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	<title>Carlos Cabral &#187; Personalidades do vinho</title>
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		<title>O confrade Sérgio de Paula Santos</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 14:38:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[vinho do Porto]]></category>
		<category><![CDATA[Vintage]]></category>

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		<description><![CDATA[No último dia 4 de Maio faleceu em São Paulo, aos 80 anos, o médico e enófilo Sérgio de Paula Santos.
Dr. Sérgio foi uma figura singular no mundo dos vinhos, trazia de casa a cultura e a paixão pelos vinhos herdadas de seu pai. Ao formar-se médico escolheu a otorrinolaringologia como especialidade de atuação e logo embarcou para a Europa a fim de aprimorar sua atividade. Na Alemanha apaixonou-se pelos vinhos brancos da Frankonia, mas nunca deixou de apreciar os bons caldos de Bordeaux e da Borgonha.
Dono de um texto ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No último dia 4 de Maio faleceu em São Paulo, aos 80 anos, o médico e enófilo Sérgio de Paula Santos.</p>
<p>Dr. Sérgio foi uma figura singular no mundo dos vinhos, trazia de casa a cultura e a paixão pelos vinhos herdadas de seu pai. Ao formar-se médico escolheu a otorrinolaringologia como especialidade de atuação e logo embarcou para a Europa a fim de aprimorar sua atividade. Na Alemanha apaixonou-se pelos vinhos brancos da Frankonia, mas nunca deixou de apreciar os bons caldos de Bordeaux e da Borgonha.</p>
<p>Dono de um texto único, Sérgio que era um bibliófilo fiel à literatura séria do vinho, logo enriqueceu seus conhecimentos e transmitiu os mesmos, com muita propriedade por meio de colunas semanais que assinava nos jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, neste último sua coluna saia aos domingos no Suplemento Feminino.</p>
<p>Foi em 1976 que li os primeiros artigos do Sérgio no Estadão e desde então sempre li seus textos, que antes de tudo davam uma grande aula de história. Sérgio preservou este estilo até o final da década de 80, mas logo passou a ser um crítico ferrenho dos maus vinhos e do desperdício de marketing que estes vinhos consumiam, geralmente passando mensagens enganosas, sem nenhum conteúdo sério.</p>
<p>Quando no final da década de 70 tive a ideia de criar a SBAV – Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho &#8211; convidei o Sérgio para juntar-se a nós. Em uma carta datada de 8 de Novembro de 1978 enviada a ele, expus a minha intenção de reunir enófilos por  este Brasil afora, mas infelizmente não obtive resposta.</p>
<p>Sérgio prosseguiu sua carreira de enófilo escrevendo compulsivamente, e de início buscou inspiração nos encontros regulares na célebre Pensão Humaytá, residência do grande historiador pátrio Yan de Almeida Prado, que por décadas foi o reduto mais civilizado no qual uma boa mesa encontrava guarida.</p>
<p>Seus escritos deram origem a muitos livros, que foram formados pela coletânea de textos publicados na imprensa e como dizia ele: &#8211; sem cortes, textos integrais. A vontade de ter uma tribuna livre para os seus artigos levo-o a juntar-se com o amigo Nelson Duarte no projeto do Jornal do Vinho, primeiro jornal de vinhos editado em São Paulo, onde o competente e saudoso jornalista Evaristo Mileck Jr. fazia a editoração.</p>
<p>No ano de 1992, Sérgio visitou a Casa Cabral, a loja de vinhos que tive na Rua Padre João Manuel e perguntou-me se eu tinha um Porto Vintage 1929. Era o ano de seu nascimento e ele ainda não tinha provado um Porto daquela emblemática data. Informei que tinha uma garrafa em casa de um Vintage elaborado na Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, então propriedade do confrade Nuno de Carvalho, gentil amigo Cônsul Honorário do Japão na cidade do Porto e que residia em Pedras Rubras, na casa que abrigou o nosso Imperador Dom Pedro I, quando este foi a Portugal lutar pelo trono português para sua filha D. Maria II.</p>
<p>De pronto informei ao Sérgio que aquela garrafa já  era dele, mas Sérgio propôs uma troca, queria dar-me um livro sobre o Vinho do Porto, de sua biblioteca, assim faríamos uma troca. Aceitei e não sei se Sérgio degustou aquele vinho.</p>
<p>Em 1985 Sérgio foi admitido como Cavaleiro na Confraria do Vinho do Porto, então passamos a ser confrades e nos encontramos muitas vezes em torno de bons cálices deste grande vinho civilizador.</p>
<p>Sérgio deixou uma vasta obra escrita, são de destacar os livros:</p>
<p>“O Vinho Nosso de Cada Dia”, “Vinho e Cultura”, “O Vinho, a Vinha e a Vida”, “Vinhos, a Mesa e o Copo”,  “Vinho e História”, “O vinho e suas circunstâncias”, “Memórias de Adega e Cozinha” e “Os Caminhos de Baco”, sendo que neste último considero a dedicatória que fez em homenagem a sua família a mais bonita de todas que encontrei até hoje neste mundo do vinho, diz o texto: “Para Marina, a boa cepa em cuja sombra cresceu nosso pequeno vinhedo: Sérgio,Rodrigo e Mateus.”</p>
<p>Atualmente Sérgio era leitura obrigatória nas páginas da Revista Vinho Magazine, sua tribuna, onde não media críticas à cultura enlatada do vinho que tomou conta do Brasil, fazendo surgir um grande número de “enochatos”.</p>
<p>Sérgio foi um purista do vinho e cultivou na mesma intensidade amigos e críticos às suas idéias. Passou por nós e marcou sua presença. Então como ele sempre dizia:</p>
<p>“EVOÉ CONFRADE SÉRGIO!!!! </p>
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		<title>O confrade Saul Galvão (1942–2009)</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 17:43:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Saul Galvão]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi no final de 1981 que cruzei com o Saul Galvão, já na época, renomado jornalista gastronômico do velho e bom O Estado de São Paulo.
