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Consumo de vinhos no Brasil, em 2008

26 janeiro 2009 | por Carlos Cabral | 6 Comentários

Cumprindo a tradição, Adão Morellatto, um homem de negócios da área de vinhos, e que curte as pesquisas e estatísticas, acaba de enviar uma elaborada pesquisa de mercado com os números da presença dos vinhos importados em nosso mercado para o ano de 2008. Dela fazem parte somente os vinhos finos, os vinhos de mesa e frisantes, não aparecendo os espumantes nem os champagnes.
Em primeiro lugar, como vem ocorrendo há anos, aparece o Chile, com uma participação de 34,38%,com um crescimento de 6,44% sobre 2007.
Embora ações fortes de promoção e marketing por parte da Argentina, Itália e Portugal tivessem ocorrido durante todo o ano de 2008, o consumidor brasileiro, sentiu-se muito seguro em comprar vinhos chilenos (como vem acontecendo há algum tempo), onde as marcas tradicionais trabalham fortemente seus nomes. Mesmo lançando novos vinhos, de estilos diversos, estas empresas sabem da força que a sua marca possui e o quanto isso ajuda na hora da compra ou da escolha do vinho.
Nesses números, a Argentina vem logo em seguida. Embora tenha uma produção muitas vezes maior do que a do Chile, a Argentina vive o momento de se fazer conhecer em todo o mundo, daí dispersar suas promoções pelos 4 cantos do mundo, trabalho este já feito pelo Chile desde 1970 . A Argentina, principal parceiro do Brasil no Mercosul, tem no excesso de marcas e novidades o principal empecilho para a criação de uma marca líder no Brasil, famosa, regular na qualidade e com seu preço não superior aos R$ 20,00 a garrafa. Sua participação no Brasil em 2008 foi de 26,54%, com um crescimento muito pequeno, só de 3,43% sobre 2007.
A Itália recuperou o terceiro lugar, perdido para Portugal em 2005. Com uma forte participação no capítulo de vinhos frisantes, com os seus Lambruscos e a maioria dos Proseccos (que chegam no Brasil com o descritivo de frisante para pagar menos impostos), a Itália nestes últimos anos esmerou-se em promover entre nós seus vinhos brancos. Teve em 2008 uma participação de 14,73% no mercado e cresceu 10,64% sobre 2007.
Portugal amargou um crescimento de apenas 0,66% sobre 2007. Sua participação no mercado é de 11,24%. Creio que tal fato se deva a falta de vinhos populares. Há somente 1 vinho, o Periquita, que mantém hoje o mercado de vinhos portugueses ativos, os vinhos do Dão e os Verdes, outrora de preços baixos, encontraram forte concorrência nos vinhos tintos da América Latina e nos espumantes e frisantes nacionais e europeus. Marcas mais populares podem devolver a Portugal uma melhor posição, porque nos últimos anos, os grandes tintos do Douro e os excepcionais alentejanos, não saíram da mídia, mas são vinhos para entendidos, portanto vinhos caros.
A França apresenta uma situação curiosa. Nos últimos 4 anos aumentou suas exportações para o Brasil em 183,04% e é também de lá que vem o maior valor agregado por litro importado, U$D 6,78 por litro. Sua participação no mercado é de 4,54%. O surgimento de novas importadoras que estão trazendo para o Brasil os grandes vinhos de Bordeaux e da Borgonha, além de novas marcas de Champagnes é o motivo pelo qual seu valor agregado por litro é o maior de todos em nossas importações.
A Espanha, que até pouco tempo era um “gigante adormecido”, apresentou um crescimento de 33,99% sobre 2007. Deve-se ao fato de uma constante política de promoções por todo o Brasil, com feiras e provas organizadas pelos órgãos governamentais espanhóis e um excelente trabalho junto a mídia especializada, fazendo o público conhecer novas regiões que vão além da famosa Rioja. Sua participação hoje em nosso mercado é de 1,82% e seu preço médio surpreendente, U$D 6,18 por litro.
Nos demais fornecedores, como Uruguai, Austrália, África do Sul, Alemanha, Estados Unidos e Nova Zelândia as participações são muito pequenas devido ao custo FOB ser elevado, além das distâncias, cujos fretes são elevados, excetuando o Uruguai que teve forte aumento de custo de produção.
O cenário de 2009 não será nada animador. Acreditamos que os estoques existentes em nossas importadoras devam suprir a demanda até o próximo inverno, se os preços FOB não baixarem consideravelmente.

6 Comentários »

  • Richard Beer disse:

    Não entendo muito bem essas estatísticas compiladas por Adão Morellatto. Segundo a UVIBRA, as importações de vinho fino recuaram em 2008, com 54,4 milhões de litros, contra 57,6 milhões em 2007. Em mesmo tempo, cresceu seu market share, de 67,4% a 78,5% de um ano para outro, implicando que o vinho vitis vinífera nacional despencou em volumes de mais de 20% entre 2007 e 2008!
    Então, aumento ou calamidade no consumo brasileiro de vinhos?

    Outra estatística: o consumo per capita no Brasil de vinhos vitivinifera e espumantes não é mais alto que 0,4% per capita (82 milhões de litros para 190 milhoes de habitantes. Não 2 litros per capita, como se repete desde os anos 1990. Vinho de garrafão alias não é vinho, e jamais esses consumidores de suco de uva fermentado vão migrar para vinho de verdade (este consumo de garrafão isabela está também baixando fortemente de ano em ano).

    Tudo isto sabendo que o Uruguai consome 27 litros per capita de vinho (em baixa)…

    Richard Beer, Rio de Janeiro

  • Guta Chaves disse:

    Oi Cabral, adorei seu site! abraços, Guta

  • Paulo Boldrin disse:

    Cabral, um grande abraço e parabéns pelo site, está ótimo.

    Boldrin

  • Maria Ripardo disse:

    Meu Deus! Que agradável surpresa encontrá-lo. Meu maior mentor no mundo do vinho, saudações vinícolas meu caro! Vc é impressionante. bjos

  • Norma Audi disse:

    Cabral,

    Parabéns pelo site que ficou ótimo e deu a oportunidade para as pessoas aproveitarem todo esse conhecimento.
    Grande e fraterno abraço.
    Norma Audi

  • luis felix disse:

    Sr. Carlos Cabral, tive o previlegio de estar reunido com sr. na São Paulo Expovinis.
    Provou nossos vinhos Mundus leve branco, e tinto Aragones, sei que sua avaliação foi 100%. Aí dizer que chegaram agora ao Brasil para comercializar estes vinhos da Estremadura portuguesa onde tem excelentes vinhos.
    abraço
    luis felix

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