meio de muita pesquisa e de descobertas fantásticas, que só nos dão orgulho ao ver como o nosso velho e bom ltamaraty tratou no decorrer dos tempos e ainda trata a velha e boa arte de receber, sem perder o jeito descontraído de ser do povo brasileiro.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em dezembro/janeiro de 2009, nº66</em></p>
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		<title>Senhores, respeitem o vinho!</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:26:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando um assunto desperta paixão e mexe com o lado sensível das pessoas, é comum ocorrer exageros, discussões acaloradas e defesas contundentes dos diferentes pontos-de-vista. Ultimamente, temos encontrado uma enxurrada de desrespeitos ao vinho e consequentemente àqueles consumidores apaixonados e àqueles mais bem informados.
Veio à tona na Vinitaly, em abril, o escândalo dos Brunello di Montalcino. Escândalo anunciado, pois basta saber um pouco de geografia e ter a mínima noção de espaço para concluir que é impossível produzir numa simples colina tantas marcas de uma mesma denominação de origem. Nem ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando um assunto desperta paixão e mexe com o lado sensível das pessoas, é comum ocorrer exageros, discussões acaloradas e defesas contundentes dos diferentes pontos-de-vista. Ultimamente, temos encontrado uma enxurrada de desrespeitos ao vinho e consequentemente àqueles consumidores apaixonados e àqueles mais bem informados.</p>
<p>Veio à tona na Vinitaly, em abril, o escândalo dos Brunello di Montalcino. Escândalo anunciado, pois basta saber um pouco de geografia e ter a mínima noção de espaço para concluir que é impossível produzir numa simples colina tantas marcas de uma mesma denominação de origem. Nem plantando uva em vaso se obtém tal façanha!</p>
<p>Também emergiu, tempos atrás, outro escândalo envolvendo o &#8220;papa do vinho&#8221;, o crítico americano Robert Parker, e seus comandados, que &#8220;supostamente&#8221; cobravam propina de produtores para falar bem de seus vinhos. Já confessei de público que não confio nesse tipo de trabalho que o sr. Parker faz e divulga, mas se milhões o seguem, quem sou eu para enfrentar esse leão?</p>
<p>Confirmei tais impressões, ao participar de duas provas de vinhos no Alentejo, em 2007, quando encontrei o &#8220;provador oficial&#8221; de Parker, na Quinta da Malhadinha e na Herdade dos Grous. Esse senhor em tudo se assemelhava a um iceberg: grande, incolor e frio. Troquei três impressões com ele durante o almoço, e nenhuma resposta ou um sorriso sequer. Julguei estar diante, talvez, de um &#8220;semideus do vinho&#8221;. Alvoroçados, os produtores alentejanos procuravam saber de sua agenda. Afinal, uma nota 89, significaria 1.000 caixas; 90 pontos, 2.000 caixas; acima de 90, então, ninguém poderia imaginar para onde as vendas iriam. Só Deus.</p>
<p>Um grande produtor português, em visita a São Paulo, anos atrás, me disse que alavancaria suas vendas naqueles idos, pois seu agente americano o convencera a anunciar na Wine<br />
Spectator. Quando o alertei que os anúncios deveriam ser republicados para que tivessem algum retorno, ele me disse que bastariam só dois, pois na edição posterior, seus vinhos entrariam em prova. E pasmem: foi &#8220;acertado&#8221; que nenhum receberia nota inferior a 86 pontos! Além de engolir esse sapo, guardei essa indigestão por 16 longos anos.</p>
<p>Mas guardei-a para esse dia, em que o mundo do vinho é novamente sacudido por uma bomba. Trata-se do escândalo em que a revista Wine Spectator está hoje envolvida. Seu concurrso anual de restaurantes premia e recomenda as melhores cartas de vinho do mundo. Nada mais justo e sadio, se tal competição fosse organizada e gerida com total independência e rigor. Em vez disso, porém, os 4.500 estabelecimentos inscritos tiveram de pagar a quantia de 250 dólares para participar da contenda.</p>
<p>Um jovem enólogo americano, Robin Goldstein, de um restaurante de Milão, registrou uma carta recheada de rótulos medíocres, segundo a avaliação da própria Wine Spectator &#8211; e pasmem, foi premiado! Em depoimento a uma revista brasileira de grande circulação, em sua edição de 6 de outubro, o rapaz declarou: &#8220;A ideia era desmistificar especialistas e concursos enológicos que ditam o que é melhor para o consumidor&#8221;. Esse recado, curto e grosso, deve ser analisado com clareza e prudência.</p>
