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	<title>Carlos Cabral</title>
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		<title>Um monumento português chamado Moscatel de Setúbal</title>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 13:06:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Básico de vinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Moscatel de Setúbal]]></category>
		<category><![CDATA[perfume suave]]></category>
		<category><![CDATA[sabor delicado]]></category>

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		<description><![CDATA[Moscatel de Setúbal é um vinho de sobremesa de cor topázio, com perfume suave e sabor delicado, considerado um monumento da arte agrícola e de glória nacional para os portugueses. Produzido nas regiões de Setúbal e Palmela, o Moscatel de Setúbal harmoniza muito bem com doces, principalmente os naturais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Moscatel de Setúbal é um vinho de sobremesa de cor topázio, com perfume suave e sabor delicado, considerado um monumento da arte agrícola e de glória nacional para os portugueses. Produzido nas regiões de Setúbal e Palmela, o Moscatel de Setúbal harmoniza muito bem com doces, principalmente os naturais.</p>
<p>Considerado como um vinho generoso (vinhos licorosos produzidos em regiões geograficamente demarcadas) pela Denominação de Origem Controlada, sistema de controle de qualidade de produtos agrícolas portugueses, o Moscatel de Setúbal é um vinho licoroso que após o envelhecimento ganha um aroma único.</p>
<p>Produzido a partir de uvas ricas em açúcar, o Moscatel de Setúbal harmoniza com pudins, tortas e doces de frutas. A temperatura de serviço deste vinho fica entre 13ºC e 15ºC e deve ser servido em taças com pequenos cálices, já que é um vinho de sobremesa e o sabor deve ficar na ponta da língua.</p>
<p>Aproveite e deguste uma taça de Moscatel de Setúbal acompanhada de uma saborosa sobremesa de frutas.</p>
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		<title>Chandon do Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 18:41:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
		<category><![CDATA[assemblage]]></category>
		<category><![CDATA[Chandon]]></category>
		<category><![CDATA[Frederic Chan­don]]></category>
		<category><![CDATA[Marone Cinzano]]></category>
		<category><![CDATA[Vinhos Finos Ltda. Provifin]]></category>

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		<description><![CDATA[
Parece que foi ontem, mas o ano era 1973. De uma reunião entre os condes Frederic Chan­don e Marone Cinzano, no Rio de Janeiro, patrocinada pelo empresário Olavo Monteiro de Carvalho, mana­ger do grupo Monteiro Aranha, um conglomerado empresarial gigante, nasceu a ideia de produzir vinhos e espumantes
de elevada qualidade no Brasil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>O legado da Maison francesa que viu primeiro a oportunidade de fazer espumante no país e mudou a produção vinícola na Serra Gaúcha</em></strong></p>
<p>Parece que foi ontem, mas o ano era 1973. De uma reunião entre os condes Frederic Chan­don e Marone Cinzano, no Rio de Janeiro, patrocinada pelo empresário Olavo Monteiro de Carvalho, mana­ger do grupo Monteiro Aranha, um conglomerado empresarial gigante, nasceu a ideia de produzir vinhos e espumantes<br />
de elevada qualidade no Brasil.</p>
<p>Depois disso, a Maison Chandon, de Reims, na França, enviou para cá seu diretor de enologia, Philippe Coulon, para ver se a ideia teria fu­turo. Coulon andou por toda a Serra Gaúcha, provou tudo o que encontrou e constatou que a famosa acidez exa­gerada de nossos vinhos provinha de uma maturação irregular devido ao excesso de chuvas e que isso poderia ser um ponto positivo para a elabora­ção de espumantes de qualidade. </p>
<p>As­sim, a tradicional Chandon fincou sua bandeira em terra brasileira, após 230 anos de sucesso contínuo pelo mundo como produtor de champanhe. Nas­ceu a Produtora de Vinhos Finos Ltda. Provifin.</p>
<p>Partindo do ponto zero, uma moderna cantina foi montada em Garibaldi, no Rio Grande do Sul, e cercada por um vinho piloto com sua condução em forma de &#8220;lira&#8221; fato que chamou a atenção dos viticultores da região acostumados a cultivar seus vinhedos em latada (caramanchão).</p>
<p>Em 1978, começam a surgir os primeiros produtos. Philippe Coulon intensifica suas viagens ao Brasil e dá toda a assistência técnica à produção final dos vinhos. Enquanto isso, uma equipe de campo vai lentamente convencendo os fornecedores de uvas a mudar totalmente a forma de cultivo, objetivando a busca por qualidade, e não pela quantidade. O processo é lento, a natureza não faz nada da noi­te para o dia, e mudar mentalidades é muito desgastante.</p>
<p>Como ocorre na França, a Chan­don trabalha seus vinhos pelo sistema de assemblage, ou seja, mistura diversas do produto: o ator Paulo Autran e o nobre Giovanni de Bourbon. Os espumantes vinham com a marca M.Chandon para se diferenciar dos da casa matriz, mas o design do rótulo era semelhante ao francês.</p>
<p>A qualidade dos produtos foi logo reconhecida, o que provocou uma revolução positiva na Serra Gaúcha, pois os espumantes Chandon passa­ram a ser referência para as demais vinícolas brasileiras interessadas em elaborar o vinho das borbulhas. Phi­lippe Coulon foi agraciado em um sas safras para obter um produto final melhor. Isso justifica a quantidade de piletas de concreto que foram cons­truídas na cantina para armazenagem de milhares de litros de diversas safras. Fica definido que o sistema de produ­ção de espumantes será o charmat, aquele em que se obtém a espuma em enormes tanques de pressão conheci­dos na época como autoclaves.</p>