Nosso encontro ocorreu em uma promoção do ICEP-Portugal, dirigido por José Manuel de Braga Dias, no então recém inaugurado Sesc Pompéia. Eu fiz uma palestra sobre vinho do Porto e o Saul uma sobre os Vinhos do Dão, para os membros da Associação Brasileira de Maitres D’Hotel, então dirigida pelo Sr. Walter Mazzieri.
Desde aquele momento nos tornamos amigos, e o vinho, o elo de nossa ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi no final de 1981 que cruzei com o Saul Galvão, já na época, renomado jornalista gastronômico do velho e bom O Estado de São Paulo.</p>
<p>Nosso encontro ocorreu em uma promoção do ICEP-Portugal, dirigido por José Manuel de Braga Dias, no então recém inaugurado Sesc Pompéia. Eu fiz uma palestra sobre vinho do Porto e o Saul uma sobre os Vinhos do Dão, para os membros da Associação Brasileira de Maitres D’Hotel, então dirigida pelo Sr. Walter Mazzieri.</p>
<p>Desde aquele momento nos tornamos amigos, e o vinho, o elo de nossa união. Como leitor assíduo de suas matérias, acompanhei a trajetória gastronômica de Saul como crítico, sempre construtivo e que fazia questão de pagar o que comia, para ter assegurado o direito de criticar.</p>
<p>Tinha uma paixão louca por Paris e seus bistrôs, onde seu velho amigo Reali Junior, morador na cidade luz há muitos anos, selecionava sempre para o amigo os melhores endereços.</p>
<p>Com Saul tive a oportunidade de fazer algumas viagens internacionais e outras pela Serra Gaúcha, sempre tendo o vinho como tema central.</p>
<p>Recordo-me de uma que fizemos para a Sicília, na qual constava uma visita à pequena Ilha de Panteleria, onde iríamos ver e conhecer de perto o fantástico vinho Moscato Passito. Quando chegamos ao aeroporto de Palermo e o Saul viu o tamanho do pequeno bi-motor que nos levaria a ilha, Saul foi categórico:</p>
<p>- Eu não viajo nessa lata velha!</p>
<p>Após muita conversa de todos os presentes, inclusive o confrade Jorge Carrara, Saul aceitou viajar, mas não deixou de falar mal do avião, na ida e na volta, só que desta vez menos, pois degustamos muitos vinhos doces nessa ilha.</p>
<p>Certa vez em Punta Del Leste, no Uruguai, em um almoço, um prato veio decorado com carambola cortada em fatias. Muito sugestiva aquela decoração, todos comentávamos à mesa, até que Saul disse não conhecer aquela fruta!</p>
<p>Surpresa geral! Como? Justamente Saul, que vivia cantando em prosa e verso as delícias de sua infância em Jaú, onde convivia com a natureza e uma abundância de iguarias. Questionado, e muito gozador, respondeu:</p>
<p>- Lá em Jaú nós conhecemos esta fruta como “star fruit”!</p>
<p>Gargalhadas em  geral!</p>
<p>Assim era este Confrade, com quem tive o prazer de degustar muitos vinhos, nunca mais que ele. Como fazia parte da Confraria do Amarante, que recentemente celebrou 25 anos de existência, posso afirmar que Saul passou por esta vida e deve ter degustado alguns milhares de rótulos, que com muita competência, os descreveu em seu clássico livro “Tintos e Brancos” que é uma obra de referência para todos os brasileiros iniciados no mundo do vinho.</p>
<p>Meu confrade nas Confrarias do Vinho do Porto, da Bairrada, do Vinho da Madeira e do Alentejo, Saul foi um bom companheiro de taças e histórias.</p>
<p>Quando soube que estava doente e que iria iniciar um tratamento muito forte, liguei para ele e disse:</p>
<p>- Amigo, vê lá, não me decepcione, afinal tenho um Porto Ferreira Vintage 1934 para degustarmos juntos!</p>
<p>- OK, registrado Cabral.</p>
<p>Está foi a sua resposta.</p>
<p>Infelizmente não deu tempo de degustarmos esta iguaria e continuarmos a celebrar a vida. Espero que exista um bom vinhedo para onde o Saul foi, e que ele comece a preparar um vinho para quando eu chegar por lá.</p>
<p>Fique com Baco, amigo!</p>
<p><small>Legenda da foto:  Troféu Vitis Destaque Jornalístico 2006 &#8211; Saul Galvão</small></p>
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		<title>Victor Siaulys</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 01:48:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Casa Cabral]]></category>
		<category><![CDATA[vinhos]]></category>

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		<description><![CDATA[No último dia 19 de março faleceu em São Paulo meu amigo Victor Siaulys. Conhecido como o homem que revolucionou a indústria farmacêutica nacional, o Victor amigo era uma pessoa afável, positiva, empreendedora, humanista,  de bom garfo e grande apreciador de bons vinhos.
