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	<title>Carlos Cabral &#187; Viagens, no Brasil e no mundo</title>
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		<title>Um novo nome para uma região antiga</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 18:21:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens, no Brasil e no mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Tejo]]></category>

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		<description><![CDATA[Como um divisor de terras, o Rio Tejo, que é o principal rio da Península Ibérica, nasce na Espanha no Cerro de San Filipe, em Fuente Garcia, a 1593 metros de altitude. Corta grande parte do território espanhol e deságua com todo o seu esplendor em frente a Lisboa antes de se juntar ao Atlântico.
Desde os povos lusitanos que habitavam o que hoje conhecemos como Portugal, o Rio Tejo e o seu caudal de águas são um divisor de terras, capaz de identificar em segundos a origem das coisas e ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como um divisor de terras, o Rio Tejo, que é o principal rio da Península Ibérica, nasce na Espanha no Cerro de San Filipe, em Fuente Garcia, a 1593 metros de altitude. Corta grande parte do território espanhol e deságua com todo o seu esplendor em frente a Lisboa antes de se juntar ao Atlântico.</p>
<p>Desde os povos lusitanos que habitavam o que hoje conhecemos como Portugal, o Rio Tejo e o seu caudal de águas são um divisor de terras, capaz de identificar em segundos a origem das coisas e das gentes de suas margens. Alentejo é toda a área que fica abaixo do rio, Ribatejo é o que fica acima.</p>
<p>Em tempos minimalistas e na era das informações mais compactas, explicar isto ao mundo é um pouco demorado. Assim sendo, a região produtora de vinhos localizada acima e em torno do rio trocou o nome de Ribatejo para simplesmente Tejo. Isso é compreensível, já que o famoso nesta história é de fato o rio.</p>
<p>Berço de bons vinhos desde a Idade Média, a região hoje chamada de Tejo é composta por três zonas vinícolas distintas, que agem com muita influência no resultado de seus vinhos.</p>
<p>A Zona do Bairro, que se localiza na margem direita do rio, tem solo argilo-calcários. A pequena área xistosa perto de Tomar e toda essa Zona é dominada pelo cultivo de oliveiras e videiras. </p>
<p>A Charneca, já na margem esquerda do rio, tem solo arenoso não muito fértil, o que gera um baixo rendimento na produção de uvas, mas que dá origem a vinhos brancos de grande qualidade.</p>
<p>A Lezíria, formada por extensas e belas planícies junto ao Tejo, está sempre sujeita a inundações do rio, fato que provoca uma grande fertilidade nessa zona, lembrando o lendário Nilo no Egito.</p>
<p>Pode-se afirmar que esta Região é um imenso laboratório enológico de Portugal porque, além das tradicionais castas portuguesas, as castas internacionais como Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Sauvignon Blanc, Viognier e Chardonnay encontram aqui uma boa morada.</p>
<p>Em recente visita à região, organizada pela Comissão Vitivinicola Regional do Tejo, pude conhecer diversos produtores que vêm a cada dia se empenhando ativamente em apresentar ao mercado vinhos de gosto internacional, mas que no fundo tenham um toque de modernidade portuguesa, apresentando suas uvas emblemáticas nos chamados vinhos “pronto a beber”.</p>
<p>Iniciei a visita com a Sociedade Agrícola João Barbosa. Instalação pequena, mas moderna, com arquitetura arrojada e uma deslumbrante paisagem de vinhedos aos seus pés!  O simpático proprietário deu para provar a linha de vinhos Ninfa, na qual se destacou um Syrah de ótima qualidade. O produtor informou que está cultivando Pinot Noir em uma área de muito calcário em Rio Maior. Vamos aguardar esta surpresa chegar ao mercado.</p>
<p>Seguiu-se uma visita à Quinta Casal da Coelheira, propriedade familiar que já está na terceira geração, e cujas instalações voltadas para um pátio interno dão a impressão de estarmos em casa. Está às margens do Tejo, com250 ha de vinhas são cultivadas. </p>
<p>Os grandes destaques de lá são os vinhos Mythos 2005 e o Quinta do Casal da Coelheira Reserva 2007, ambos tintos. O primeiro é um robusto corte em proporções idênticas de Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, com 14% de álcool, dando origem a um vinho rico e untuoso. O segundo vinho tem estágio de 8 meses em madeira e as mesmas uvas que o primeiro, só que é mais elegante e tem retrogosto persistente.</p>
<p>Na povoação de Outeiro, a 8 km de Tomar, encontramos a Vinícola Encosta do Sobral, uma Casa familiar que possui 70 ha de vinhedos próprios e produz os vinhos Encosta do Sobral, vinho regional tinto e branco e o Reserva, este ultimo um bem elaborado vinho oriundo das castas Trincadeira, Touriga Nacional e Touriga Franca. As notas mentoladas de seus aromas são o seu maior destaque. O vinho branco de Fernão Pires, Arinto e Malvasia é uma agradável companhia para as entradas.</p>
<p>Uma Casa já bastante conhecida veio em seguida, a Fiuza e Bright, uma bem sucedida parceria formada em 1985 entre a Família Fiuza e o renomado enólogo australiano que se encantou com Portugal, Peter Bright. De início, provei o Sauvignon Blanc que apresentou aromas de frutas tropicais bem sutis, ao contrário dos vinhos da mesma cepa cultivada na Nova Zelândia e no Chile, mas com uma acidez invejável, uma agradável surpresa.  </p>
<p>Depois foi provado o 3 Castas, vinho com Fernão Pires, Chardonnay e Arinto, casamento que não decepcionou mesmo com potencia de seu álcool de 14%. O Fiuza Merlot 2008, com estágio de seis meses em barrica, foi a grande surpresa, com os seus aromas de ameixa madura. Para encerrar o IKON 2007, 100% Touriga Nacional, um vinho DOC, com seleção manual dos bagos, fermentação longa e oito meses de barrica. Com uma produção de apenas 10 mil garrafas, este vinho com fortes aromas de especiarias é o ícone da Casa.</p>
<p>Na Quinta da Alorna, uma vastidão de terras cultivadas ao pé da cidade de Santarém, em um frondoso e romântico palacete de muitas histórias, o abraço do amigo antigo Nuno Cancela de Abreu nos aguardava. Esta Quinta é repleta de histórias desde sua origem, em 1723. Dom Pedro de Almeida, o 1° Marques de Alorna, adquiriu a propriedade e lhe deu o nome da mesma Praça Forte que ele conquistou na Índia. São 2.800 ha de exuberância total, onde 220 ha de vinhas cultivadas na Charneca formam o nascedouro de grandes e emblemáticos vinhos. </p>