<p>Nesse mesmo ano, dois vinhos maduros são lançados, um branco e um tinto, que por muitos anos con­seguiram manter o sabor e a qualida­de inalterados graças ao processo de assemblage. Para seu lançamento, duas personalidades foram convida­das a testemunhar sobre as qualida­des no concorrido jantar no Hotel Hilton, em São Paulo, com o título de Sócio Honorário da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho, em agradecimento a sua contribuição pela melhoria dos espumantes no Brasil.</p>
<p>Cada vez que cruzava o Atlânti­co, Coulon trazia um jovem enólogo e aqui o deixava para fazer um duro estágio e sentir quanto é difícil fazer vinho no Brasil. Em uma dessas via­gens veio para cá o jovem Philippe Mevel, que para nossa sorte se encan­tou com a terra e por uma gaúcha e cá está há 20 anos, tem um casal de filhos e milhões de garrafas de espumantes para educar.</p>
<p>O tempo provou que todo o vinho que a Chandon produzia saía melhor se fosse elaborado para dar origem aos espumantes. Então, passados quase dez anos, os brancos e tintos não foram mais elaborados, e a Chandon passou a ser a maior produtora de espumantes do país, título que só perdeu em 2009.</p>
<p>Agora, tendo um fornecimento regular de uvas Riesling ltalico, Char­donnay e Pinot Noir, diversos novos tipos de espumante foram surgindo, como o saudoso Chandon Brut Tmto elaborado somente de Pinot Noir, que substituía com classe a cerveja quando queríamos acompanhar uma suculen­ta feijoada.</p>
<p>Acabo de assistir ao início da colheita de 2012 na Serra Gaúcha, que por sinal será espetacular, pois a estiagem que tanto mal fez a outras culturas realizou milagres na matura­ção correta das uvas. Essa safra pro­mete. Vi também que a Chandon está ampliando sua cantina, passará a ter capacidade de armazenamento de 4,2 milhões de litros, agora todos guarda­dos em 80 novos tanques de inox.</p>
<p>Hoje, a Chandon está apenas nes­se negócio. Os antigos sócios saíram e ela é um braço forte de sua matriz francesa pelo mundo. Seus produtos podem ser os mais caros, mas seus preços são justos e honestos, porque a qualidade é inquestionável.</p>
<p>Essa lição foi muito bem apren­dida por outros vitivinicultores, e hoje o Brasil tem muito orgulho dos espumantes que produz. Sabemos que o caminho é árduo, mas gerações de­pois da minha verão com orgulho al­gum dia alguém pedir um espumante brasileiro em um dos quatro cantos do mundo.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em março de 2012, nº 103</em></p>
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		<title>Feliz ano velho</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 18:21:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
		<category><![CDATA[classes C e D]]></category>
		<category><![CDATA[Selo de Controle]]></category>

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		<description><![CDATA[O ano começou em baixa, com um cenário nada animador no horizonte devido ao "mal fadado" Selo de Controle, inventado para alimentar as aspirações políticas de alguns gaúchos. A implantação desse instrumento atrasou a distri­buição de vinhos no Brasil em cerca de 90 dias e tudo indicava que tal prática puxaria para baixo as vendas da bebida. Mas o mercado reagiu e o ano seguiu normal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Vivemos o &#8220;momento do vinho&#8221;. Nem o Selo de Controle derrubou as vendas da bebida em 2011 no Brasil, que se alimenta da sede das classes C e D</em></strong></p>
<p>O ano começou em baixa, com um cenário nada animador no horizonte devido ao &#8220;mal fadado&#8221; Selo de Controle, inventado para alimentar as aspirações políticas de alguns gaúchos. A implantação desse instrumento atrasou a distri­buição de vinhos no Brasil em cerca de 90 dias e tudo indicava que tal prática puxaria para baixo as vendas da bebida. Mas o mercado reagiu e o ano seguiu normal.</p>
<p>A ascensão econômica das classes C e D alavancaram as vendas de vi­nho. A bebida nacional saiu­-se muito bem. Os rótulos especiais praticamen­te esgotaram, e os vinhos comuns, que ainda são a grande maioria, com 79% de participação nas vendas, tiveram um forte crescimento. Na maior rede de varejo do Brasil, o Grupo Pão de Açúcar, em 2010 os vinhos brasileiros representaram 33,8% das vendas. Em 2011, esse número pulou para 43%! Isso sobre um total geral de 17,3 mi­lhões de garrafas vendidas.</p>
<p>Esse número demonstra que fi­nalmente o brasileiro está elegendo o vinho para seu consumo regular, e não somente para ocasiões especiais. As classes ascendentes têm grande curiosidade em experimentar coisas novas. Aprender a degustar vinhos e consumi­los com regularidade é sinal de inteligência e bom gosto.</p>
<p>Fato relevante é a presença do vinho do Chile entre nós. Depois de anos investindo no Brasil, desde a década de 1960 esse país colhe os frutos, fechando 2011 com uma par­ticipação de 29% em valor e 35% em volume, quando tratamos somente de vinhos importados. Em seguida, o ano portou­-se assim com os demais vinhos importados no que diz respei­to à participação em volume no mer­cado: Argentina, 23%; Itália, 17%; Portugal, 11%; França, 5,7%; Espa­nha, 3%; e outros países, 4%. Esses números são fruto de uma minuciosa pesquisa anual feita pelo consultor Adão Morellatto, italiano que veio para o Brasil (49%) é Lambrusco, o frisante oriundo da Emilia­ Romagna que caiu no gosto do brasileiro. A Itália é craque nesse quesito de vinho de moda. Há alguns anos implantou no Brasil a moda do Chianti, depois dos Valpolicella, se­guidos pelos Bardolino, Frascati, Pro­secco e, finalmente, os Lambrusco.</p>
<p>Quase metade de todo o vinho que se sentem seguros por terem um especialista no assunto ajudando­-os a resolver suas dúvidas. Trata­-se do segmento de &#8220;intro­dução ao mundo do vinho&#8221;. Um carrinho de supermercado que tenha uma garrafa de vinho já é uma grande vitória. Pode ser um cliente que pro­vará a bebida pela primeira vez. Os supermercados têm a missão de ser o introdutor do consumidor, que, com o passar do tempo, vai galgando as escalas do mundo dos vinhos, onde já pode então escolher seus predile­tos, pedindo seus futuros vinhos por varietais ou países de origem.</p>