<p>Em se tratando de Brasil, qualquer publicação do gênero deve ter a preocupação de bem informar mas também, acredito, a de estimular o consumo de vinho, fazendo com que o leitor desperte para o prazer de comer e beber bem, já que afinal o país ainda engatinha nesse assunto. Seja como for, os fatos acima revelam que tais expedientes deveriam ser revistos por seus protagonistas, já que cada um deles há anos vem dando sua contribuição ao mundo de Baco.</p>
<p>Por favor, senhores, respeitem o vinho!</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em novembro de 2008, nº65</em></p>
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		<title>Boas compras no supermercado</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
		<category><![CDATA[lojas]]></category>
		<category><![CDATA[Supermercado]]></category>

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		<description><![CDATA[É muito comum, à medida que aumentamos nosso conhecimento sobre vinhos, aliado ao poder aquisitivo, que nossas escolhas recaiam sobre as lojas ou importadoras especializadas, geralmente instaladas em bonitos pontos-de-venda ou show-rooms de requintado bom gosto. Esse é o sonho de consumo de todos nós. Mas, não devemos dar as costas para os supermercados, pois esses estabelecimentos comerciais estão na ponta quando o assunto é variedade e relação custo-benefício. Nos últimos 20 anos de minha vida profissional, tenho trabalhado com vinhos de volume, ou seja, marcas que vendem muito, e ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">É muito comum, à medida que aumentamos nosso conhecimento sobre vinhos, aliado ao poder aquisitivo, que nossas escolhas recaiam sobre as lojas ou importadoras especializadas, geralmente instaladas em bonitos pontos-de-venda ou show-rooms de requintado bom gosto. Esse é o sonho de consumo de todos nós. Mas, não devemos dar as costas para os supermercados, pois esses estabelecimentos comerciais estão na ponta quando o assunto é variedade e relação custo-benefício. Nos últimos 20 anos de minha vida profissional, tenho trabalhado com vinhos de volume, ou seja, marcas que vendem muito, e que por pura ignorância, poucos aceitam falar delas, mesmo tendo iniciado vida de enófilo com um rótulo bem popular. Negar as origens é demonstrar falta de personalidade. Quantos senhores do vinho, com &#8220;s&#8221; maiúsculo, que conheço, não começaram há 30 anos passados a beber vinhos e a apreciar esse sagrado líquido com as famoosas garrafas azuis do Liebfraumilch, da Alemanha? Pois bem, tirando hoje 30 rótulos que são considerados &#8220;commodities&#8221;, e que representam 30% da venda total de vinhos do mercado brasileiro, como Mateus Rosé, Dão Grão Vasco, Casal Garcia, Periquita, Concha y Toro reservado, Santa Carolina reservado, Santa Helena reservado, Santa Ana, Miolo Seleção e Chalise, entre outros. São os supermecados e os resultados que sabem tratar bem o vinho, A política de bem trabalhar os vinhos em supermercados, teve início nos idos da década de 70, como &#8220;ponto de honra pessoal&#8221; do sr. Manuel da Silva Sé, que não se conformava em vender pouco vinho em seus supermercados. Para reverter isso, ele baixou uma norma que as margens de preços de vinhos em suas lojas deveriam ser muito baixas, a fim de estimular o consumo. Criou um restaurante de bacalhau chamado Dom Silvano, onde se vendiam vinhos ao mesmo preço das prateleiras de suas lojas. Lembro-me das enormes seções de vinho que mantinha em suas lojas, como as de Campo Limpo, Franca e São José do Rio Preto, sem me esquecer da loja campeã de vendas, a da Praça Panamericana, em São Paulo, SP.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu exemplo frutificou. O Grupo Pão de Açúcar desde o ano 2000 passou a utilizar uma superestratégia para vender mais vinhos, criando o serviço personalizado de atendimento de seus clientes pelos Atendentes de Vinhos. São jovens formados na própria empresa, que trabalham nos corredores de vinhos, tirando as dúvidas dos clientes. Os jovens são preparados em aulas técnicas e práticas e viajam em visita às diversas regiões produtoras de vinho para ampliar seus conhecimentos. O resultado é fantástico, em quatro anos, o Grupo Pão de Açúcar atingiu a liderança de vinhos no Brasil, com o espetacuular número de 19,6 milhões de garrafas vendidos no ano de 2004.