Nossas vidas se cruzaram em 1972 quando comecei a trabalhar na indústria farmacêutica como propagandista. Victor, que também fora propagandista na Squibb, vez por outra aparecia nos consultórios médicos da Rua Itapeva para falar com os mais eminentes médicos do Brasil, que lá tinham seus consultórios. Era ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No último dia 19 de março faleceu em São Paulo meu amigo Victor Siaulys. Conhecido como o homem que revolucionou a indústria farmacêutica nacional, o Victor amigo era uma pessoa afável, positiva, empreendedora, humanista,  de bom garfo e grande apreciador de bons vinhos.</p>
<p>Nossas vidas se cruzaram em 1972 quando comecei a trabalhar na indústria farmacêutica como propagandista. Victor, que também fora propagandista na Squibb, vez por outra aparecia nos consultórios médicos da Rua Itapeva para falar com os mais eminentes médicos do Brasil, que lá tinham seus consultórios. Era a época do Moderex, fármaco que fez milhões de mulheres do Brasil emagrecerem, e que fora uma tacada de marketing e de profissionalismo do Victor.</p>
<p>Para nós propagandistas da época, e temos essa sensação até hoje, Victor era nosso herói, pois saiu de “puxar pasta” para dono da maior indústria farmacêutica da América Latina, os laboratórios Aché.</p>
<p>Irrequieto e criador, Victor foi somando vitórias profissionais ao lado de outros 2 amigos, também propagandistas, o Adalmiro, o “Miro”, e o Antonio Depieri, na condução dos negócios do laboratório Aché.</p>
<p>Mas não foi na indústria farmacêutica que Victor se notabilizou. Ele e sua esposa Mara juntaram forças e muito otimismo e fundaram a Laramara, uma Fundação que auxilia pessoas com deficiências visuais, pois tinha em casa, sua filha Lara, que ficou cega por causa de um erro de procedimento logo após o seu nascimento. Compreendendo as deficiências da filha, Victor e Mara puseram a mão na massa para minimizar o sofrimento das pessoas com deficiência visual, buscando engajar com soberania e respeito estes cidadãos na sociedade. A Laramara é hoje uma realidade inconteste, um orgulho do Brasil nesta área.</p>
<p>Victor,  Miro e Depieri foram freqüentadores assíduos do Bacalhau do Cabral, que funcionava às sextas e sábados na antiga Casa Cabral, na Rua Padre João Manuel, nos Jardins em São Paulo. Lá recordávamos dos bons tempos de pasta e contávamos nossas histórias, enquanto degustávamos bons vinhos e bom bacalhau.</p>
<p>Ao inaugurar o restaurante Chez Victor, cuja renda sempre foi revertida para a Laramara, Victor concedeu-me um privilégio único: escalou-me para, no dia de maior movimento da semana de inauguração, uma sexta-feira, fazer o Bacalhau do Cabral para 70 felizes comensais. Foi uma noite memorável. Só não contávamos que no sábado, dia em que iria fazer uma Paella para os convidados, Victor sentisse os primeiros sinais de uma leucemia que acabaria levando-o de nós.</p>
<p>Por seu positivismo e amor a vida, Victor semeou alegria por onde passou. Deixou aqui uma legião de amigos, admiradores e um agradecimento com muito amor de todas as pessoas com deficiência visual, milhares deles, que Victor deu um pouco de luz. Meu próximo brinde será para você, tua vida, tua família e tua história, meu caro amigo Victor. </p>
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		<title>Domingos Soares Franco</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Mar 2009 19:29:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Domingos Soares Franco]]></category>

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		<description><![CDATA[Em tempos de economia globalizada, onde o que vale é o dinheiro e as tradições que passam para a história, manter uma vinícola na liderança dos segmentos de seus vinhos por 7 gerações na mesma família, torna-se um ato heróico e digno de louvor.
A tradicional casa vinícola José Maria da Fonseca, localizada em Azeitão, em Portugal, conseguiu esta façanha e já está em curso a formação da 8° geração. 