<p>O Touriga Nacional e o Cabernet Sauvignon 2007 criados por Martta Simões e Nuno Cancela de Abreu produziram 40.000 garrafas dessa jóia. Após dois dias de maceração pelicular e fermentação, o vinho repousou por 12 meses em carvalho francês, e  foi colado com claras de ovos antes do engarrafamento. De cor púrpura e álcool de 14%, o vinho tem uma explosão de aromas marcantes de frutas maduras e especiarias (cravo). A surpresa foi o Quinta da Alorna Colheita Tardia 2007, elaborado com 100% de Fernão Pires. Vinho com 130 gr de açúcar, tem a virtude de não ser enjoativo e sua acidez é correta, um bom companheiro para os queijos azuis.</p>
<p>A Quinta do Casal Branco foi fundada em 1775 e está localizada em Almerim, em plena Lezíria onde, em 1.100 há, produz vinhos, outros produtos agrícolas e cria cavalos de puro sangue lusitano. Como as antigas caçadas reais com falcões eram comuns na propriedade, os vinhos emblemáticos da Casa recebem o nome de Falcoaria. O vinho Falcoaria Reserva Tinto DOC 2007, oriundo de seis cepas cultivadas na propriedade, de videiras com 80 anos de idade (Castelão, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Petit Verdot e Alicante Bouschet), tem fermentação em lagares tradicionais, além de um estágio de 12 meses em barricas francesas novas. O aroma de côco é marcante e na boca é um veludo! Já o vinho Casal Branco de Fernão Pires tem aromas de lima da Pérsia marcante.</p>
<p>Na quinta da Ribeirinha, outra Casa familiar localizada na Póvoa de Santarém, 40 ha de vinhas dão origem a diversos vinhos como o Espumante Vale de Lobos, produzido exclusivamente com a casta João Pires pelo método tradicional. Tem um perlarge fino e duradouro, e seu aroma tem um toque delicado de maçã. O vinho tinto Vale de Lobos 2007 já é um DOC, que nasceu das castas Castelão, Trincadeira Preta e Tinta Roriz têm uma excelente cor ruby brilhante, taninos bem presentes, mas agradáveis e aromas de frutas vermelhas.</p>
<p>Na pequena Vila Chã de Ourique, onde o tempo parece que fez morada, um imponente e ambicioso projeto eno-turístico foi montado, chama-se Vale D’Algares. Vou falar só dos vinhos, a hotelaria fica para outra vez.</p>
<p>Trata-se de um projeto voltado somente para vinhos super Premium, já se nota isso quando se visita a adega. O projeto arquitetônico ousado nos remete à Austrália, Mendoza, Napa etc. Pirâmides de vidro convivem com barricas e garrafas. A cada corredor encontramos uma surpresa, até chegarmos à sala de Provas que, creio eu, deve ter sido inspirada no filme “2001, Uma Odisséia no Espaço”, tamanha beleza e leveza de detalhes modernos. Tudo o que se vê é de tirar o fôlego, até os vinhos!<br />
Provei o Vale D’Algares Branco, 100% Viognier. Um vinho estupendo, uma obra de arte! Há também um colheita tardia e uma linha de vinhos superiores branco, tinto e rose chamada Guarda Rios.</p>
<p>Por último, uma visita à Quinta Vale de Fornos, onde a história se faz presente a todo momento. A propriedade, uma imponente casa senhorial, com capela privada e Brasão D’Armas, de cor vermelha atijolado, foi mandada por Dona Antónia Adelaide Ferreira, a “ferreirinha” rainha do Douro, para abrigar sua filha pelo casamento desta com o 3° Conde de Azambuja. Hoje, a Casa vinícola lá instalada é dirigida pela simpática Senhora Graciete Monteiro. Com 70 ha de vinhedos implantados em solos férteis argilo calcáricos, a casta João Pires fez lá a sua morada e dela bons caldos nascem todos os anos. Já os vinhos tintos das cepas Castelão e Trincadeira de Portugal e as internacionais Cabernet Sauvignon e Syrah, harmonizam-se muito bem quando se fala de vinho tinto.</p>
<p>Os vinhos desta Região prometem marcar forte presença no Brasil, doravante são uma excelente opção de novos vinhos a serem provados.</p>
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		<title>Braga tem mais do que história</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 20:05:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens, no Brasil e no mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Braga]]></category>
		<category><![CDATA[Pudim do abade de priscos]]></category>
		<category><![CDATA[Vinho do Porto 10 anos]]></category>

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		<description><![CDATA[ A romana cidade de Braga, localizada no norte de Portugal, é recheada de atributos históricos, sendo talvez a cidade que mais tenha histórias para contar em terras Lusitanas. 
“Sua Sé”, “Catedral” e “A mais antiga das Espanhas” – assim era chamada a Península Ibérica em tempos remotos. Em Braga, estão sepultados os pais do primeiro rei dos portugueses, Dom Afonso Henriques, além de todos os arcebispos que dirigiram esta primeira Diocese. Um passeio por suas seculares ruas, recheadas de igrejas ricas em decoração e estilos arquitetônicos, é um deleite ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> A romana cidade de Braga, localizada no norte de Portugal, é recheada de atributos históricos, sendo talvez a cidade que mais tenha histórias para contar em terras Lusitanas. </p>
<p>“Sua Sé”, “Catedral” e “A mais antiga das Espanhas” – assim era chamada a Península Ibérica em tempos remotos. Em Braga, estão sepultados os pais do primeiro rei dos portugueses, Dom Afonso Henriques, além de todos os arcebispos que dirigiram esta primeira Diocese. Um passeio por suas seculares ruas, recheadas de igrejas ricas em decoração e estilos arquitetônicos, é um deleite para os amantes das artes. </p>
<p>Muito próximo a Sé, existe um restaurante chamado Taberna do Migaitas. Come-se lá muito bem, mas a melhor surpresa é reservada para o final. Trata-se do famoso, supimpa, maravilhoso e espetacular PUDIM DO ABADE DE PRISCOS, que merece uma peregrinação até Braga. Entre na Sé e já antecipadamente peça perdão pelo pecado da gula, depois caminhe alguns metros pela rua D. Gonçalo Pereira até o numero 39 e se entregue ao pudim. </p>
<p>A receita servida é perfeita. Desde o fechamento do Restaurante Dom Manuel na Foz na cidade do Porto, há alguns anos, eu não comia em solo lusitano essa iguaria tão bem preparada. No Brasil só a Rosely, esposa do Manuel Chicão, da Adega Alentejana, consegue tal façanha.</p>
<p>Com a calma que o momento solene pede, vá degustando o pudim acompanhado de um cálice de vinho do Porto 10 anos. Mas não se assuste se você começar a levitar, é normal! </p>
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		<title>Agradáveis surpresas no Alentejo</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 21:37:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens, no Brasil e no mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Alentejo]]></category>

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		<description><![CDATA[Liderando um grupo de amigos enófilos apaixonados por vinhos e comidas, estive recentemente por 8 dias em Terras Alentejanas, revendo amigos, provando novos vinhos, e saboreando a fantástica gastronomia castiça daquelas bandas de Portugal, enfim, fazendo um bom e fantástico “regime de engorda”.