<p>Em 2011, a Espanha veio com tudo para cima do Brasil. Introduziu aqui centenas de rótulos promoven­do um crescimento de 32,12% sobre o ano anterior.</p>
<p>Os supermercados de todo o Brasil têm importante papel nesses números. Esse segmento vem se pro­fissionalizando, oferecendo um aten­dimento personalizado aos clientes. Tudo isso vem ocorrendo mesmo com o substancial aumento na valo­rização cambial, a partir do terceiro trimestre do ano.</p>
<p>Em 2011, o mercado ficou calmo no que diz respeito à troca de vinhos de uma importadora para outra. O mercado está mais adulto e muitas marcas vão se consolidando com um trabalho profissional bem elaborado. Devido à crise na Europa, os produto­res daquele continente buscaram no mercado brasileiro parceiros, e não aventureiros como se via em anos passados, quando o importador ven­dia, recebia o pagamento e virava as costas para nós. Agora, todos ajudam a vender seus vinhos.</p>
<p>O volume de novas importadoras também aumentou, fazendo acirrar a concorrência e quem sempre sai ganhando é o consumidor final, com mais opções de marca e possibilidade de comparação de preços.</p>
<p>Paralelamente, não para a forma­ção profissional na área de vinhos, de sommeliers a consultores, de blogueiros a cursos de graduação em negócios de vinho, sem contar o grande núme­ro de novos escritores de vinhos que lançam títulos sobre o assunto. Vivemos o &#8220;momento do vinho&#8221;.</p>
<p>Agora, é só deixar o próprio mercado fazer e executar as regras, e rezar to­dos os dias para que nenhum político venha colocar no vinho a culpa de todas as desgraças do Brasil.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em fevereiro de 2012, nº 102</em></p>
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		<title>Perlage brasileiro</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 17:55:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
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		<category><![CDATA[Perlage brasileiro]]></category>
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		<description><![CDATA[Na história do espuman­te no Brasil, nunca se vendeu tanto esse tipo de vinho, que, finalmente, deixou de ser bebida da moda, de momento ou de celebração, e passou a ser também do cotidiano. A produção no país está per­to de completar 100 anos. Foi em 1915 que, em Garibaldi, na Serra Gaúcha, estabeleceu­-se a Vinícola Armando Peterlongo, que, por muitas décadas, reinou nesse seguimento de mercado. Seus produtos tinham excelente quali­dade, a ponto de, desde 1946, terem seu espumante servido no coquetel de aber­tura das assembleias ­gerais da ONU, em Nova York. Por tradição, o Brasil sem­pre patrocinou esse ato social.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na história do espuman­te no Brasil, nunca se vendeu tanto esse tipo de vinho, que, finalmente, deixou de ser bebida da moda, de momento ou de celebração, e passou a ser também do cotidiano. A produção no país está<br />
per­to de completar 100 anos. Foi em 1915 que, em Garibaldi, na Serra Gaúcha, estabeleceu­-se a Vinícola Armando Peterlongo, que, por muitas décadas, reinou nesse seguimento de mercado. Seus produtos tinham excelente quali­dade, a ponto de, desde 1946, terem seu espumante servido no coquetel de aber­tura das assembleias ­gerais da ONU, em Nova York. Por tradição, o Brasil sem­pre patrocinou esse ato social.</p>
<p>Naqueles tempos, e até o final da dé­cada de 1990, ainda chamávamos nossos espumantes de champanha, erradamen­te, mas felizmente corrigimos esse curso e, agora, nosso vinho de borbulhas na­tural é chamado espumante. os anos 1980, o amigo e confrade Mauro Corte Real, gaúcho de boa cepa, escreveu o li­vro Sua Excelência o Champanha, pu­blicado pela Editora Sulina. Nesse livro eram listados os principais produtores brasileiros desse tipo de vinho na época: Georges Aubert, Peterlongo, Martini &#038; Rossi, Provifin (Chandon), Cooperati­va Aurora, Heublein, Mônaco e Salton.</p>
<p>As uvas frequentemente usadas eram as Trebiano, Peverela, Riesling Itálico e Semillon. Com a chegada da Chandon à Serra Gaúcha, no início dos anos 1970, houve um incremento forte e os produtores de uvas foram estimula­dos a cultivar as varietais Chardonnay e Pinot Noir. A partir de então, toda a referência de qualidade vinha dos pro­dutos elaborados pela Chandon. Uma vez que o projeto tomou­-se vencedor, outros produtores começaram a investir em mais qualidade de cultivo e novos equipamentos para elaboração. Assim, na virada do século podemos assistir ao triunfo do espumante brasileiro, cuja qualidade nada fica a dever se compa­rado a seus congêneres elaborados pelo mundo, excetuando, claro, o autêntico champanhe francês.</p>
<p>Foi a partir dessa virada do sécu­lo que começaram a surgir pequenos produtores individuais de espuman­tes na Serra Gaúcha, elaborando produtos de elevada qualidade. Houve uma corrida à montagem de adegas modernas, com aquisição de enormes tanques de inox para fer­mentação pelo processo charmar. O mercado estava com sede!</p>
<p>Finalmente o brasileiro passou a de­gustar espumantes a qualquer momen­to. Em 2010, o Grupo Pão de Açúcar, o maior vendedor de vinhos do Brasil, vendeu 1,2 milhão de garrafas de es­pumante nacional, ante 200.000 do imporrado. Foi um bom sinal, e assim acabava o reino efêmero dos Prosecco, que tanto barulho fizeram entre nós.</p>
<p>Hoje o mercado de espumantes no Brasil é grande e há uma previsão de crescimento de 10% ao ano nesta década. A concentração é forte: a Sal­ton lidera com folga esse seguimento, com 40% de participação, seguida da Chandon com 20%. A Salton fecha 2011 com uma produção de 7,2 mi­I lhões de garrafas. O restante dos 40% do mercado é ocupado por uma cen­tena de rótulos, todos de qualidades superiores que, com certeza, farão a alegria de muita gente.</p>