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos afirmar que dificilmente um supermercado brasileiro venderá Romanée Conti ou Petrus em suas lojas. Isso é poesia. Todos os proodutores de vinho do mundo têm, geralmente, duas ou três linhas de vinho distintas, os seus &#8220;Top Quality&#8221;, geralmente, um ou no máximo dois vinhos. O importante, nesse caso, é sua assinatuura na garrafa. É exatamente aí que os supermercados funcionam como uma &#8220;autoescola do vinho&#8221;. Centenas ou milhares de marcas fazem sua entrada no mercado por meio dessas superlojas, e não pensem que entram somente por causa do preço. No Pão de Açúcar, todo o vinho que entra em linha, já passou por degustação técnica e deve realmente oferecer qualidade pelo preço que pede, e aí entra a parte mais difícil: como a empresa tem 44 milhões de clientes mensais, tem-se a obrigação de agradar ao máximo esse exército de consumidores. Os mais importantes enólogos do mundo vêm constantemente ao Brasil, e adoram passar por supermercados, porque sabem que ali está o futuro do vinho. Com um consumo pífio de 2 litros per capita, o Brasil é, no momento, o país mais importante do mundo para as novas marcas de vinho. Por obrigação e gosto, vivo visitando supermercados e a cada dia descubro verdadeiras maravilhas, muitas delas por menos de 20 reais. Manoel Beato, do grupo Fasano, o mais famoso sommelier do Brasil, em recente palestra afirmou que vive comprando vinhos em supermercados, e tem mai alegrias do que tristezas com essas investidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho tido agradáveis surpresas, quando promovo provas às cegas com vinhos de supermercados e vinhos bem mais caros. Até o degustaador admitir que o vinho de que gostou custa metade do preço do outro, que é mais medalhado, é uma tourada. Vale aqui, mais uma vez, a grande verdade: o melhor vinho do mundo é aquele que a gente bebe e gosta, e ponto final. Venha ele da adega de um barão, da prateleira de um supermercado, ou da casa de nossos avós, o importante é que e e vinho deixe saudades!</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em dezembro de 2008, nº66A</em></p>
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		<title>Vinum brasilis</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:18:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No final do ano de 1499, uma Lisboa cosmopolita assistia ao burburinho da preparação de uma esquadra bastante grande para a época, que acabaria zarpando em 9 de março de 1500 com destino à Índia &#8211; e só retornaria a Lisboa em 23 de julho de 1501. No comando, Pedro Álvares Cabral, o almirante que entraria para a história por ter &#8220;achado&#8221; o Brasil. A esquadra era composta de 13 navios, sendo um deles uma &#8220;barca de mantimentos&#8221; comandada por Gaspar de Lemos. Era nessa barca que estavam armazenadas diversas ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No final do ano de 1499, uma Lisboa cosmopolita assistia ao burburinho da preparação de uma esquadra bastante grande para a época, que acabaria zarpando em 9 de março de 1500 com destino à Índia &#8211; e só retornaria a Lisboa em 23 de julho de 1501. No comando, Pedro Álvares Cabral, o almirante que entraria para a história por ter &#8220;achado&#8221; o Brasil. A esquadra era composta de 13 navios, sendo um deles uma &#8220;barca de mantimentos&#8221; comandada por Gaspar de Lemos. Era nessa barca que estavam armazenadas diversas pipas de um vinho tinto adquirido no Alentejo, em uma propriedade próxima de Évora, de nome Pêra Manca, vinho que até hoje faz sucesso e é um dos orgulhos dos alentejanos.</p>