Começamos visitando o iniciador de tudo, a Herdade do Esporão em Reguengos de Monsaraz, onde um espetacular vinhedo de 600 ha  cria um “mar de vinhas”, desenhando no horizonte dos suaves campos uma paisagem para Van Gogh pintar. O jovem enólogo Luis nos acompanhou na visita, e ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Liderando um grupo de amigos enófilos apaixonados por vinhos e comidas, estive recentemente por 8 dias em Terras Alentejanas, revendo amigos, provando novos vinhos, e saboreando a fantástica gastronomia castiça daquelas bandas de Portugal, enfim, fazendo um bom e fantástico “regime de engorda”.</p>
<p>Começamos visitando o iniciador de tudo, a Herdade do Esporão em Reguengos de Monsaraz, onde um espetacular vinhedo de 600 ha  cria um “mar de vinhas”, desenhando no horizonte dos suaves campos uma paisagem para Van Gogh pintar. O jovem enólogo Luis nos acompanhou na visita, e na hora do almoço fomos estivemos com o enólogo chefe do Esporão, o australiano já aclimatado ao Alentejo, David Baverstock.</p>
<p>Um almoço suculento nos aguardava. Iniciamos com uma degustação de 4 azeites produzidos na propriedade, todos com sabores únicos e muito delicados, seguiu-se uma Salada de Perdiz de Escabeche, acompanhada pelo Vinho da Defesa Rosé 2008, um vinho com aromas marcantes e sabor delicado. O famoso prato da casa, considerado o “Ex Libres” do restaurante Galeria do Esporão, o Bacalhau à Esporão foi então servido com o suculento vinho Esporão Reserva Branco 2008, o que levou a todos a sentenciarem que  “aquele vinho nasceu para acompanhar aquele bacalhau!”. Como prato principal uma Charlotte de Aves que foi acompanhado pelo Esporão Private Selection Tinto 2005, na sobremesa, sorvetes diversos.</p>
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class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/02_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_02_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 03_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Mesa de almoço na Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/03_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/03_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_03_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 04_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Prova de azeites na Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/04_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/04_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_04_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 05_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Visita a Herdade do Mouchão</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/05_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/05_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_05_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 06_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Vinhedo cultivado com a casta Alicante Bouschet, na Herdade do Mouchão</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/06_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/06_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_06_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 07_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Pisa em lagar, na Herdade do Mouchão</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/07_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/07_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_07_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 08_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Paulo Laureano, na Herdade do Mouchão</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/08_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/08_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_08_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 09_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Vinhos degustados na Herdade do Mouchão, entre eles Ponte das Canas 2006</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/09_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/09_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_09_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 10_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Barris onde repousam os vinhos Mouchão 3-4</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/10_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/10_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_10_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 11_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Soberania da Alicante Bouchet no Alentejo, confirmada pelos vinhos Mouchão 3-4 </p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/11_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/11_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_11_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 12_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Prova do Mouchão Licoroso, muito semelhante a um Porto</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/12_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/12_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_12_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 13_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Vinho licoroso do Mouchão produzido em 1929</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/13_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/13_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_13_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 14_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Taberna Típica Quarta-Feira, em Évora</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/14_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/14_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_14_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 15_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Visita à Fundação Eugênio de Almeida, a mais moderna vinícola da Europa</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/15_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/15_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_15_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 16_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Mesa de jantar no restaurante O Fialho, em Évora</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/16_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/16_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_16_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 17_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Joaquim Madeira, da vinícola Casa de Sabicos</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/17_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/17_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_17_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 18_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Mesa de degustação na Vinícola Casa de Sabicos</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/18_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/18_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_18_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 19_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Degustação na vinícola Casa de Sabicos, iniciada com o Graça Santana