<p>Vivemos este bom momento. Só tememos, mais uma vez, que algum &#8220;guloso&#8221; do governo resolva inventar mais um imposto para atrapalhar essa saudável festa. Até lá, aprecie o grande espumante brasileiro com moderação, prazer e orgulho.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em janeiro de 2012, nº 101</em></p>
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		<title>Refrescar-se com Porto</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 17:44:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
		<category><![CDATA[Graham's Dry]]></category>
		<category><![CDATA[LBV]]></category>
		<category><![CDATA[Niepoort Dry]]></category>
		<category><![CDATA[ruby]]></category>
		<category><![CDATA[tawny]]></category>
		<category><![CDATA[vinho do Porto]]></category>
		<category><![CDATA[Vinho do Porto Branco]]></category>
		<category><![CDATA[Vintage]]></category>

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		<description><![CDATA[Como acontece todos os anos, dei meu recado na edição deste ano do megaevento PRAZERES DA MESA Ao Vivo, realizado no Senac Santo Amaro. Como sempre, abordei mais uma faceta do eclético vinho do Porto. Com a proximidade do verão, o tema escolhido foi o vinho do Porto branco, esse tipo até pouco tempo desconhecido, embora produzido há séculos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como acontece todos os anos, dei meu recado na edição deste ano do megaevento PRAZERES DA MESA Ao Vivo, realizado no Senac Santo Amaro. Como sempre, abordei mais uma faceta do eclético vinho do Porto. Com a proximidade do verão, o tema escolhido foi o vinho do Porto branco, esse tipo até pouco tempo desconhecido, embora produzido há séculos.</p>
<p>Os tipos de vinho do Porto tintos (Vintage, LBV, Ruby e Tawny) são os mais conhecidos, representando 90% da produção e da venda. Mas existe também o Porto branco, oriundo exclusivamente de uvas brancas cultivadas no Douro, e que apresenta uma gama de variedades tão larga quanto a dos tintos.</p>
<p>Produzido principalmente com base nas castas Codega, Gouveio, Malvasia, Rabigato e Moscatel, eles se diferem pelo grau de doçura. Quando o vinho tem entre 4,8 graus e 6,6 graus Baumé, portanto um vinho muito doce, temos então o tipo Lágrima. No passado, os chamados Lágrima Cristi fizeram muito sucesso entre nós. Desde os anos 1970, no entanto, passou a se chamar somente Lágrima em respeito ao genuíno Lacrima Cristi oriundo das encostas do Vulcão Vesúvio, na Itália.</p>
<p>O estigma dele é que foi rotulado como vinho para &#8220;senhoras de idade avançada&#8221;, o que não é verdade. O Lágrima acompanha bem os doces à base de frutas cítricas, fazendo então um contrapeso de sabores. O vinho do Porto branco com 3 graus Baumé é considerado Doce. Com 1,5 grau até 3 graus Baumé já é denominado Meio Doce. O Porto branco seco tem até 1,5 grau Baumé, e o Extra Seco tem grau Baumé abaixo de 1. O tipo mais conhecido e consumido é o Meio Doce, que nos rótulos estão geralmente denominados White.</p>
<p>Durante o &#8220;Ao Vivo&#8221;, pudemos degustar seis vinhos brancos, muito gelados, para fazer frente ao forte calor. Iniciamos com um Graham&#8217;s Dry, do Grupo Symington, que estava perfeito e com aromas delicados de frutos frescos, como lima e pome 10. Seguiu-se um Niepoort Dry, bem velho, já oxidado, porém perfeito.</p>
<p>Aqui, os aromas de amêndoas eram marcantes. Logo depois, degustamos Messias Dry, leve, fresco e da prova mais claro de todos, denotando ser um vinho muito jovem.</p>
<p>Passamos depois para um Cá­lem White, vinho mais doce, com leve oxidação e um excelente final de boca. Partimos então para um Ferreira White, de aromas a frutos secos e leve oxidação. Terminamos com um Porto Comenda White, elaborado pela Casa Manoel D.Po­ças Junior, também leve, agradável e refrescante.</p>
<p>Apresentei aos participantes a grande receita do Porto de Verão ou o Portonic, como é conhecido em Portugal, que consiste em um drinque com uma boa dose de Porto branco, recebe cubos de gelo, uma generosa dose de água tônica e uma rodela de limão. É um agradável aperitivo de verão, capaz de descontraidamente darmos cabo de uma garrafa em uma manhã ensolarada à beira de uma pis­cina ou na praia. Então, fica a dica de refrescar­se com Porto. Saúde!</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em dezembro de 2011, nº 100</em></p>
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		<title>Força do Alentejo</title>
		<link>http://www.carloscabral.com.br/forca-do-alentejo/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 14:36:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
		<category><![CDATA[Cabernet Sauvignon]]></category>
		<category><![CDATA[Petit Verdot]]></category>
		<category><![CDATA[Syrah]]></category>
		<category><![CDATA[Viogner]]></category>

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		<description><![CDATA[Reafirmando sua invejá­vel posição no merca­do brasileiro, os vinhos alentejanos acabam de fazer mais um grande passeio no Brasil, onde dezenas de garrafas de novas e antigas marcas consagradas apresentaram suas mais recentes sa­fras e lançamentos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Em evento em São Paulo, toda a pujança e a modernidade do Alentejo foram colocadas à prova</em></strong></p>
<p>Reafirmando sua invejá­vel posição no merca­do brasileiro, os vinhos alentejanos acabam de fazer mais um grande passeio no Brasil, onde dezenas de garrafas de novas e antigas marcas consagradas apresentaram suas mais recentes sa­fras e lançamentos.</p>