<p style="text-align: justify;">A presença do vinho nessa empreitada era importante por três motivos: para ajudar a higienizar os alimentos servidos a bordo durante os longos dias de viagem; por ser matéria-prima fundamental para que os oito frades católicos que estavam distribuídos pelos barcos pudessem celebrar as missas diariamente; e, o terceiro e mais importante motivo, para manter o nível da tropa elevado, pois um copo de vinho àquela altura do empreendimento era um reconfortante prêmio.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Afonso Lopes trouxe a bordo da Nau Capitânia dois índios para que conhecessem o comandante, ofereceram a esses nativos diversas iguarias, dentre elas o vinho. A reação foi mais que espontânea: os indígenas cuspiram a bebida que não lhes agradara nem um pouco.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim a primeira experiência de um brasileiro com o vinho. Não que a bebida não fossse boa. É que ela em nada se parecia com o vinho elaborado pelos gentios: o cauim, um fermentado de mandioca que muita dor de cabeça deu aos jesuítas que tentavam impor a religião católica aos índios.</p>
<p style="text-align: justify;">Os tupinambás, que habitavam o litoral da Bahia, eram craques na elaboração dessa beebida, que até hoje desperta interesse e tem lendas em torno de sua elaboração. Duas boas descrições sobre o uso e os efeitos do cauim são narrradas pelo padre Fernão Cardim em sua obra Tratados da Terra e Gente do Brasil, e pelo explorador e naturalista alemão Hans Staden. O padre Cardim cita que &#8220;o canto, a dança e o vinho (cauim) permeavam toda a vida tupinambá&#8221;. Staden descreve em seu livro Viagens e Aventuras no Brasil, publicado em 1557 em Marburgo, região da Alemanha de hoje, todo o processo de elaboração da bebida. Diz ele:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;São as mulheres que a preparam, usam raízes de mandioca e cozem-nas em grandes panelas. Quando está cozida, retiram a mandioca da panela, despejam-na em outras panelas e deixam que esfrie um pouco; a seguir, meninas sentam-se ao redor e a mastigam; colocam o mastigaado num vaso especial&#8221;. De volta às panelas, estas eram enterradas para dois dias de fermenntação. O cauim, segundo o padre Cardim, era bebido em nascimento de crianças, na festa do primeiro fluxo menstrual de uma cunhã, na recepção a hóspedes, em véspera de batalhas, no primeiro casamento do mancebo, após o trabalho comunitário na ruça, no ritual antropofágico, ao fim do período de luto pela morte de um parente etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Antonio Risério, em seu completíssimo livro Uma História da Cidade da Bahia, diz que &#8220;era uma fantasia europeia a ideia de que virgens mascavam as raízes, no preparo do cauim. Não havia virgens. Antes de privilegiar a virgindade, os tupinambás praticavam uma espécie de adestramento, uma didática erótica que introduzia pré-adolescentes, crias ainda púberes, nos prazeres do sexo&#8221;. As índias jovens mastigavam a mandioca porque, como não haviam gerado filhos, ainda tinham todos os dentes. Assim, essse &#8220;Vinum brasilis&#8221; fez sua história.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em abril de 2009, nº69</em></p>
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		<title>Banquetes reais</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:15:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A crise não abala a rotina, nem o glamour, dos jantares milionários oferecidos pela rainha Elizabeth II
Desde que assumiu o trono do Reino Unido no ano de 1952, a rainha Elizabeth II ofereceu (até março de 2008) 97 banquetes. Nessas oportunidades, recebeu chefes de Estado de vários países do mundo. Para fazer bonito, Sua Majestade tem dois palácios à disposição: um em Londres, o Palácio de Buckingham, e o outro, o Castelo de Windsor, nos arredores da capital inglesa. Este último tem uma sala própria para eventos: a St. George&#8217;s ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A crise não abala a rotina, nem o glamour, dos jantares milionários oferecidos pela rainha Elizabeth II</p>