Ramalho Rosé</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/19_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/19_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_19_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 20_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Visita à Herdade dos Grous, com o enólogo Luis Duarte</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/20_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/20_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_20_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 21_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Almoço com Luis Duarte para degustação de seus vinhos</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/21_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/21_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_21_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 22_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Vinhos degustados, entre eles o Herdade dos Grous 2008, um branco de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/22_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/22_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_22_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 23_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Visita ao produtor alentejano João Portugal Ramos, em Estremoz</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/23_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/23_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_23_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 24_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Mesa de almoço com o produtor alentejano João Portugal Ramos, em Estremoz</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/24_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/24_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_24_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 25_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Um dos degustados, o vinho Marquês de Borba 2008</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/25_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/25_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_25_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 26_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> </p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/26_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/26_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_26_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> 27_alentejo.jpg</h3>  <p style="color: #FFF000;"> </p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/27_alentejo.jpg" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/27_alentejo.jpg" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/alentejo/thumbs/thumbs_27_alentejo.jpg" class="thumbnail" /></div> </div></div><br />
Como sempre pudemos observar a seriedade com a qual o Esporão elabora seus vinhos. O entusiasmo daquela gente é contagiante e seus vinhos a cada dia apresentam um item a mais de qualidade.</p>
<p>No dia seguinte realizamos um programa que como dizem os franceses, foi um “ tour de force”, Mouchão pela manhã, almoço em Évora na Taberna Típica Quarta-Feira, Fundação Eugênio de Almeida e jantar no O Fialho!</p>
<p>Passemos a descrição desse dia inesquecível:<br />
Na Herdade do Mouchão nos aguardava o simpático enólogo Paulo Laureano, com seu sorriso imbatível, que logo nos foi mostrar a jóia da casa, o vinhedo cultivado com a casta Alicante Bouschet, enquanto uma equipe de homens desembarcava e colocava em seu respectivo lugar uma imensa pipa de carvalho francês novinha com capacidade de 5.000 litros, que custou 16.000,00 euros!</p>
<p>Depois fomos visitar as modestas, mas perfeitas instalações da vinícola, construídas  em 1901, e lá encontramos diversos lagares repletos de mostos de uvas recém colhidas, nos quais 4 homens pisavam com todo cuidado, fazendo baixar a manta que ficava em cima. Logo passamos para a sala de provas, onde o magnífico pão alentejano, acompanhando alguns embutidos de porco preto nos aguardava, para acompanhar os vinhos, já desarrolhados, que Paulo Laureano nos reservou.</p>
<p>Começamos com Dom Rafael 2007, depois Ponte das Canas 2006, vinhos jovens e bem estruturados. Passamos ao Mouchão  2005, uma jóia que abriu caminho para um “porta jóias” o Mouchão 1984, um vinho que embora tenha 25 anos, parece que foi elaborado ontem tamanha a complexidade de aromas vegetais e de eucalipto que este vinho apresentou na prova. A julgar pelo que bebemos, aí está um vinho que resistirá bem mais 25 anos!</p>
<p>No “Gran finale” dos vinhos tintos degustamos o Mouchão 3-4 da safra 2005, este sim um de futuro promissor e grande longevidade. Sobre estes vinhos Mouchão 3-4 , já escrevi, e torno a afirmar serem o 2° melhor vinho de Portugal que já provei até hoje, só ficando atrás de um Barca Velha 1966.<br />
Aqui firma-se a prova irrefutável da soberania da Alicante Bouschet no Alentejo, que para mim já deixou há muito tempo de ser uma casta francesa, hoje é uma casta típica alentejana.</p>
<p>Imaginando que tudo tinha acabado, vem o Paulo Laureano com um Mouchão Licoroso, de aromas delicados e um álcool imperceptível. Como amante do Vinho do Porto, encontrei muita semelhança entre esse vinho e o Porto, falei de minha admiração o que levou o Paulo Laureano a pedir que eu aguardasse um pouco. Retirou-se e voltou com outro cálice de um outro vinho licoroso do Mouchão, que para a minha surpresa tratava-se de um licoroso produzido no Mouchão em 1929! Surpresa  geral, um licor, uma “pomada” como se diz em Portugal para um vinho que desce sedoso.</p>
<p>Durante nossa visita o proprietário do Mouchão, o  Sr. Lain Richardson, como sempre muito simpático, apareceu para nos dar um abraço e falar mais uma vez de seu otimismo com os vinhos que produz.</p>
<p>Conforme o combinado, retornamos a Évora para almoçarmos a convite do Paulo Laureano na Taberna Típica Quarta-Feira e provarmos os seus vinhos, da Paulo Laureano Vinus. Com a coleção de acepipes que o simpático Zé Dias colocou a mesa, iniciamos a degustação com um Branco Paulo Laureano Antão Vaz, muito aromático, de cor amarelo cítrico e refrescante. Logo veio a mesa uma deliciosa sopa de cação, e este Antão Vaz portou-se muito bem com este prato.</p>
<p>Seguiu-se um Paulo Laureano Reserva Tinto 2005, um bem elaborado vinho a partir das castas Aragones, Trincadeira e Alicante Bouschet, sendo que esta última casta dá ao vinho os tradicionais aromas vegetais pujantes. Então um porco alentejano assado veio à mesa, e logo no meio desta suculenta refeição, uma novidade nos foi servida, um espetacular vinho chamado Tinta Grossa 2006, que segundo o Paulo Laureano deve ser um clone da Trincadeira, o vinho tem 14,5% de álcool e fermentou lentamente com cascas e engaços e depois estagiou por 12 meses em carvalho francês Seguin Moreau novo. Uma verdadeira obra de arte, um vinho diferente, robusto, com raça, vinho para muitos anos de guarda, e que ainda não chegou ao Brasil.</p>
<p>Após este almoço frugal, fomos visitar a Fundação Eugênio de Almeida, tradicional Casa Vinícola Alentejana que já conquistou o mundo com seus vinhos muitos diplomas e respeito internacional, desde o nascimento de seus primeiros vinhos, todos vindos ao mundo pelas mãos do grande mestre alentejano Prof. Colaço do Rosário e o seu escudeiro e confrade, o Engenheiro Pimenta.</p>