<p>O Brasil é o maior consumidor, fora da União Europeia, dos vinhos do Alentejo. De 2004 a 2010, a venda desses rótulos cresceu quase 200% entre nós. Com qualidades superiores e a consagração de ser fá­cil de beber, os alentejanos ganham cada dia mais adeptos, devido a sua honestidade e profunda regularidade em sua qualidade.</p>
<p>Por outro lado, vinhos com as chamadas &#8220;castas internacionais&#8221; também puderam ser provados, as­sim apareceram cortes com Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, Viogner e até um 100% Syrah.</p>
<p>Uma seleção bem escolhida pelo jornalista e expert em vinhos Rui Falcão, colaborador assíduo da revis­ta Wine, foi degustada em &#8220;petit co­mitê&#8221;. Os vinhos degustados foram: Roque Vale Reserva 2005, Monte do Pintor Reserva 2007, Adega de Barba ACB Reserva 2008, Conde Ervidei­ra Private Selection 2007, Quinta do<br />
Quetzal 2007 Reserva, Polipho­nia Signature 2007, Alma Escolha 2007, Cortes de Cima Syrah 2009, brancos, Antão Vaz, Arinto e Rou­peiro.</p>
<p>O evento em questão foi realiza­do no recinto do Havana Club, no Hotel Renaissance, em São Paulo. Infelizmente, local nada agradável para provar vinho devido à fraca iluminação. No total, 27 produtores apresentaram seus rótulos.</p>
<p>O antigo e o moderno Alentejo puderam ser provados. De um lado muitos vinhos elaborados com as tradicionais castas alentejanas, como o Alfrocheiro, o Alicante Bouschet, o Aragonês, o Castelão, o Trincadeira e Touriga Nacional nos tintos. Nos Cartuxa Reserva 2007, Herdade da Malhadinha Nova 2008, Monte dos Cabaças, Margarida e Marquês de Borba Reserva 2008.</p>
<p>É fundamental dizer que nenhum vinho apresentou defeito ou se por­tou mal durante a prova. Como sempre deve ser, cada um dos 20 degustadores presentes teve lá suas predileções, mas nenhum vinho decepcionou. Tal fato é significati­vo porque prova a regularidade da qualidade dos alentejanos. A difi­culdade é sempre descobrir qual foi o melhor. No conjunto, as qualidades de todos se destacaram, ficando en­tão por conta de cada um o que mais lhe agradou, se foi o conjunto, ou se os aromas se destacaram mais que o sabor, ou se o retrogosto era ou não persistente. Todos os degustados são altamente recomendados para a va­riada gastronomia não só alentejana, mas também internacional.</p>
<p>Esta é uma prova real que ratifica a qualidade da produção do Alentejo. Adormecidos por força de antigas leis, os vinhos alentejanos ressuscitaram a partir dos anos 1980 do século passado. E, ao lado dos vinhos maduros do Dou­ro, lançaram um Portugal moderno para o mundo. Sem esquecer que quem primeiro colocou o vinho alentejano no circuito mundial foi José Roquette, da Herdade do Esporão, embora muitos outros tenham sonhado e trabalhado por isso. Dentre todos, lembro­me com saudade do professor Francisco António Colaço do Rosário e de seu ar paciente a descrever as virtudes do vinho local.</p>
<p>Beber vinhos do Alentejo é acer­tar na escolha. Dos mais simples às garrafeiras e reservas, é sempre uma agradável surpresa!</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em novembro de 2011, nº 99</em></p>
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		<title>Milagres chilenos</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 14:16:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No mês passado aconteceu a 17ª edição do Catad'Or W Santiago Awards, nos salões do magnífico Hotel W, de Santiago do Chile. O evento reuniu um grupo de experts internacionais e chilenos que, comandados por Maria Isabel Mijares, conceituada prova­dora de vinhos da Organização Internacional do Vinho (OIV), provou mais de 500 rótulos daquele país.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Uma maratona de provas, durante o Catad&#8217;Or W Santiago Awards, resulta numa deliciosa viagem por mais de 500 vinhos do Chile</em></strong></p>
<p>No mês passado aconteceu a 17ª edição do Catad&#8217;Or W Santiago Awards, nos salões do magnífico Hotel W, de Santiago do Chile. O evento reuniu um grupo de experts internacionais e chilenos que, comandados por Maria Isabel Mijares, conceituada prova­dora de vinhos da Organização Internacional do Vinho (OIV), provou mais de 500 rótulos daquele país.</p>
<p>Com perfeita organização, o encontro in­tercalou provas técnicas com visitas a algumas das mais importantes vinícolas chilenas, loca­lizadas em distintos vales. Todos os avaliadores puderam conhecer a grande diversidade geo­gráfica do Chile, o que se configura fator deci­sivo para a qualidade dos vinhos locais.</p>
<p>O tour teve início com visita à Casa Sil­va, localizada no Vale de Colchagua (Rapei), e que tem no comando o competente e co­nhecido amigo Mario Geisse. Dos dez vinhos degustados, destacou­se o Altura ­um corte de Carménere, Cabernet Sauvignon e Perit Verdot, com 18 meses de estágio em barrica de carvalho francês. Em seguida foi a vez da bode­ga Clos Apalta/Vifía Lapostolle, onde brilhou o Cios Apalta 2008. A exuberância da uva Carménere marcou presença. Nesse mesmo dia seguimos para a Via Wines, no Vale de Mau­le, onde um Late Harvest 2010 de Sauvignon Blanc foi o destaque.</p>
<p>Voltamos 300 quilômetros ao norte e nos dirigimos para San Antonio/Vale de Leyda até a Vifía Garcés Silva, que produz os famosos vi­nhos Amayna, onde um espetacular Sauvignon Blanc e outro nada menos qualificado Pinot Noir nos aguardavam. Seguiu­-se uma visita a Matetic e a seus vinhedos orgânicos que dão origem a uma gama de rótulos nobres, como os Riesling e Gewurztraminer, com mineral idade igual à encontrada nos da Alemanha. Do Vale de Leyda seguimos para o Vale de Casablanca para visitar a Casas dei Bosque, onde um Syrah Gran Reserva 2009 surpreendeu a todos.</p>
