Domingos Soares Franco
Em tempos de economia globalizada, onde o que vale é o dinheiro e as tradições que passam para a história, manter uma vinícola na liderança dos segmentos de seus vinhos por 7 gerações na mesma família, torna-se um ato heróico e digno de louvor.
A tradicional casa vinícola José Maria da Fonseca, localizada em Azeitão, em Portugal, conseguiu esta façanha e já está em curso a formação da 8° geração.
Com atribuições bem definidas, os atuais proprietários da Casa, os irmãos, Antonio, presidente e administrador e Domingos Soares Franco, enólogo chefe e vice-presidente, deram um grande impulso à Casa fazendo construir uma nova planta industrial com capacidade de armazenamento de 6,5 milhões de litros de vinho, cujas uvas para essa produção são originárias de 650 ha de vinhas próprias.
Para estar adiante de seu tempo, Domingos foi cursar a Universidade de Davis na Califórnia, onde o curso de enologia é considerado atualmente o mais dinâmico e moderno do mundo. Lá foram criados, em estufas, diversos e distintos terroirs do mundo do vinho, proporcionando ao aluno a oportunidade de viver um pouco de Bordeaux, Borgonha, Reno, Piemonte etc. Domingos tornou-se o primeiro português a fazer este curso.
De volta a casa, soube ouvir e aproveitar bem os sábios conselhos de seu tio Antonio, de que um enólogo não trabalha só com o vinho, trabalha também com o mercado. Deve estar atento ao gosto do mercado, se quiser vender muito vinho. Este tio Antonio foi o criador do mítico vinho Lancer’s, que ainda hoje desperta grandes paixões nos norte-americanos.
Muitos desafios apareceram durante toda a sua carreira profissional. A aquisição da Casa José de Sousa, no Alentejo, obrigou Domingos a quase voltar a idade da pedra, ao ter de elaborar vinhos típicos alentejanos vinificados em talha de barro, igualmente como faziam os romanos há passados 2 séculos.
A construção da nova planta de vinificação da Casa foi outro grande desafio. Lá, Domingos exigiu uma enorme coleção de tanques de inóx que vão dos 50 mil litros até 200 litros para realizar as suas experiências. Fez também construir 2 lagares de aço inóx, onde os homens que irão pisar as uvas, têm o auxílio de um apoio que se move junto com o repetitivo movimento das pernas e do corpo. Eu diria que esta nova parafernália, toda automatizada e computadorizada, é a Disneylândia do Domingos!
O melhor de tudo isto é que Domingos ama de paixão sua profissão, e não só. É um ser humano normal, não sobe em cima dos títulos ou dos cargos que exerce, bom garfo, adora uma mesa farta e de qualidade, e tem um bom senso de humor, adora uma piada e sua gargalhada é contagiante.
Uma linha de mais de 50 rótulos está sobre sua responsabilidade. Estes rótulos vão desde o Periquita, o vinho tinto mais antigo e também o mais vendido de Portugal; só em 2008, nós no Brasil bebemos 200 mil caixas desse néctar, até o Hexagon, o Bastardinho, o Lancer’s e uma rara e maravilhosa coleção de Moscatéis de Setúbal, única em todo o mundo, onde quase uma centena de safras repousam na antiga Adega dos Teares Velhos.
Domingos se movimenta com desenvoltura por toda esta gama de vinhos, e junto de sua equipe de 4 enólogos assistentes, a cada ano faz surgir uma novidade que logo se transforma em objeto de desejo de milhares de enófilos espalhados pelo mundo.
Domingos habita na antiga Quinta de Camarate onde nasceu e foi criado, localizada próxima à sede da José Maria da Fonseca, e lá faz manter outra tradição centenária da família, a elaboração do afamado Queijo de Azeitão, oriundo do leite de ovelhas.
Esta obra de arte é de acesso restrito, poucos mortais conseguem provar esta iguaria, que todos os anos, em 31 de maio, vem a rica mesa de banquete onde nossa Confraria do Periquita celebra a data de nascimento de José Maria da Fonseca.
Domingos Soares Franco representa, com toda a liberdade e desenvoltura, uma feliz combinação entre tradição e modernidade, entre passado e presente, sendo moderno, mas sem perder a fidalguia que lhe foi dada de berço.

Saudações Vinícolas!
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