<p>Hoje a Fundação Eugênio de Almeida tem a mais moderna vinícola da Europa, suas instalações, totalmente automatizadas são uma verdadeira Disneylândia para qualquer enólogo do mundo. Um jovem  engenheiro agrônomo e enólogo chamado Duarte nos guiou por esta visita e deixou a surpresa maior para a noite, quando fomos jantar no O Fialho, em Évora, onde alguns rótulos da Fundação nos foram ofertados para degustação.<br />
O Fialho já  deixou há muito tempo de ser um Restaurante, hoje é uma Instituição Nacional, digna de respeito no mundo todo, e o título de “O Melhor Restaurante de Portugal” não é nenhum exagero, é uma constatação.<br />
Logo a entrada do restaurante, Gabriel Fialho nos recebe com o seu já emblemático e tradicional sorriso, aquele que nos ajuda a abrir o apetite imediatamente. De início uma farta mesa com os tradicionais enchidos e comidinhas alentejanas nos foi servido, destacando-se o Perdiz em Escabeche, os fantásticos cogumelos, as ovas de peixe, o bolinho de bacalhau, o polvo, o presunto fatiado de porco preto alentejano entre outros, tudo isso só de entrada, que para nós já se tratava de uma refeição completa.</p>
<p>Acompanhando tudo isso nos foi servido um Vinho Branco Foral de Évora e em seguida um Pera Manca Branco 2007, magnífico.</p>
<p>Com as carnes, borrego e porco alentejano, que não foram poucas, veio à mesa, servidos com muita calma, um Cartuxa Reserva 2006 e o Grande Pera Manca tinto 2007.</p>
<p>No dia seguinte, uma ida a Aldeia de Montoito, para visitar o simpático e agradável casal Joaquim Madeira e Graça, proprietários da Vinícola Casa de Sabicos. Uma pequena, mas bem montada adega consegue elaborar vinhos de alta qualidade, com todas as características castiças dos vinhos alentejanos. Joaquim Madeira é um mestre e apaixonado em sua arte de fazer bons vinhos, uma homenagem à bisavó dele e de sua mulher Graça, deu origem ao nome da vinícola, pois como são primos, ambos têm muitas histórias a contar da “Vó Sabica”, mulher empreendedora que sempre esteve à frente da família nos negócios agrícolas.</p>
<p>Uma rica mesa de almoço nos aguardava, onde pudemos degustar uma Sopa de Tomates à moda do Alentejo, um Arroz de Pato, inesquecíve!, Favinhas com entre coto de Porco, e Pernil de Porco Preto com redução em vinho da Casa.</p>
<p>Os vinhos bem acompanharam esta maravilha de almoço. Começamos com um Graça Santana Ramalho Rosé, vinho bem estruturado e com corpo marcante, lembrou os roses da Côte Du Rhône. Seguimos com um branco de raça, um Joaquim Madeira Antão Vaz com Arinto e 5% de Chardonnay, um vinho de cor inebriante  e aromas florais magníficos. Passamos ao Montoito 2007, um tinto leve que homenageia a localidade onde é produzido, aí seguimos para os Tops Wines da Casa, o Casa de Sabicos DOC 2005, um grande vinho elaborado a partir de um harmonioso corte de Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, que mais uma vez fez preservar os aromas vegetais deste vinho. E ao Gran Finale, o Avó Sabica 2004, um tinto para muitos anos, pois sua estrutura de taninos e corpo redondo revelam ser um vinho de longevidade, como foi a vida da Vó Sabica.</p>
<p>No dia seguinte seguimos viagem a Herdade dos Grous, um grande projeto de origem alemã, mas que tem na sua condução o talentoso e irrequieto enólogo Luis Duarte. As instalações da vinícola são uma obra de arte no meio de uma imensidão de campo, que abriga um ambicioso projeto de Enoturismo rural, que é um sucesso. Por dispor de uma imensa propriedade onde não só o vinho é a estrela, os campos em torno da Herdade dos Grous receberam uma grande quantidade de cepas de diversas origens, além das tradicionais alentejanas.</p>
<p>Foi ao almoço, por sinal, 5 estrelas, que o Luis Duarte deu-nos a provar as suas obras de arte. Um creme de tomate com tosta de pão alentejano e ovos escalfados abriu a comilança, este prato foi acompanhado pelo vinho  Herdade dos Grous 2008, um branco de Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, o vinho tem uma cor amarelo intenso que faz lembrar idade avançada, mas não é, trata-se de um vinho jovem e muito fresco.</p>
<p>Logo em seguida provamos um bacalhau com espinafres salteados com purê de grãos e alho assado, tudo na medida certa e nenhum sabor se sobrepondo ao outro, o que é difícil quando se tem a presença do alho. Aqui um Herdade dos Grous tinto 2007, vinho de base da Casa foi  suficiente para acompanhar esta iguaria. O vinho apresenta-se já com os taninos macios e arredondados e um bom final de boca. Este vinho tem uma particularidade, têm em sua composição duas cepas não muito comuns no Alentejo, mesclando-se com a Aragonês e a Alicante Bouschet, Luis introduziu a Syrah e a Touriga Nacional, esta última a emblemática cepa portuguesa de maior prestígio. O casamento deu certo.</p>
<p>Passamos para Burras confitadas (pão alentejano no fundo do prato) com batatas e courgette (abobrinha) grelhados e cogumelos salteados, este prato era rico em aromas vegetais marcantes, e foi acompanhado por uma jóia, um Herdade dos Grous Tinto Reserva 2007, oriundo das castas Tinta Miúda, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, um vinho rico em cor e muito brilhante, fatos que já agradam aos olhos, aromas de frutas vermelhas maduras marcantes e uma longa persistência na boca.</p>
<p>Para acompanhar os Doces Conventuais Portugueses, e que não são poucos, Luis Duarte apresentou uma surpresa de tirar o fôlego. Serviu à todos o Herdade dos Grous Late Harvest 2008!</p>
<p>Como se obter um Late Harvest em pleno Alentejo, onde as temperaturas são escaldantes? E este vinho foi obtido não por concentração de açúcar mas sim pela obtenção de Botrytis Cinerea, a chamada “podridão nobre” que só ocorre em regiões frias.</p>
<p>Luis explicou que tem cultivado 1,5 ha de Petit Manseng, uma cepa típica do Juransson ( França), ele inoculou a Botrytis Cinerea nas uvas, e duas vezes por dia regava os vinhedos com água gelada para provocar uma umidade, nada comum no Alentejo. E ali estava o resultado, um vinho amarelo ouro, com aromas de damascos e mel, uma untuosidade espetacular e um retrogosto na boca muito, mas muito longo. Um milagre da natureza e uma ousadia do enólogo, que colocou a tecnologia a seu favor. A produção desta safra foi pequena, somente 1.500 garrafas, mas só pelo que provamos, já podemos profetizar, vem aí um vinho que vai dar muito que falar.</p>
<p>Nosso último compromisso com os vinhos foi visitar o carismático produtor alentejano João Portugal Ramos, em Estremoz.</p>
<p>Este engenheiro e enólogo que durante muito tempo dava consultoria na área de vinhos aventurou-se em um projeto próprio, a partir do final da década de 90, que hoje é uma referência positiva no mundo dos vinhos de Portugal. Presente a esta visita esteve o enólogo José Maria Soares Franco, que toca os projetos do Douro desta dupla de sucesso.</p>
<p>Após uma rápida visita a adega e bela sala de barricas, fomos às provas antes de um almoço, em família, onde alguns parentes de João Portugal Ramos e funcionários da Casa se juntaram à nós.</p>