<p>Todo esse ciclo foi encerrado com visitas à Vifla Errazuriz, no Vale de Aconcagua, e ao Haras de Pirque, no Vale de Maipo. Com Eduardo Chadwick, da tradicional família Er­razuriz, provamos uma coleção de seus mais em­blemáticos rótulos, tendo se destacado o The Blend 2008 ­potente vinho com 14,5% de álcool e um perfeito corte de Carménere, Syrah, Petit Verdot, Mourvedre e Cabernet Franc. O Haras de Pirque, um Sauvignon Blanc jovem, da safra de 2011, foi o destaque. Além de agradar ao paladar, foi um grande alívio pelo intenso calor que fazia no Vale de Maipo.</p>
<p>Todos esses compromissos foram coroados com almoços e jantares em mesas impecavel­mente arrumadas e com o melhor da gastrono­mia chilena. Numa das refeições, o chef chi­leno Guilhermo Rodrigues assinou um menu impecável, com criações meloráveis, fazendo uso da mais típica comida caseira que o povo chileno tanto aprecia.</p>
<p>Nas três sessões de provas do Catad&#8217;Or, to­das realizadas pela manhã, 16 provadores divi­didos em grupos de quatro provaram 35 vinhos em média por dia. E também fizeram uma prova inédita com 20 amostras de Pisco e uma prova de cervejas especiais do Chile. Os degustadores chilenos se revezaram durante os três dias de prova, mas os convidados internacionais parti­ciparam ativamente durante todas elas.</p>
<p>Nosso grupo foi formado por provadores do Canadá, Estados Unidos, México, Espa­nha, Japão, Hungria, além de Brasil. Só foram concedidas medalhas de Grande Ouro, Ouro e Prata, e também revelados os nomes dos ganhadores dessas categorias, sem ser citada a pontuação obtida. Para os vinhos foram seis medalhas Grande Ouro, 110 Ouro e 38 Pra­ta. Na categoria Pisco, uma medalha Grande Ouro e três medalhas Ouro.</p>
<p>A grande premiação de medalhas de ouro se deve à excepcional qualidade generalizada que os vinhos do Chile apresentam. Com fa­tores climáticos perfeitos e sanidade em seus vinhedos livres de pragas, o produtor chileno é o único no mundo que pode se gabar de ter sempre à mão uma matéria­prima perfeita para a elaboração de seus vinhos.</p>
<p>É de domínio público que se cultiva muito ainda no Chile uma cepa antiga, trazida pelas pri­meiras missões dos jesuítas que vieram catequizar os índios mapuches. Essa cepa é conhecida como País e sempre deu origem a vinhos comuns. A grande surpresa dessa viagem foi a criação de um espetacular espumante chamado Santa Digna Este­lado Rosé, com um tom de cor inebriante, 100% oriundo da cepa País, com 6,2 gramas de açúcar e 12% de álcool. Projeto da Casa Torres, tradi­cional bodega da Espanha que, pelos anos 1970, instalou­-se também no Chile. Ficou provado, mais uma vez, que mesmo com uvas não viníferas, no Chile, milagres acontecem.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em outubro de 2011, nº 98</em></p>
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		<title>Novo terroir chileno</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 14:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
		<category><![CDATA[Chardonnay]]></category>
		<category><![CDATA[Chile]]></category>
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		<category><![CDATA[uva Malbec]]></category>

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		<description><![CDATA[Pedro Parra é um jovem entusiasta do mundo dos vinhos. Chileno, ele é no mundo um dos seis Ph.D.s em <em>terroir</em>, e o único latino-americano a fazer parte desse restrito grupo. Em recente passagem pelo Brasil, esteve em São Paulo, onde participou de um importante evento organizado pela Wines of Chile, entidade que cuida da divulgação dos vinhos chilenos em todo o mundo. Na ocasião, mostrou-se uma pessoa de fala fácil e cativante. E, melhor, daquele tipo que não gosta de complicar: em 90 minutos, expôs tudo o que sabe sobre o solo e o subsolo de seu país. Falou também da influência de tais aspectos no produto final.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Pedra Parra, mestre na arte do estudo do solo para vitivinicultura, revela mudanças no mundo vinícola do Chile</em></strong></p>
<p>Pedro Parra é um jovem entusiasta do mundo dos vinhos. Chileno, ele é no mundo um dos seis Ph.D.s em <em>terroir</em>, e o único latino-americano a fazer parte desse restrito grupo. Em recente passagem pelo Brasil, esteve em São Paulo, onde participou de um importante evento organizado pela Wines of Chile, entidade que cuida da divulgação dos vinhos chilenos em todo o mundo. Na ocasião, mostrou-se uma pessoa de fala fácil e cativante. E, melhor, daquele tipo que não gosta de complicar: em 90 minutos, expôs tudo o que sabe sobre o solo e o subsolo de seu país. Falou também da influência de tais aspectos no produto final.</p>
<p>Entre as novidades apresentadas está uma nova terminologia dada ao vinho daquele país. Fruto de um decreto presidencial, o reconhecimento das regiões de origem do vinho do Chile traz mudanças. Agora, a determinação pede a nomenclatura de Andes (no sopé da Cordi­lheira), Entre Cordilheiras (ou seja, entre os Andes e a Cordilheira da Costa, que hoje conhecemos como Vales) e Costa-Pacífico (regi­ões próximas ao Oceano Pacífico).</p>
<p>Essa nova lei visa identificar com mais propriedade e segurança a verdadeira localização dos vinhedos de onde provêm as uvas com que elaboram um vinho. Anteriormente, isso era somente identificado pelo nome de Vales. Tal organização é perfeitamente correta, pois existem regiões, como o Vale de Maule, que são extensas e com área de vinhedos que, a partir de agora, abrangem estas três novas localizações geográficas. Fato que faz grande diferença no resultado final justamente porque a composição do solo nessa extensa faixa de terra pode ser bastante distinta.</p>
<p>Pedro ainda discorreu sobre o mosaico de terroirs distintos do Chile. De maneira simples, os resultados finais se mostram em diferentes solos: calcário, xisto, granito. Este último, particularmente, é composto de três rochas e, segundo Parra, figura como &#8220;os reis dos solos&#8221; para as uvas. Há ainda outras rochas que marcam presença nos sabores dos vinhos chilenos: há, por exemplo, dez tipos de granito. Para o especialista, todas as rochas provenientes de erupções vulcânicas são as que oferecem mais qualidade aos vinhos. Há todo um estudo sobre esse assunto, ao que os geólogos chamam de litologia do vinho.</p>