<p style="text-align: justify;">Desde que assumiu o trono do Reino Unido no ano de 1952, a rainha Elizabeth II ofereceu (até março de 2008) 97 banquetes. Nessas oportunidades, recebeu chefes de Estado de vários países do mundo. Para fazer bonito, Sua Majestade tem dois palácios à disposição: um em Londres, o Palácio de Buckingham, e o outro, o Castelo de Windsor, nos arredores da capital inglesa. Este último tem uma sala própria para eventos: a St. George&#8217;s Hall, onde uma enorme mesa feita sob encomenda pela rainha Vitória acomoda confortavelmente 158 convidados. Em Buckinggham, o mesmo número de convivas é recebido na Sala do Trono. A tradicional State Dinnning Room desse palácio acomoda somente 46 pessoas, portanto, é utilizada para os jantares mais íntimos.</p>
<p style="text-align: justify;">Três presidentes brasileiros foram recebidos com essa distinção: Ernesto Geisel, em maio de 1976; Fernando Henrique Cardoso, em dezembro de 1997; e Luiz Inácio Lula da Silva, em março de 2006. Todos jantaram na Sala do Trono do Palácio de Buckingham, onde inclusive se hospedaram. Ao presidennte Lula e senhora foram servidos linguado grelhado com creme de espinafre, acompanhado de um Puligny-Montrachet 1er Cru 1999, de Clavaillon Leflaive; filé-mignon com trufas e foie gras, com Château Gruaud-Larose 1985, um Bordeaux de Saint Julien; e bomba com sorvete de creme, com Veuve Clicquot.</p>
<p style="text-align: justify;">A organização desses eventos é minuciosa e começa com ao menos três meses de antecedência. A rainha interfere diretamente em tudo, inclusive degustando as opções de prato ao lado de seus assessores diretos, entre eles o chef e o Yeoman of the Cellars, o correspondente a nosso mestre de adega.</p>
<p style="text-align: justify;">Todas as despesas com banquete, hospedagem e presentes a ser ofertados são pagas diretamente por Sua Majestade, que usa os recursos anuais destinados pelo Parlamennto britânico por meio da Civil List. Toda a família real depende dessa verba anual, que é administrada pessoalmente pela rainha com &#8220;mão de ferro&#8221;, conforme se comenta em todo o Reino Unido.</p>
<p style="text-align: justify;">A adega real tem 25.000 garrafas, guardadas no Palácio de Buckingham, 5.000 no Castelo de Windsor e outras tantas espalhadas pelos ouutros palácios e castelos, como o de Holyrooddhouse, em Edimburgo, Escócia; Sandringham, nos arredores de Londres; e Balmoral, a residência privada, na Escócia.</p>
<p style="text-align: justify;">O Yeoman of the Cellars é quem decanta os vinhos a ser servidos. Prova todos antes e os serve pessoalmente à rainha e a seus convidados de honra. O cálculo de consumo é de uma garrafa para cada cinco pessoas. Quatro famílias de vinhos reinam há séculos nas adegas reais: Champagne, Bordeaux, Borgonha e Porto, todos adquiridos &#8220;en premier&#8221;, quando o preço é sempre melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Os preferidos de Champagne são Pommery, Veuve Clicquot e Louis Roederer. Entre os Bordeaux, Leoville, Haut-Brion, Lafite, Margaux e Latour. Da Borgonha, uma extensa lista com vinhos de 14 côtes, em que Romanée-Conti, Chambertin, Richebourg, Nuits Saint George e outros têm sempre lugar garantido à mesa. No tocante aos Porto, reinam absolutos Warre, Dow&#8217;s, Taylor&#8217;s e Graham&#8217;s.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas duas adegas reais existem ainda mais de 100 rótulos, divididos por várias categorias, coomo a de vinhos para sobremesa &#8211; com 16 rótulos típicos para esse fim mantidos em estoque, como Madeira, Tokay, Carcavello, Malaga, Picolit e diversos Moscato.</p>
<p style="text-align: justify;">O bom é que, mesmo em tempos de crise, essa rotina de receber não foi afetada, e a média de três chefes de Estado por ano está mantida. A realeza agradece.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em agosto de 2009, nº73</em></p>
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		<title>A crise em Mendoza</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:14:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Mendoza]]></category>

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		<description><![CDATA[Sim, o momento é delicado no principal polo produtor de vinhos da Argentina
Nenhum momento é bom em época de crise, principalmente quando se está subindo ou no meio de uma arrancada especial, com vistas a uma posição mundial de destaque. Esta recente crise global, provavelmente provocada por quem não costuma toomar vinho, além de &#8220;ser loiro e ter olhos azuis&#8221;, pegou o vinho argentino em plena ascensão no mercado.