<p>Iniciamos com dois vinhos básicos da linha os Loios Branco e Tinto, ambos corretos para vinhos a serem consumidos no dia a dia. Um espumante, o Conde de Vimioso caiu bem aquela hora, pois é leve e muito refrescante, e possui um intenso borbulhar. O já consagrado Marques de Borba Branco 2008 veio logo em seguida. Esta é a marca ícone da casa, possui uma cor amarelo dourada intensa, é leve e elegante. O almoço teve um destaque à parte, um excelente bacalhau ao forno com creme de brócolis, algo diferente, pois os dois gratinados ao forno são imperdíveis. Acompanhou esta iguaria o vinho Marques de Borba 2008, com o seu tradicional corte de Trincadeira, Aragonês e Castelão, que conferem ao vinho uma suavidade no paladar bastante agradável.</p>
<p>Provamos logo em seguida o Duorum 2007, produzido no Douro Superior, quase na fronteira com a Espanha. Neste vinho José Maria Soares Franco elaborou um requintado corte de Tinta Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz. Este vinho estagiou 6 meses em barricas de carvalho novo, tem 13,5% de álcool, e seus taninos são delicados e doces, já provando estar pronto para o consumo . Um outro vinho do mesmo nome, o Duorum 2007 Vinhas Velhas, elaborado com um corte de 90% de Touriga Nacional e Touriga Franca, mais 5% de Tinta Roriz e 5% de Souzão, esta última como sempre contribuindo com muita cor, ficou 3 dias em lagar com temperatura controlada a 10 ºC, para que as películas das uvas dessem o máximo de cor possível ao vinho. O Duorum Vinhas Velhas estagiou por 18 meses entre barricas novas e usadas.</p>
<p>Por fim, com uma jóia da casa, com um grande bolo de chocolate, degustamos o Vinho do Porto Duorum Vintage 2007. Aqui cabe sempre um comentário a mais. A safra 2007 de Vinho do Porto já está sendo considerada  a melhor desta década, alguns a equiparam ao excelente ano de 1994, tanto que sua qualidade foi marcantemente superior, que 70 casas comerciais declararam Vintage nestes anos de 2007. Nos aromas este Porto nos remete a um grande caldo de frutas vermelhas batidas. É pujante a concentração de amoras e framboesas. Seu álcool é bem casado e de ótima qualidade, o vinho está robusto e marcante, como um vintage novo deve ser, e com o bolo de chocolate fez um feliz casamento.<br />
De regresso a Évora, encerramos nossa visita ao Alentejo jantando no Dom Joaquim, que como sempre, surpreendeu a nós todos  com suas iguarias, uma grande mesa de acepipes e uma ementa primorosa.<br />
Para além desta viagem eno-gastronômicas, o turismo não foi deixado de lado, visitamos as tranquilas Vilas do Alentejo, onde voltamos no tempo graças a paz que reina por aquelas ruas e ladeiras de casas brancas com suas molduras ora azuis, ora amarelas , destacaram-se: Estremoz, Vila Viçosa,Redondo, Reguengos de Monsaraz, Monsaraz, Portal, Beja, Serpa e Évora Monte.<br />
Sem a ajuda sempre prestimosa de Manuel Chicau, proprietário da Importadora Adega Alentejana (São Paulo) um alentejano da Aldeia de Montoito que tem orgulho de suas origens, ficaria difícil percorrer lugares tão bonitos e rever amigos tão queridos, além de provar o que há de melhor em termos de vinho e comidas, daquele pedaço do paraíso na Terra!</p>
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		<title>Recente degustação no Chile</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 01:59:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens, no Brasil e no mundo]]></category>
		<category><![CDATA[vinhos chilenos]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de chegar de uma viagem profissional ao Chile. Lá, pude degustar as mais recentes safras de 22 grandes casas produtoras de vinhos. Foram quase 200 vinhos diferentes em 3 dias, uma verdadeira maratona para o paladar e para o fígado, que ainda se mostraram bem, graças a qualidade dos produtos degustados.
Digo e repito sempre que : “SÓ UM ENÓLOGO BURRO FAZ VINHOS MAUS NO CHILE”, e volto a reafirmar tal. A qualidade da fruta, ou seja, a uva, produzida no Chile, ninguém no mundo vinícola consegue obter. A Europa ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de chegar de uma viagem profissional ao Chile. Lá, pude degustar as mais recentes safras de 22 grandes casas produtoras de vinhos. Foram quase 200 vinhos diferentes em 3 dias, uma verdadeira maratona para o paladar e para o fígado, que ainda se mostraram bem, graças a qualidade dos produtos degustados.</p>
<p>Digo e repito sempre que : “SÓ UM ENÓLOGO BURRO FAZ VINHOS MAUS NO CHILE”, e volto a reafirmar tal. A qualidade da fruta, ou seja, a uva, produzida no Chile, ninguém no mundo vinícola consegue obter. A Europa já se acostumou em um ciclo de 10 anos a ter: 2 safras horríveis, 4 safras médias e 4 boas, e dentre estas boas uma ou duas excelentes. Já no Chile o ciclo é de: 2 safras médias, e 8 boas, sendo sempre 5 excelentes.</p>
<p>Graças ao clima e solo, o Chile tem a melhor fruticultura do mundo, e para ajudar ainda mais, seus vales, e são muitos vales, criam “terroirs” especiais, inigualáveis, mesmo do próprio território. É nítido como a natureza responde. Há lugares ideais para plantação de Chardonnay e outros para Carmenère. A Pinot Noir encontra em certos cantos de vales um clima e uma situação quase parecida com a encontrada na Borgonha.</p>
<p>Pode parecer um privilégio para quem não conhece, porque tanta benesse para um só lugar. O que poucos sabem é que o Chile é um imenso deserto. Se não existisse a Cordilheira dos Andes o Chile não seria habitado. O degelo da cordilheira é que irriga as secas terras chilenas dando origem ao milagre.</p>
<p>Muito calor e água na hora certa dão às uvas chilenas a perfeição desejada por qualquer enólogo deste mundo. O que ocorre com a uva Sauvignon Blanc é outro milagre. No Chile esta uva está se revelando cada vez mais. O pessoal da Nova Zelândia já está preocupado, porque os vinhos desta cepa são mais aromáticos, harmônicos e com uma acidez perfeita, fato que torna este vinho um produto  a ser degustado a qualquer hora e o parceiro ideal do acompanhamento dos frutos do mar, aliás, outra dádiva do Pacífico em toda a costa chilena.</p>
<p>Vale a pena ir até Chile e provar seus vinhos, só o que estraga é o aborrecimento da volta, pois você não pode trazer mais que 20 quilos de bagagem e a LAN Chile revela-se no momento como a mais chata e inoportuna empresa aérea do mundo, pois mesmo que você vá até lá para comprar muitas caixas de vinhos para trazer ao Brasil, isso não diz respeito aos sisudos e intolerantes funcionários da LAN Chile. </p>
<p>Portanto, vá, deguste todos os vinhos que puder, como todas as centollas, machas a La parmezana, locos, e empanadas que quiser, e traga o excesso de peso em seu corpo, por que na bagagem, nem pensar!</p>
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		<title>Viagem ao Vale São Francisco</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Dec 2008 17:33:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagens, no Brasil e no mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Vale do São Francisco]]></category>

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		<description><![CDATA[Passados 18 anos, retornei ao Vale do rio São Francisco para ver e sentir o que está sendo feito por aquelas bandas deste vasto Brasil. Foi em 1990 que fui conhecer a Fazenda Gabriela, um grande projeto da Família Pérsico Pizamiglio, para o cultivo de uvas viníferas e não viníferas, em Santa Maria da Boa Vista, Pernambuco. Desse projeto surgiu o vinho Boticelli, uma homenagem de Franco Pérsico a um conterrâneo ilustre. 