Com atribuições bem definidas, os atuais proprietários da Casa, os irmãos, Antonio, presidente e administrador e Domingos Soares Franco, enólogo chefe ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em tempos de economia globalizada, onde o que vale é o dinheiro e as tradições que passam para a história, manter uma vinícola na liderança dos segmentos de seus vinhos por 7 gerações na mesma família, torna-se um ato heróico e digno de louvor.</p>
<p>A tradicional casa vinícola José Maria da Fonseca, localizada em Azeitão, em Portugal, conseguiu esta façanha e já está em curso a formação da 8° geração. </p>
<p>Com atribuições bem definidas, os atuais proprietários da Casa, os irmãos, Antonio, presidente e administrador e Domingos Soares Franco, enólogo chefe e vice-presidente, deram um grande impulso à Casa fazendo construir uma nova planta industrial com capacidade de armazenamento de 6,5 milhões de litros de vinho, cujas uvas para essa produção são originárias de 650 ha de vinhas próprias.</p>
<p>Para estar adiante de seu tempo, Domingos foi cursar a Universidade de Davis na Califórnia, onde o curso de enologia é considerado atualmente o mais dinâmico e moderno do mundo. Lá foram criados, em estufas, diversos e distintos terroirs do mundo do vinho, proporcionando ao aluno a oportunidade de viver um pouco de Bordeaux, Borgonha, Reno, Piemonte etc. Domingos tornou-se o primeiro português a fazer este curso.</p>
<p>De volta a casa, soube ouvir e aproveitar bem os sábios conselhos de seu tio Antonio, de que um enólogo não trabalha só com o vinho, trabalha também com o mercado. Deve estar atento ao gosto do mercado, se quiser vender muito vinho. Este tio Antonio foi o criador do mítico vinho Lancer’s, que ainda hoje desperta grandes paixões nos norte-americanos.<br />
Muitos desafios apareceram durante toda a sua carreira profissional. A aquisição da Casa  José de Sousa, no Alentejo, obrigou Domingos a quase voltar a idade da pedra, ao ter de elaborar vinhos típicos alentejanos vinificados em talha de barro, igualmente como faziam os romanos há passados 2 séculos. </p>
<p>A construção da nova planta de vinificação da Casa foi outro grande desafio. Lá, Domingos exigiu uma enorme coleção de tanques de inóx que vão dos 50 mil litros até 200 litros para realizar as suas experiências. Fez também construir 2 lagares de aço inóx, onde os homens que irão pisar as uvas, têm o auxílio de um apoio que se move junto com o repetitivo movimento das pernas e do corpo. Eu diria que esta nova parafernália, toda automatizada e computadorizada, é a Disneylândia do Domingos!</p>
<div id="attachment_774" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/uploads/2009/03/jmf_2002_2.jpg"><img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/uploads/2009/03/jmf_2002_2.jpg" alt="Visita a JMF, em 2002." title="jmf_2002" width="500" height="333" class="size-full wp-image-774" /></a><p class="wp-caption-text">Visita a JMF, em 2002.</p></div>
<p>O melhor de tudo isto é que Domingos ama de paixão sua profissão, e não só. É um ser humano normal, não sobe em cima dos títulos ou dos cargos que exerce, bom garfo, adora uma mesa farta e de qualidade, e tem um bom senso de humor, adora uma piada e sua gargalhada é contagiante.</p>
<p>Uma linha de mais de 50 rótulos está sobre sua responsabilidade. Estes rótulos vão desde o Periquita, o vinho tinto mais antigo e também o mais vendido de Portugal; só em 2008, nós no Brasil bebemos 200 mil caixas desse néctar, até o Hexagon, o Bastardinho, o Lancer’s e uma rara e maravilhosa coleção de Moscatéis de Setúbal, única em todo o mundo, onde quase uma centena de safras repousam na antiga Adega dos Teares Velhos.</p>
<p>Domingos se movimenta com desenvoltura por toda esta gama de vinhos, e junto de sua equipe de 4 enólogos assistentes, a cada ano faz surgir uma novidade que logo se transforma em objeto de desejo de milhares de enófilos espalhados pelo mundo.</p>
<p>Domingos habita na antiga Quinta de Camarate onde nasceu e foi criado, localizada próxima à sede da José Maria da Fonseca, e lá faz manter outra tradição centenária da família, a elaboração do afamado Queijo de Azeitão, oriundo do leite de ovelhas.</p>
<p>Esta obra de arte é de acesso restrito, poucos mortais conseguem provar esta iguaria, que todos os anos, em 31 de maio, vem a rica mesa de banquete onde nossa Confraria do Periquita celebra a data de nascimento de José Maria da Fonseca.</p>
<p>Domingos Soares Franco representa, com toda a liberdade e desenvoltura, uma feliz combinação entre tradição e modernidade, entre passado e presente, sendo moderno, mas sem perder a fidalguia que lhe foi dada de berço.</p>
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		<title>Alexis Lichine</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 17:03:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Alexis Lichine]]></category>

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		<description><![CDATA[No dia 5 de julho de 1985 comprei na Livraria Francesa, da Rua Barão de Itapetininga, no Centro velho de São Paulo o livro &#8220;Encyclopédie des vins et des alcools de tous lês pays” de autoria de Alexis Lichine.