No caso do Brasil, a aceitação do vinho argentino é inconteste. A cada dia bebemos mais rótulos produzidos pelos nossos vizinhos. De ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Sim, o momento é delicado no principal polo produtor de vinhos da Argentina</p>
<p style="text-align: justify;">Nenhum momento é bom em época de crise, principalmente quando se está subindo ou no meio de uma arrancada especial, com vistas a uma posição mundial de destaque. Esta recente crise global, provavelmente provocada por quem não costuma toomar vinho, além de &#8220;ser loiro e ter olhos azuis&#8221;, pegou o vinho argentino em plena ascensão no mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso do Brasil, a aceitação do vinho argentino é inconteste. A cada dia bebemos mais rótulos produzidos pelos nossos vizinhos. De lá chegam regularmente garrafas que compramos por 6,50 reais até 500 reais. As opções de marca já passaram de mil faz tempo. Agora que os vinhos argentinos estavam indo muito bem nos Estados Unidos e na Inglaterra (mesmo com a cizânia nas Malvinas), vem a crise bater-lhes à porta.</p>
<p style="text-align: justify;">Em recente visita a Mendoza para buscar novos vinhos para venda no Brasil, ouvi todo tipo de reclamações contra a inflação real que se abate sobre a Argentina, e que o goverrno federal jura que é &#8220;fantasma&#8221;. Mas a realidade mostra outra coisa. A cada mês, o proodutor de vinhos argentino enfrenta aumentos no preço das garrafas, das rolhas, das caixas de papelão, dos rótulos etc. É impossível fazer grandes estoques, pois são as encomendas que geram e movimentam o mercado. E os pedidos internacionais caíram muito.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns produtores falam em inflação de 25% no ano de 2008 &#8211; assim ninguém aguenta! O que era o mais barato, o vinho em si, também ficou caro, afinal o produtor de uvas não está imune à inflação e aos constantes aumentos de preço. Em dois anos, os fretes de contêineres de Mendoza para Buenos Aires cresceram 400%!</p>
<p style="text-align: justify;">Em meio a essa situação, os amantes do vinho só estão tranquilos em relação à qualidaade. Isso, sim, só melhora. Estive em 20 bodegas e pude provar 148 vinhos. Os Malbec continuam a reinar. Mesmo os mais simples, chamados &#8220;de primeiro preço&#8221;, apresentaram excelente relação custo-benefício. Já os caldos mais elaborados, com médios e longos estágios em carvalho, revelaram-se uma agradável surpresa. Vinhos robustos, com muita elegância, de longevidade garantida. Uma legião de jovens enólogos marca presença na elaboraação desses vinhos. Nem sempre a quantidade é importante, mas a qualidade, finalmente, é a meta a ser atingida.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora o cenário seja escuro (a crise tem feito estragos), é louvável o otimismo do vitivinicultor argentino. Todos que encontrei acreditam que o futuro será melhor e que os vinhos argentinos deverão conquistar mais espaço pelo mundo afora. O Brasil continua a ser a &#8220;menina dos olhos&#8221; dos produtores de lá. Agora, é só rezar para que ambos os governos (do Brasil e da Argentina) não ponham tudo a perder, porque a primeira coisa que os tecnocratas de Brasília e de Buenos Aires sabem fazer nesses momentos é aumentar os impostos. A esses &#8220;sábios da economia&#8221; dou só um conselho: bebam mais vinho. Assim vocês errarão menos.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em maio de 2009, nº70</em></p>
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		<title>Primavera em Champagne</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:12:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
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		<category><![CDATA[champagne]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente, liderando um grupo de amigos, estive em Champagne, na França, para uma visita de conhecimento. Foi a oportunidade de sentir como vão as coisas nesses tempos de crise na região produtora dos vinhos mais caros do mundo. Felizmente, o charme ainda reside naquelas maravilhoosas colinas acarpetadas de um verde maravilhoso nesta primavera europeia.