Naquela altura, com muita emoção vi a irrigação sendo realizada com as águas do Rio São Francisco, o ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Passados 18 anos, retornei ao Vale do rio São Francisco para ver e sentir o que está sendo feito por aquelas bandas deste vasto Brasil. Foi em 1990 que fui conhecer a Fazenda Gabriela, um grande projeto da Família Pérsico Pizamiglio, para o cultivo de uvas viníferas e não viníferas, em Santa Maria da Boa Vista, Pernambuco. Desse projeto surgiu o vinho Boticelli, uma homenagem de Franco Pérsico a um conterrâneo ilustre. </p>
<p>Naquela altura, com muita emoção vi a irrigação sendo realizada com as águas do Rio São Francisco, o nosso velho querido Chico. Tudo era verde de um lado e seco e triste de outro, mas com a vontade e tenacidade, e porque não dizer, uma alta dose de teimosia, todo o cenário poderia ser mudado, e foi.</p>
<p>No último dia 6 de dezembro, juntamente com uma parte da Equipe de Atendentes de Vinhos do Grupo Pão de Açúcar, fui visitar dois novos projetos que não conhecia, a VINIBRASIL  e a FAZENDA OURO VERDE. O primeiro trata-se de um mega projeto de um grande grupo produtor de vinhos de Portugal, a DÃOSUL, que possui na região 2.000 ha de terra para este projeto. Hoje tem 200 ha cultivados e está preparando o cultivo de mais 200 ha para breve.  Ao custo de R$ 50.000,00 o hectare cultivado, o projeto já é auto-suficiente no que diz respeito à seleção de videiras, pois conta com um gigantesco viveiro de mudas, todas selecionadas por clones específicos, além de ter um grande campo de provas, onde diversos clones de um mesmo varietal são testados com 7 tipos diferentes de porta enxertos. </p>
<p>É deste campo experimental que as decisões de cultivo de novos hectares são tomadas, assim o risco de erro chega próximo ao zero. Com este espetacular campo de provas, pode-se fazer os mais variados testes, como está ocorrendo no momento. Até a uva típica da Hungria, que dá origem ao lendário Tokay, está sendo cultivada experimentalmente. Uma grande coleção das mais famosas castas portuguesas, além das clássicas e tradicionais castas francesas, até a magnífica Moscatel de diversas origens está lá dando o ar de suas graças!</p>
<p>Impressionante são as qualidades tintureiras das castas Syrah e Alicante Bouschet, que nascem neste local, são retintas, cor anteriormente só vista nas tradicionais castas tintas da região dos Vinhos Verdes. Quase que como uma obra de um mago, percorrendo 4 ha de vinhedos contíguos encontramos a videira nos estágios de Primavera, Verão, Outono e Inverno, tudo ao mesmo tempo. Só neste canto do planeta isto é possível. Controlando-se rigorosamente a irrigação, pode-se deixar a videira em repouso ou despertá-la para a produção. O solo é fértil e a floração é abundante, tanto que se fazem necessárias  algumas podas verdes durante a floração. As temperaturas que facilmente chegam próximas dos 40 °C durante o dia e 20 ºC à noite garantem a amplitude térmica, evento tão importante para a nutrição das folhas e que ocorre naturalmente, e favorecem uma perfeita fotossíntese.</p>
<p> No momento, todos os vinhos produzidos são destinados a consumo médio de tempo, ou seja, não são vinhos de guarda, mas a VINIBRASIL irá construir em breve, uma nova Planta de Vinificação, com um imenso subsolo, onde serão armazenadas milhares de barricas de carvalho para a produção de vinhos reservas e Premium.</p>
<p>Provei o Syrah 2007, Tempranillo 2008, Alicante Bouschet 2008, Chenin Blanc, com 15 dias de fermentação e muitos outros. Todos apresentavam cor correta e aromas frutados bem pujantes. A marca líder da empresa, a RIOSOL já está presente em 22 países, e a coleção de prêmios nacionais e internacionais já começou em 2006, e não tem parado. De tudo o que vi e senti, o que mais me impressionou foi o entusiasmo e a didática do Agrônomo João Santos, que veio de Portugal, se instalou com a família, esposa e 4 filhos, e já se parece com um brasileiro típico. Seu entusiasmo pelo campo e a cultura da vinha é contagiante, quem o vê no meio dos vinhedos, sente que o João conversa com as videiras, conhece uma a uma e sabe detectar com um olhar qual planta necessita de mais atenção. Para tocar o projeto no Brasil, foi escolhido o húngaro Tibor Sotkovszki, CEO da DÃOSUL, que vindo das terras do frio adaptou-se muito bem  aos dois climas, ao de São Paulo e ao do Vale do São Francisco.</p>
<p>Seguindo a viagem, fomos para a Fazenda Ouro Verde, já do outro lado do Rio São Francisco, na localidade de Casa Nova, no bairro de Santana do Sobrado, Estado da Bahia. Neste local, há passados 30 anos, o imigrante japonês Mamuro Yamamoto, pioneiro no cultivo de uvas no Vale do Rio São Francisco, implantou a Fazenda Ouro Verde, um projeto visionário para a época. O Grupo MIOLO, do Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul, adquiriu a propriedade de 700 ha e hoje mantém cultivado, 150 ha de vinhedos de vitis viníferas, dentro do projeto de cultivar 400 ha até o ano de 2012. No momento estão em franca produção os varietais Shiraz, Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Chenin Blanc, Verdejo, Sauvignon Blanc e Moscatéis. É projeto da empresa produzir até 2012, 10 milhões de litros de vinho por ano.</p>
<p>Para chegar até este número histórico a Ouro Verde construiu uma enorme cantina, que foi inaugurada em outubro passado e também implantou uma rica sala de degustação e show room, para atender ao enoturismo que está em franca expansão na região. O enólogo responsável pela elaboração dos vinhos é o premiado Adriano Miolo, que como diretor técnico do Grupo, contratou a assessoria do afamado enólogo francês Michel Roland. Adriano é também um entusiasta pelos vinhos do São Francisco. De seu trabalho surgiram vinhos que hoje já são ícones dentro do mercado brasileiro, como o Reserve Late Harvest Moscatel Terranova, um vinho com pronunciados aromas de damasco e mel, e o Espumante Terranova, campeão de vendas da empresa, que só neste 2008 já vendeu 1 milhão de garrafas! O vinho ícone é um Reserve Cabernet Sauvignon/Shiraz, vinho envelhecido em barricas e com grande longevidade. Na propriedade também se produz o afamado Brandy Osborne, que a centenária Casa  espanhola de Jerez de La Frontera resolveu produzir no Brasil, acreditando no potencial da região. Uma completa destilaria está instalada no local. Aqui também a Miolo mantém um viveiro de mudas, todas aclimatadas na região, que irão formar os futuros parreirais que estão sendo implantados.</p>