<p>Mais um ponto alto sobre o que Parra discorre: a liderança, hoje, do Chile no mundo da política de sustentabilidade para a produção de vinhos. O programa implantado no manejo de sua agricultura há muitos anos, não cuida só do meio ambiente. A ação anda junto com um programa social empresarial que visa às con-dições de vida sustentáveis e à distribuição de renda a toda a população envolvida na cultura da vinha e do vinho. Cada ação de melhoria e que visa a um resultado final de qualidade, leva em média cinco anos até ser implantada em todo o país como política oficial. Sendo assim, resta o clichê-padrão e verdadeiro: o tempo é o mestre de tudo isso.</p>
<p>Parra selecionou dez vinhos para a degustação, e para justificar seu discurso, todos de diferentes terroirs. Cada um com uma situação específica: um vi­nho da uva Malbec, cultivada a 900 metros de altitude, e um Chardonnay cultivado em solo de pedras fraturadas, a 890 metros de altitude.</p>
<p>Foi uma agradável experiência poder provar: Espino Gran Cuvée Chardonnay, da William Fevre o Cios des Fous Monges Vineyard Chardonnay 201 O T.H. U md ir­raga Pinot Noir, de Leyda Limavida Old Buch Malbec/ Carménere, da De Martino Santa Carolina Specialties Carignan Cauquenes, este, oriundo de um solo de granito velho de 250 milhões de anos.</p>
<p>Ainda nessa prova: Pangea 2007, 100% Syrah do Fun­do Apalta, no Vale de Colchagua o LFE ­900 Luis Feli­pe Edwards, um Malbec de cor espetacular Cios des Fous Pinot Noir 2010 El Principal 2006, com 83% Cabemet Sauvignon e Carménere, oriundo da área mais gelada do Chile, em Pirque Altair 2004, um assemblage de 86% Ca­bernet Sauvignon, 7% Carménere e Merlot.</p>
<p>Ficou mais uma vez provado que o Chile continua no caminho certo. E até o mais simples dos vinhos produzidos lá agrada, e muito. A prova disso está nos números: o país é o primeiro fomecedor de vinhos para o Brasil. Hoje, tem 35% de participação em nosso mercado, e so­mos ainda o quinto maior importador dos vinhos chile­nos. Com todo esse cuidado, em breve, o Chile ampliará sua participação entre nós, exigindo dos países do Velho Mundo um trabalho redobrado para não perderem mais posições em nosso mercado.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em setembro de 2011, nº 97</em></p>
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		<title>Calvário até a taça</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 13:50:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
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		<category><![CDATA[importação]]></category>
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		<description><![CDATA[Como vai o Brasil? Vai bem, obrigado! Vivemos bons dias em nossa economia e o consumo nacional de vinhos implantou-se definitivamente entre nós. Quando comecei a estudar vinhos em 1969, nossa política para os nacionais ou importados era pior do que a da Albânia, então o país comunista mais desconhecido do mundo! Vinho era um assunto quase inabordável. Só uma elite entendia do assunto. Com o passar do tempo, a bebida começou lentamente a habitar o dia a dia de muitos. A distribuição foi democratizada e todos os pontos de varejo de produtos comestíveis começaram a vendê-la.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como vai o Brasil? Vai bem, obrigado! Vivemos bons dias em nossa economia e o consumo nacional de vinhos implantou-se definitivamente entre nós. Quando comecei a estudar vinhos em 1969, nossa política para os nacionais ou importados era pior do que a da Albânia, então o país comunista mais desconhecido do mundo! Vinho era um assunto quase inabordável. Só uma elite entendia do assunto. Com o passar do tempo, a bebida começou lentamente a habitar o dia a dia de muitos. A distribuição foi democratizada e todos os pontos de varejo de produtos comestíveis começaram a vendê-la.</p>
<p>Uma pequena legião de enófilos anônimos, por meio de clubes, associações e confrarias iniciaram a cruzada de levar o vinho pelos quatro cantos do país, fazendo despertar novos consumidores. A indústria nacional se profissionalizou e rapidamente adotou modemas técnicas de elaboração, apostando tudo em sua qualidade. Se o produto final que chega a nossos cálices é uma maravilha, o caminho percorrido é um calvário.</p>
<p>No caso do vinho brasileiro, só 5% do valor que pagamos refere-se ao líquido. Os outros 95% são impostos e insumos diretos e indiretos que recaem sobre o produto. Desde Getúlio Vargas que não temos um presidente da República que goste de vinho &#8211; de cachaça, tivemos um monte! -, que entenda do assunto e que seja capaz de explicar aos economistas que esse produto é um alimento, portanto sua carga tributária deve ser diferenciada. Se ainda não temos o consumo igual ao dos países mais civilizados do mundo, devemos isso aos preços abusivos.</p>
<p>No caso do vinho importado, é pior ainda. Até pouco tempo atrás, todo importador de coisa boa no Brasil era visto com maus olhos pela sociedade. Era a lei do mau gosto. que imperava. Importar era trair a pátria. Mas, quando nós exportamos, somos patriotas. Dá para entender?</p>
<p>Agora, para ajudar um pouco mais, foi inventado o &#8220;maldito&#8221; selo de controle, como se isso resolvesse o problema da nação. Dizem que é para evitar o contrabando. Se perguntarmos a um aluno do jardim de infância de onde vem o contrabando no Brasil, ele responderá sem pestanejar: do Paraguai! Todos sabem, menos as autoridades constituídas, que se fizessem o devido controle de fronteira por certo barrariam o contrabando.</p>