Iniciamos a visita pela emblemática Moet Chandon, localizada na Avenue de Champagne &#8211; que, pelo charme, é considerada a Champs Élisées da região. Logo à entrada do majestoso edifício-sede, um simpático Dom Perignon de bronze nos fez ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Recentemente, liderando um grupo de amigos, estive em Champagne, na França, para uma visita de conhecimento. Foi a oportunidade de sentir como vão as coisas nesses tempos de crise na região produtora dos vinhos mais caros do mundo. Felizmente, o charme ainda reside naquelas maravilhoosas colinas acarpetadas de um verde maravilhoso nesta primavera europeia.</p>
<p style="text-align: justify;">Iniciamos a visita pela emblemática Moet Chandon, localizada na Avenue de Champagne &#8211; que, pelo charme, é considerada a Champs Élisées da região. Logo à entrada do majestoso edifício-sede, um simpático Dom Perignon de bronze nos fez as honras. Conhecemos as caves em que milhões de garrafas repousam esperando o dia de agradar algum coração por esse mundo afora. Essas galerias foram inicialmente cavadas pelos romanos há mais de 2.000 anos. Até hoje servem à causa do champanhe, como se tivessem sido descobertas recentemente.</p>
<p style="text-align: justify;">Fomos recebidos com um magnífico almooço na residência privada chamada Trianon. Em uma rica mesa, em que as porcelanas de Sévres e Limoges davam o tom, degustamos Moet Miléssime 2003 e Moet Rose 2003.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, em Epernay, fomos a Piper Heidsieck. No centro de um jardim exuberante, nós nos servimos com as jóias da casa: um Brut Nature, um Brut Reserve, um Blanc de Blancs 1995 (uma pérola!) e um Rose Sauvage Brut (com 55% de Pinot Noir, 30% de Pinot Munier e 15% de Chardonnay) &#8211; todos com estilo elegante e um longo retrogosto.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda visitamos a Veuve Clicquot Ponsarrdin. Após um sugestivo passeio pelas galerias subterrâneas, fomos conduzidos a Verzy, onde uma neta de madame Clicquot era dona de uma propriedade no campo. Lá, logo à chegada, degustamos um La Grand Dame 1998, que antecedeu um almoço perfeito. Ainda degustamos um Veuve Clicquot Vintage 2002, seguido de outro Vintage Rosé 1999 e, na sobremesa, um Clicquot Demi-Sec.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois desse maravilhoso banquete, fomos a Louis Roderer. Ali, conhecemos uma bela coleção de pipas de madeira, em que tradicionalmente a maison fermenta e guarda seus vinhos. Dois bons champanhes da casa nos foram oferecidos, ambos brut, sendo um deles rosé.</p>
<p style="text-align: justify;">Seguiu-se depois uma visita de honra à traadicional Maison Krug, que elabora champanhes no mesmo estilo há séculos. Fermenta e reserva seus vinhos-base em enormes pipas de madeira de até 5.000 litros e os mantém assim armazenados até o momento de adicionar açúcar e levedura para a elaboração final do champanhe. Ali, degustamos duas grandes marcas brut e pudemos saber mais sobre o tradicioonal vinhedo de Cios du Mesnil, talvez o mais importante ícone no mundo de Champagne. Encerrando a visita, fomos à Maison Ruinart. Mais antiga elaboradora de champanhes, foi fundada pela família do abade Ruinart em 1729. Uma degustação de Dom Ruinart Brut encerrou essa maravilhosa viagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, em tempos de notícias ruins, é semmpre bom visitar a Champagne. Não que lá não haja preocupação com a crise mundial. Mas há um otimismo no ar, possivelmente motivado pela certeza de que, quando a maré ruim passsar, teremos de comemorar, e com champanhe.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em junho de 2009, nº71</em></p>
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		<title>O Periquita e as fitas coloridas</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Aug 2009 22:10:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Periquita]]></category>

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		<description><![CDATA[O fim de maio foi marcado por um aconntecimento muito distinto. O XVII Capítulo Anual da Confraria do Periquita, edição que aconteceu na Vila Nogueira do Azeite, em Portugal, e foi mais que especial em virtude das comemorações dos 175 anos da Fundação da Casa José Maria da Fonseca.