Durante todos este anos, mesmo com o aparecimento de obras mais modernas e ricamente ilustradas, este pequeno livro de 945 páginas, tem sido para mim um livro de cabeceira.
Alexis Lichine nasceu em Moscou, na Rússia czarista, em 1913. Em 1917, fugindo da Revolução Bolchevique, sua família foi para a França e em ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No dia 5 de julho de 1985 comprei na Livraria Francesa, da Rua Barão de Itapetininga, no Centro velho de São Paulo o livro &#8220;Encyclopédie des vins et des alcools de tous lês pays” de autoria de Alexis Lichine.</p>
<p>Durante todos este anos, mesmo com o aparecimento de obras mais modernas e ricamente ilustradas, este pequeno livro de 945 páginas, tem sido para mim um livro de cabeceira.</p>
<p>Alexis Lichine nasceu em Moscou, na Rússia czarista, em 1913. Em 1917, fugindo da Revolução Bolchevique, sua família foi para a França e em 1919 imigrou para os Estados Unidos da América.</p>
<p>Alexis estudou economia na Universidade da Pensylvania e durante a 2° Guerra Mundial serviu no Serviço de Inteligência do Exército Americano na Europa e no Norte da África, onde atingiu a patente de Major.</p>
<p>Em 1951 inicia seu trabalho com vinhos na Região de Bordeaux, na França. Em 1959, fez parte da comissão que revisou a Legislação Oficial da Classificação de Bordeaux, que data de 1855.</p>
<p>Publicou em 1962 “A Classificação dos Grans Crus Tintos de Bordeaux”, e  em 1972 publicou a primeira edição de sua famosa “ Encyclopédie des Vins e des Alcools”.</p>
<p>Dentro de sua frenética atividade em pról do vinho, participou em 1973 do New York Wine Tasting e em 1976 do Paris Wine Tasting. Em reconhecimento a sua obra, a prestigiada revista inglesa “Decanter Magazine” o elegeu em 1987 o “Homem do Ano” do mundo dos vinhos.</p>
<p>Alexis Lichine morreu em 1 de junho de 1989 em sua propriedade de Bordeaux, o Chateau Prieure-Lichine.</p>
<p>Esta sua <em>Encyclopédie</em>, pode ser encontrada em edições mais recentes, na forma original. Os ensinamentos fundamentais são validos até hoje, o que pode haver é a mudança de dono de Chateau ou a formação de uma nova vinícola, mas o essencial, lá está bem explicado, e com uma riqueza de detalhes impressionante, o que prova o quanto Alexis Lichine amava os vinhos e outras bebidas. </p>
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		<title>Ivo Pizzato</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Dec 2008 11:23:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Bento Gonçalves]]></category>
		<category><![CDATA[Enologia]]></category>
		<category><![CDATA[enólogo]]></category>
		<category><![CDATA[Vale dos Vinhedos]]></category>

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		<description><![CDATA[Dizem que uma pessoa só morre quando a gente esquece dela. O Ivo Pizzato, jovem talentoso, entusiasmado e apaixonado pela sua profissão de enólogo, nos deixou há passado 1 ano. Partiu jovem, com menos de 30 anos, mas deixou uma obra maravilhosa. Membro da família Pizzato, laboriosa e competente gente do vinho do Vale dos Vinhedos, de Bento Gonçalves, cujo patriarca Plínio resolveu um dia não mais entregar suas uvas aos grandes produtores locais. Partiu para a produção própria, e com muito orgulho tocou o nome da família em seus ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dizem que uma pessoa só morre quando a gente esquece dela. O Ivo Pizzato, jovem talentoso, entusiasmado e apaixonado pela sua profissão de enólogo, nos deixou há passado 1 ano. Partiu jovem, com menos de 30 anos, mas deixou uma obra maravilhosa. Membro da família Pizzato, laboriosa e competente gente do vinho do Vale dos Vinhedos, de Bento Gonçalves, cujo patriarca Plínio resolveu um dia não mais entregar suas uvas aos grandes produtores locais. Partiu para a produção própria, e com muito orgulho tocou o nome da família em seus rótulos.</p>
<p>Ivo formou-se em enologia na escola superior de Bento Gonçalves e foi trabalhar nos vinhos da Família. O seu primeiro Merlot (Pizzato Merlot 1999) virou um ícone e foi largamente premiado em todo o Brasil. Todos os críticos brasileiros foram unânimes, foi o melhor Merlot produzido até hoje no Brasil. </p>
<p>Quando Ivo podia acompanhar a visita às instalações e vinhedos da Pizzato transmitia um positivismo fantástico e vê-lo e ouvi-lo falar dos vinhedos e de seus vinhos era uma alegria só, parecia que estava cantando uma ária de ópera, tamanho entusiasmo.<br />
Hoje Ivo entrou para a história e continua sendo o grande orgulho de sua família. Cada garrafa de vinho Pizzato que tomo, ergo primeiro um brinde a esse jovem que viveu pouco fisicamente entre nós e passou a viver sempre na memória daqueles que amam o vinho e sua gente.</p>
