Darcy Miolo
Quando Giuseppe Miolo chegou na serra gaúcha em 1897, não podia imaginar que seu nome, um século depois seria cantado em verso e prosa pelo Brasil inteiro, e agora por certas partes do mundo. Como todo italiano do Vêneto que se aventurou a vir fazer vinhos na serra Gaúcha, Giuseppe recebeu um lote de terra, no chamado hoje de Vale dos Vinhedos. O seu lote era o de número 43. Logo Giuseppe começou a produzir uvas e a entregá-las às poucas vinícolas que no início do século XX existiam na região.
Seus netos, muitos anos depois, resolveram em 1989 começar a produzir um vinho próprio, para vender a granel, e não mais vender suas uvas. Em 1994 começa então a surgir no mercado um vinho com a marca da família Miolo.
Foi em 1989 que conheci Darcy Miolo. Calmo, com aquela fala cantada, típica dos gaúchos da serra, Darcy me mostrou uma sala de dimensões pequenas, onde em 3 grandes balseiros (barrica grande) de madeira e uma mesa com apenas 2 cadeiras mobiliavam o ambiente.
Provei daquele vinho, não era mal, já era diferente de muitos outros que eu conhecia na serra gaúcha. Darcy falo-me de seus sonhos, que junto de seus irmãos Paulo e Antonio, pretendiam ter seu vinho próprio, e como se fosse uma criança na Disney, começou a mostrar-me, do lado de fora desse galpão, onde ficariam instaladas as enormes seções de sua futura vinícola.
Voltei no ano seguinte, e aí, degustando outros vinhos, fomos comer na Osteria Miolo, nome que recebeu a antiga adega no sub-solo da casa de Giuseppe Miolo. Lá sua mãe e sua esposa prepararam um jantar, bem típico do Vêneto, e a conversa estendeu-se por muitas horas. Darcy falava dos seus 5 filhos, estrategicamente distribuídos dentro deste sério negócio dos vinhos.
Adriano, estava se formando enólogo na Escola Dom Bosco de Enologia em Mendoza, iria cuidar da criação dos vinhos, para a parte comercial, escalou os outros 3 filhos, Fabio ficaria com São Paulo, Alexandre iria para o Nordeste, mas depois transferiu-se para o Rio de Janeiro, Marcos ficaria em Santa Catarina, Cassio, o caçula, com 16 anos era o piloto do trator da propriedade e ainda não tinha se definido.
Em, 1994 encontrei o Darcy novamente falando em planos, só que desta vez o sonho já começava a se transformar em realidade, uma moderna cantina, com o que há de mais moderno no mundo da enologia estava sendo implantada. Falamos da idéia de construir um arco na entrada da vinícola, onde todos os turistas que visitassem a Miolo, certamente iriam querer tirar fotos.
Parecia uma obra inacabada, em cada ano, na minha visita, surgia uma ala nova da cantina, no sub-solo da mesma começavam a se alinhar as barricas de carvalho francês e americano, que eram montadas no Rio Grande do Sul, e em meio a esse progresso todo vem o Darcy e me diz:
“compramos uma imensa propriedade de 400ha na fronteira do Brasil com o Uruguai, que irá se chamar Fortaleza do Seival, vamos fazer vinhos lá e exportar para o mundo!”, afirmou.
Fiquei de boca aberta, mal estava começando a andar a vinícola na Serra Gaúcha, e lá vinha o Darcy com outra Disneylandia! E não parou ali, falou do SPA Hotel, e das demais associações que estavam a caminho.
Gostou tanto da fronteira, que levou a esposa para morar lá na Fortaleza do Seival, começou a criar ovelhas, apaixonou-se pela coisa, ao ponto de ganhar muitos prêmios nacionais com o seus animais. Encantado com o neto caçula, filho do Cassio, levou o filho também para o Seival, fato que estimulou o filho a estudar Veterinária, e agora estão criando cavalos.
Darcy é um homem de luta, passou por sérios problemas de saúde, e nas vezes que o encontrei com dores, o entusiasmo não lhe saía da cabeça, somente faltava-lhe um pouco de sorrisos.
Dentro da vitivinicultura brasileira, tranqüilamente eu votaria em Darcy como o homem de visão do vinho nacional. No momento, faz 2 anos que não vejo ou falo com o Darcy, mas estou aqui louco para saber qual será a sua próxima idéia, e se terá ações no mercado, porque assim posso apostar minhas fichas com segurança!
Saudações Vinícolas!
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