Como de costume, lá pelas 6h30 da tarde, no pátio externo da tradicional sede da José Maria da Fonseca, os confrades antigos e os novos, que seriam investidos em seus cargos naquele dia, se reencontraram depois de um ano e aproveitaram para ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O fim de maio foi marcado por um aconntecimento muito distinto. O XVII Capítulo Anual da Confraria do Periquita, edição que aconteceu na Vila Nogueira do Azeite, em Portugal, e foi mais que especial em virtude das comemorações dos 175 anos da Fundação da Casa José Maria da Fonseca.</p>
<p style="text-align: justify;">Como de costume, lá pelas 6h30 da tarde, no pátio externo da tradicional sede da José Maria da Fonseca, os confrades antigos e os novos, que seriam investidos em seus cargos naquele dia, se reencontraram depois de um ano e aproveitaram para colocar a conversa em dia, enquanto um coquetel com os tradicionais vinhos da casa era servido.</p>
<p style="text-align: justify;">Pude rever um grande número de confrades, dentre eles o confrade Jorge Sampaio, ex-presidente da República de Portugal. Reencontrei também o almirante Nuno Matias e, aos pouucos, todos iam dando o ar de sua presença em meio a diversos tons, num multicolorido cenário das fitas dos chapéus e das capas.</p>
<p style="text-align: justify;">As fitas amarelas são envergadas pelos irrmãos Antonio e Domingos Soares Franco, os titulares e administradores da José Maria da Fonseca e representam a sexta geração da família à frente do negócio de vinhos. Antonio é o Grande Periquita dessa confraria. Já os de fitas verdes eram o corpo diretivo da empreesa em todos os seus setores: produção, administração, financeiro etc. Os de fitas azuis, os Periquitas Clássicos e, hoje, a confraria só tem três membros nessa categoria. Fitas vinho reepresentam os Cavaleiros de Condição, que hoje já passam de uma centena e agora as esposas e senhoras, membros da Família Soares Franco usam as fitas cor-de-rosa.</p>
<p style="text-align: justify;">No cortejo que se faz pelo pátio até a Adeega dos Teares Velhos, uma animada lira local executa deliciosas marchas, que logo se inicia com a investidura dos novos membros. Neste ano, eram 11 os novos confrades.</p>
<p style="text-align: justify;">Após a cerimônia, todos os presentes se diirigem para uma sala de provas especial, na qual o enólogo Domingos Soares Franco coloocou à prova uma taça da mais nova safra de Periquita, de 2008. Provado e aprovado o vinho pelos presentes, segue-se à outra ala da Adega dos Teares Velhos para o tradicional banquete.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, Sofia Soares Franco, da sétima geração da família, dá seu toque e apresenta a todos a mesa posta para o tal banquete. Com lugares marcados, todos os confrades, que agora envergam somente a capa e aguardam o serviço.</p>
<p style="text-align: justify;">Como sempre, o prato de entrada é a tradiicional sopa de ervilhas à Soares Franco, um caldo grosso com hortelã e coentro. Para acompanhar, o vinho Periquita Supreme 2008. Para o prato principal, um lombo de veado muito tenro com molho de Moscatel de Setubal. O Hexagon 2003, a maior Prata da Casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Seguiram então à mesa o tradicional queijo de azeitão, produzido na Quinta de Camaraate e uma sericaia com gelado de canela. Tudo isso na companhia de um vinho da coleção privada Domingos Soares Franco, o Moscatel (Armagnac) 2003, uma pérola com aromas de damasco e mel. Café e aguardente Espírito encerraram a maravilhosa refeição.</p>
<p style="text-align: justify;">À mesa, falaram Domingos Soares Franco, para explicar os vinhos que foram degustados e o Grande Periquita, e Antonio Soares Franco, que lembrou a todos que a Casa José Maria da Fonseca está completando 175 anos de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Convidado a pronunciar algumas palavras, destaquei a importância da família como célula-mãe de todos esses 175 anos de luta e de glórias. Meu objetivo foi falar da sétima geração, que, vagarosamente, vem assumindo posições de destaque na empresa. É dever desses jovens manter a unidade familiar a fim de que a Casa José Maria da Fonseca prossiga em sua missão de encantar o mundo que gosta de vinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, celebramos esse 31 de maio, a data de nascimento do grande pioneiro e homem de visão que foi José Maria da Fonseca.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em julho de 2009, nº72</em></p>
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