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		<title>Antonio Agrellos</title>
		<link>http://www.carloscabral.com.br/antonio-agrellos/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Dec 2008 10:56:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Noval]]></category>
		<category><![CDATA[Philoxera]]></category>
		<category><![CDATA[Pinhão]]></category>
		<category><![CDATA[vinho do Porto]]></category>

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		<description><![CDATA[Conheça um pouco mais sobre o Diretor Técnico da Quinta do Noval, que trabalhou na Real Companhia Velha e na Casa Ferreirinha, e descubra alguns dos segredos do Nacional 2000, uma jóia do Douro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O cargo que este enólogo exerce em seu trabalho equivale aos seguintes cargos: Curador de Arte do Museu Louvre, Diretor de Criação da Ferrari, Chefe de Projetos da Nasa, Cardeal Carmelango na vacância do Papa, perfumista chefe da Maison Chanel etc, ou seja, só coisa boa, de alto nível, reservada para poucos e bons. Falo de Antonio Agrellos, o Diretor Técnico da Quinta do Noval, o pedaço de solo mais sagrado do Douro Vinhateiro. Quem o conhece, nem imagina que este senhor já foi um músico que tocava Rock com o não menos famoso enólogo João Nicolau de Almeida, da Casa Ramos Pinto. Foi também um estudante de arquitetura, antes da enologia lhe pegar por uma perna. Escolas boas não lhe faltaram, trabalhou na Real Companhia Velha, com Frederico Van Zeller e na Ferreirinha com criador de vinhos Fernando Nicolau de Almeida.<br />
Também adquiriu experiências em casa, sua família tem produzido vinho do Porto por quatro gerações. É de responsabilidade deste simpático senhor a elaboração dos vinhos do Porto Noval, dentre eles se destaca o Nacional, vinho único, originário dos poucos mais de 1.500 pés de uvas descendentes das únicas cepas não atingidas pela Philoxera Vastratix, a praga que dizimou a vitivinicultura no Douro a partir de 1863. Quem já teve o privilégio de degustar um Noval Nacional, sabe o que estou falando, sua produção máxima em 1994 chegou a 3.000 garrafas, mas por exemplo, o Nacional 2000, na minha opinião o melhor Porto que já provei em minha vida, não chegou a 1.000 garrafas.<br />
Antonio Agrellos é de poucas falas, prefere mostrar a sua obra, e curiosamente, toda a vez que vou ao Noval, Antonio me deixa com os vinhos e vai cuidar de outras coisas, não quer dar palpite ou influenciar, ou então ficar ouvindo uma ladainha de elogios, tão comuns naquelas plagas do Noval, onde qualidade é a tônica do dia-a-dia. Recentemente António começou a elaborar vinhos tintos maduros do Douro, que todos nós sabemos, terão a obrigação de em breve, transformarem-se em mais um ícone deste maravilhoso Douro. No Brasil os vinhos da Quinta do Noval são importados pela Gran Cru. Se seu dinheiro não der para um Nacional, vá de Vintage Noval, mas se mesmo assim for impossível, aterre em um Noval 40 anos, só cuide-se de se amarrar ao solo, porque senão você pode flutuar.<br />
Estando no Douro, pelos lados do Pinhão, de um pulo no Noval, e tente conhecer o António Agrellos e sua obra, você merece. Afinal, até onde sei, momentos únicos são raros, e este certamente lhe será inesquecível!</p>
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		<title>Mateus, um sonhador e seus vinhos</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 12:55:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Douro]]></category>
		<category><![CDATA[Foz Côa]]></category>
		<category><![CDATA[vinho tinto]]></category>

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		<description><![CDATA[Mateus Nicolau de Almeida. Com este sobrenome, portas, portões e catedrais do mundo do vinho se abrem. Nos últimos 50 anos, este sobrenome atingiu o grau máximo dentro da história do vinho de Portugal. Mateus é neto de Fernando Moreira Paes Nicolau de Almeida, o criador e pai do Barca Velha, o primeiro vinho tinto maduro de Portugal a atingir o estrelato máximo. O pai de Mateus é o João Nicolau de Almeida, enólogo mais premiado de Portugal, que aprendeu esta arte com seu pai e seu tio, o não ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mateus Nicolau de Almeida. Com este sobrenome, portas, portões e catedrais do mundo do vinho se abrem. Nos últimos 50 anos, este sobrenome atingiu o grau máximo dentro da história do vinho de Portugal. Mateus é neto de Fernando Moreira Paes Nicolau de Almeida, o criador e pai do Barca Velha, o primeiro vinho tinto maduro de Portugal a atingir o estrelato máximo. O pai de Mateus é o João Nicolau de Almeida, enólogo mais premiado de Portugal, que aprendeu esta arte com seu pai e seu tio, o não menos famoso José Antonio Ramos Pinto Rosas. Atualmente, João  é o presidente e enólogo responsável da centenária Casa Adriano Ramos Pinto. Na mais recente Prowein, feira de vinhos realizada na Alemanha, em março deste ano, encontrei no Pavilhão de Portugal, o João Nicolau de Almeida que me apresentou seu filho Mateus, enólogo como o avô e o pai, formado em Bordeaux.<br />