<p>Agora, voltarei a agosto de 1980, quando a revista Senhor publicou uma entrevista feita comigo, motivada pela recém fundação da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho, em julho daquele ano. Em dado momento, o jornalista me perguntou qual seria o futuro do vinho brasileiro. Citei que o nordeste do Brasil seria o celeiro de grandes vinhos, era só ter paciência e esperar um pouco. Quase fui linchado, recebi críticas de gente poderosa e algumas até de extremado mau gosto. Fui chamado de sonhador, e a então “elite do vinho” passou a me hostilizar.</p>
<p>O tempo passou, e sem querer ser visionário, hoje vejo que eu tinha razão. Quem ganhou com isso tudo foi o consumidor brasileiro. Agora podemos escolher vinhos em diversos quadrantes de nosso território. Uma coisa é certa, os vinhos do Vale do Rio São Francisco vão dar muito que falar. Quem viver verá!</p>
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<h3> sao_francisco_40.JPG</h3>  <p style="color: #FFF000;"> Colheita de uva Syrah na Fazenda Vinibrasil</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/vale-do-sao-francisco/sao_francisco_40.JPG" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/vale-do-sao-francisco/sao_francisco_40.JPG" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/vale-do-sao-francisco/thumbs/thumbs_sao_francisco_40.JPG" class="thumbnail" /></div><div class="imageElement">  <h3> sao_francisco_49.JPG</h3>  <p style="color: #FFF000;"> O eng° agrônomo João Santos explicando o sistema de condução de videiras na Fazenda da Vinibrasil</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/vale-do-sao-francisco/sao_francisco_49.JPG" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/vale-do-sao-francisco/sao_francisco_49.JPG" class="full" />  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sao_francisco_66.JPG</h3>  <p style="color: #FFF000;"> O enólogo Adriano Miolo explica aos Atendentes de Vinhos do Grupo Pão de Açúcar como se maneja o viveiro de mudas da Fazenda Ouro Verde
</p>  <a target="_blank" href="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/vale-do-sao-francisco/sao_francisco_66.JPG" title="open image" class="open"></a>  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/vale-do-sao-francisco/sao_francisco_66.JPG" class="full" />  <img src="http://www.carloscabral.com.br/wp-content/gallery/vale-do-sao-francisco/thumbs/thumbs_sao_francisco_66.JPG" class="thumbnail" /></div> </div></div></div>
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		<title>Viagens ao mundo do vinho</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 13:32:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
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		<category><![CDATA[visitas]]></category>

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		<description><![CDATA[Para melhor conhecer o vinho, nada como estar ao lado dele e viver o seu dia-a-dia. Uma viagem a uma região vinícola é muito educativa. Primeiramente, participe somente como observador, é difícil querer aprender tudo de uma vez. Ouça muito, mas muito mesmo. Deixe as conversas paralelas para depois. Um profissional do vinho, dentro da adega está trabalhando, não esta lá só para lhe atender. Se você não conhece nada sobre vinho, não faça nenhuma pergunta, procure ler um pouco sobre o assunto e aí sim, tire suas dúvidas. Perguntar ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para melhor conhecer o vinho, nada como estar ao lado dele e viver o seu dia-a-dia. Uma viagem a uma região vinícola é muito educativa. Primeiramente, participe somente como observador, é difícil querer aprender tudo de uma vez. Ouça muito, mas muito mesmo. Deixe as conversas paralelas para depois. Um profissional do vinho, dentro da adega está trabalhando, não esta lá só para lhe atender. Se você não conhece nada sobre vinho, não faça nenhuma pergunta, procure ler um pouco sobre o assunto e aí sim, tire suas dúvidas. Perguntar tudo, desde o início do plantio da uva, equivale a ir ao Vaticano, e dentro da Capela Sistina, perguntar ao guia quem foi Michelangelo!</p>
<p>Geralmente o pessoal das vinícolas tem muita paciência, mas você deve ter um “desconfiômetro” apurado e perceber se não esta atrapalhando ou perturbando muito.</p>
<p>A euforia toma lugar nestas horas, por isso capriche no comportamento. Quando chegar a hora de provar o vinho, lembre-se: O mundo não vai acabar naquele momento! Parcimônia e beber com moderação são as regras, o que lhe é ofertado é uma degustação e não um Festim Romano!</p>
<p>Geralmente em grupo, sempre existem aquelas pessoas que não bebem ou bebem pouco, não dê uma de solidário e beba tudo o que elas não quiserem. Se gostou demais de um vinho, não jogue o verde para colher o maduro, fazendo elogios rasgados como se você estivesse enaltecendo as virtudes de sua mãe! Pergunte quanto custa aquele vinho e imediatamente compre quantas garrafas desejar. Não toque em nada, muitas vezes corre-se o risco de interromper uma tarefa que está em curso dentro da adega.</p>
<p>Tirar fotos ao lado das barricas é muito bom, dá testemunho da visita, e depois podemos matar a saudade em casa dizendo aos convidados: Este vinho que estamos degustando estava nesta barrica!</p>
<p>Em breve darei notícias e dicas de viagens e visitas as vinícolas que conheço por este mundo afora. Iniciarei com o nosso maravilhoso Vale dos Vinhedos, localizado no município de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul.</p>
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