Despojado, muito natural e simpático, Mateus não se prendeu a grandes vinícolas, resolveu seguir caminho solo, e como gosta de desafios, foi para a (Vila Nova de) Foz Côa, no Douro Superior, quase fronteira com a Espanha, um lugar que para ser deserto, falta pouco. Lá, Mateus criou o vinho Muxagat, que no momento possui um branco e um tinto, e futuramente um rosé. Vinhos despojados, sem investimentos em marketing, mas vinhos autênticos, com tudo o que o Douro pode dar de melhor. Mateus é purista e autêntico. Está fora do circuito da badalação do vinho e não usa o seu sobrenome para se fazer presente, resumindo, é um romântico do vinho. Com sua forte personalidade, saberá se impor neste concorrido mundo dos vinhos, e como o bem sempre vence o mal, seu ideal de fazer vinhos honestos e autênticos vencerá.</p>
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		<title>José Zuccardi</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Nov 2008 12:43:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Mendoza]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem viaja a Mendoza, na Argentina, não pode deixar de visitar as bodegas da Família Zuccardi. O irrequieto e competente José Zuccardi, recebe a todos com um sorriso único, que é a sua maior marca. Gentil, culto e louco apaixonado por sua profissão de vinhateiro, este cinqüentenário senhor é entusiasmo puro.
Conheço José há 10 anos, e seu entusiasmo é sempre renovável. Aos poucos, à custa de muito trabalho, sendo 90% como empreendedor, José é hoje um exemplo a ser seguido.
Todo o mundo vinícola o respeita e dezenas de produtores patrícios ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem viaja a Mendoza, na Argentina, não pode deixar de visitar as bodegas da Família Zuccardi. O irrequieto e competente José Zuccardi, recebe a todos com um sorriso único, que é a sua maior marca. Gentil, culto e louco apaixonado por sua profissão de vinhateiro, este cinqüentenário senhor é entusiasmo puro.<br />
Conheço José há 10 anos, e seu entusiasmo é sempre renovável. Aos poucos, à custa de muito trabalho, sendo 90% como empreendedor, José é hoje um exemplo a ser seguido.<br />
Todo o mundo vinícola o respeita e dezenas de produtores patrícios seus seguem seus passos, pois sua fórmula é vencedora.  Sempre buscando saber o que o mercado quer beber, José vai a cada ano criando  novos vinhos e apostando em uma enorme coleção de castas nunca testadas na Argentina. A todo instante surge um vinho melhor que o outro, e seus investimentos em tecnologia são sempre renovados. Mesmo sabendo da crise econômica que a Argentina passa no momento, os Zuccardis passam ao largo disso tudo, correndo o mundo e vendendo seus produtos.<br />
Como visionário José logo percebeu que um grande número de turistas visitariam Mendoza à procura de vinhos e de suas coisas, daí a vinícola Zuccardi preparou uma recepção digna a este público. Fez construir no meio de um de seus vinhedos, um super-restaurante, com salas de recepção e loja de produtos temáticos, onde seus vinhos podem ser comprados. O visitante é levado por entre um vinhedo de Torrontés, até chegar ao restaurante e lá o turista pode desfrutar da boa comida, destacando-se as empanadas, onde a de cebola é um destaque à parte. Costumo brincar com José que ele é maior produtor de empanadas do que de vinho, tamanho sucesso que esta iguaria apresenta. Empanadas iguais as da Zuccardi, só as da Família Toso.<br />
De toda a visita, o ponto alto é ouvir o José falar de seu entusiasmo e de suas novas experiências. É cativante e levanta o astral de qualquer um. Não é ensaiado, é natural, José é assim mesmo, vive a cada minuto seus vinhos, como se fosse uma experiência nova. Hoje os vinhos Zuccardi representam a Argentina em todo o mundo. Estão presentes em mais de 60 países, mas o bom mesmo, é tomar um cálice de Santa Julia, por exemplo, na companhia do José, a gente é capaz até de ver a Santa!!!</p>
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		<title>Darcy Miolo</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Oct 2008 18:28:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Personalidades do vinho]]></category>
		<category><![CDATA[Enologia]]></category>
		<category><![CDATA[serra gaúcha]]></category>
		<category><![CDATA[Vale dos Vinhedos]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando Giuseppe Miolo chegou na serra gaúcha em 1897, não podia imaginar que seu nome, um século depois seria cantado em verso e prosa pelo Brasil inteiro, e agora por certas partes do mundo. Como todo italiano do Vêneto que se aventurou a vir fazer vinhos na serra Gaúcha, Giuseppe recebeu um lote de terra, no chamado hoje de Vale dos Vinhedos. O seu lote era o de número 43. Logo Giuseppe começou a produzir uvas e a entregá-las às poucas vinícolas que no início do século XX existiam na ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando Giuseppe Miolo chegou na serra gaúcha em 1897, não podia imaginar que seu nome, um século depois seria cantado em verso e prosa pelo Brasil inteiro, e agora por certas partes do mundo. Como todo italiano do Vêneto que se aventurou a vir fazer vinhos na serra Gaúcha, Giuseppe recebeu um lote de terra, no chamado hoje de Vale dos Vinhedos. O seu lote era o de número 43. Logo Giuseppe começou a produzir uvas e a entregá-las às poucas vinícolas que no início do século XX existiam na região.</p>
<p>Seus netos, muitos anos depois, resolveram em 1989 começar a produzir um vinho próprio, para vender a granel, e não mais vender suas uvas. Em 1994 começa então a surgir no mercado um vinho com a marca da família Miolo.</p>
<p>Foi em 1989 que conheci Darcy Miolo. Calmo, com aquela fala cantada, típica dos gaúchos da serra, Darcy me mostrou uma sala de dimensões pequenas, onde em 3 grandes balseiros  (barrica grande) de madeira  e uma mesa com apenas 2 cadeiras mobiliavam o ambiente. </p>
<p>Provei daquele vinho, não era mal, já era diferente de muitos outros que eu conhecia na serra gaúcha. Darcy falo-me de seus sonhos, que junto de seus irmãos Paulo e Antonio, pretendiam ter seu vinho próprio, e como se fosse uma criança na Disney, começou a mostrar-me, do lado de fora desse galpão, onde ficariam instaladas as enormes seções de sua futura vinícola.</p>
<p>Voltei no ano seguinte, e aí, degustando outros vinhos, fomos comer na Osteria Miolo, nome que recebeu a antiga adega no sub-solo da casa de Giuseppe Miolo. Lá sua mãe e sua esposa prepararam um jantar, bem típico do Vêneto, e a conversa estendeu-se por muitas horas. Darcy falava dos seus 5 filhos, estrategicamente distribuídos dentro deste sério negócio dos vinhos.</p>
<p>Adriano, estava se formando enólogo na Escola Dom Bosco de Enologia em Mendoza, iria cuidar da criação dos vinhos, para a parte comercial, escalou os outros 3 filhos, Fabio ficaria com São Paulo, Alexandre iria para o Nordeste, mas depois transferiu-se para o Rio de Janeiro, Marcos ficaria em Santa Catarina,  Cassio, o caçula, com 16 anos era o piloto do trator da propriedade e ainda não tinha se definido.</p>
<p>Em, 1994 encontrei o Darcy novamente falando em planos, só que desta vez o sonho já começava a se transformar em realidade, uma moderna cantina, com o que há de mais moderno no mundo da enologia estava sendo implantada. Falamos da idéia de construir um arco na entrada da vinícola, onde todos os turistas que visitassem a Miolo, certamente iriam querer tirar fotos.</p>
<p>Parecia uma obra inacabada, em cada ano, na minha visita, surgia uma ala nova da cantina, no sub-solo da mesma começavam a se alinhar as barricas de carvalho francês e americano, que eram montadas no Rio Grande do Sul, e em meio a esse progresso todo vem o Darcy e me diz:<br />
&#8220;compramos uma imensa propriedade de 400ha na fronteira do Brasil com o Uruguai, que irá se chamar Fortaleza do Seival, vamos fazer vinhos lá e exportar para o mundo!&#8221;, afirmou.</p>
<p>Fiquei de boca aberta, mal estava começando a andar a vinícola na Serra Gaúcha, e lá vinha o Darcy com outra Disneylandia! E não parou ali, falou do SPA Hotel, e das demais associações que estavam a caminho.</p>
<p>Gostou tanto da fronteira, que levou a esposa para morar lá na Fortaleza do Seival, começou a criar ovelhas, apaixonou-se pela coisa, ao ponto de ganhar muitos prêmios nacionais com o seus animais. Encantado com o neto caçula, filho do Cassio, levou o filho também para o Seival, fato que estimulou o filho a estudar Veterinária, e agora estão criando cavalos.</p>
<p>Darcy é um homem de luta, passou por sérios problemas de saúde, e nas vezes que o encontrei com dores, o entusiasmo não lhe saía da cabeça, somente faltava-lhe um pouco de sorrisos.</p>
<p>Dentro da vitivinicultura brasileira, tranqüilamente eu votaria em Darcy como o homem de visão do vinho nacional. No momento, faz 2 anos que não vejo ou falo com o Darcy, mas estou aqui louco para saber qual será a sua próxima idéia, e se terá ações no mercado, porque assim posso apostar minhas fichas com segurança!</p>
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