<p>Vejo nesse selo mais uma tentativa de bloquear o bom gosto. Se aumentam aqui os custos de importação com novos impostos, quem pode pega um avião e vai gastar o dinheiro em outros cantos do mundo, pagando preços mais honestos pelos vinhos.</p>
<p>A conclusão que tiro disso tudo é que quem legisla no Brasil é contra o bom gosto. Carros caros podem ser exibidos, dão sinal de status, mas vinho bom e caro é um crime de lesa-pátria! Infelizmente, não estamos preparados para lidar com o sucesso. O dinheiro veio rápido, mas a cultura leva algumas gerações para ser implantada e praticada. Acredito que enquanto os produtores nacionais não se unirem aos importadores, e juntos lutarem fortemente contra as leis arbitrárias e os impostos abusivos, não chegaremos a lugar nenhum.</p>
<p>É importante lembrar às autoridades do Brasil que o mundo é regido pela lei da reciprocidade. Você me prejudica aqui, eu te prejudico ali. Um país como o nosso, que cresce muito graças a suas exportações, deve entender que os outros também querem vender para nós. Portanto, um pouco de boa vontade, que pode até ser celebrada com uma taça de vinho no final da reunião, não faz mal a ninguém. Peço aos burocratas que não estraguem nosso prazer de conviver e degustar nossos vinhos com as pessoas que amamos!</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em agosto de 2011, nº 96</em></p>
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		<title>Um legado para a história</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 14:33:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos em revistas]]></category>
		<category><![CDATA[Antónia Adelaide Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Ferreirinha]]></category>
		<category><![CDATA[vinho do Porto]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 4 de julho, celebramos os 200 anos de nascimento de dona Antónia Adelaide Ferreira, carinhosamente chamada "Ferreirinha", mulher que, além de seu tempo, foi e ainda é considerada a maior profissional empreendedora no setor do vinho do Porto. Até os dias de hoje, nos quase 400 anos de história do vinho do Porto, não surgiu ninguém com a capacidade empreen­dedora e dinâmica dessa senhora, por tudo o que ela fez em uma época em que o Douro era compa­rado a uma das regiões mais inóspitas do mundo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>A celebração dos 200 anos de nascimento de dona Antónia Adelaide Ferreira, a &#8220;Ferreirinha&#8221;</em></strong></p>
<p>Em 4 de julho, celebramos os 200 anos de nascimento de dona Antónia Adelaide Ferreira, carinhosamente chamada &#8220;Ferreirinha&#8221;, mulher que, além de seu tempo, foi e ainda é considerada a maior profissional empreendedora no setor do vinho do Porto. Até os dias de hoje, nos quase 400 anos de história do vinho do Porto, não surgiu ninguém com a capacidade empreen­dedora e dinâmica dessa senhora, por tudo o que ela fez em uma época em que o Douro era compa­rado a uma das regiões mais inóspitas do mundo.</p>
<p>Nascida filha de nego­ciante de vinho, Antónia logo se interessou pelos negó­cios do pai, e passou a ajudá­-lo, acompanhando de perto como as vendas de vinhos se realizavam, principalmente quando eram feitas para os ingleses. Não só o comércio de vinhos atraía pai e filha, o arrendamento de quintas cul­tivadas com a vinha também. Assim, garantiam a qualidade do produto final e eram mais bem remunerados pelo vinho que produziam. Com isso, logo se tomaram fornecedores de referência, sempre solicitados pelos exporta­dores ingleses, como os Sandeman&#8217;s.</p>
<p>Com 23 anos dona Antónia casou­se com o primo António Bernardo Ferreira II, que, como ela, era filho de um grande negociante de vinho do Porto. Esses casamentos entre famí­lias eram comuns e asseguravam a manutenção do patrimônio conquistado nas mãos da mesma linhagem. Desse casamento, nasceram dois filhos, António Bernardo Ferreira III e Maria da Assunção. Não estando de acordo com a postu­ra comercial e a vida boêmia do marido, dona Antônia afastou­se dele em 1842, e partiu para viver na Régua, no Douro, local onde havia nascido e que tanto lhe agradava.</p>
<p>A partir de então, desabrochou de vez seu amor pelas terras do Douro. Obviamente, que esse amor vinha também acompanhado de forte interesse mercantilista, pois essa senhora tinha uma visão especial para os negócios e sabia que um mercado comprador como o inglês era exi­gente, fato que a obrigava a impor a melhoria constante da qualidade de seus vinhos.</p>
<p>Em 1844, com a morte do marido, dona An­tónia se vê só, à frente de grande fortuna e de todos os negócios da família, pois havia herdado também os bens de seus pais e dos sogros, pois tanto ela quanto o marido eram filhos únicos. Senhora absoluta de seus negócios, impôs o estilo Ferreirinha de administrar: atenção primordial a todos aqueles que trabalhavam a vinha, formação de estoques elevados de vinho, compra e arrendamento de muitas terras e presença maciça no mundo dos negócios de vinhos, fato inédito para uma mulher em Portugal no século XVII.</p>
<p>Como era avessa aos lu­xos e às futilidades dos salões de festas ­ quando frequentava um desses luga­res, era intencionalmente em busca de negócios, trabalhava sem parar. Em 1854, dona Antónia já era considerada a mulher mais rica de Por­tugal, quando o duque de Saldanha pediu para o filho a mão de sua filha em casamento. Dona Antónia rejeitou e teve início, então, uma his­tória que permanece confusa. Conta­-se que o duque mandou raptar a menina, então com 12 anos apenas. Com isso, ela fugiu para Londres levando a filha, o que provocou a ira do todo­poderoso duque de Saldanha.</p>
<p>Em Londres, a moça se casou com Francis­co Torres, seu braço direito nos negócios e um homem de livre trânsito na corte portuguesa.</p>
<p>Nesse meio-tempo, aconteceu uma das passagens mais marcantes da vida dessa nobre mulher. Durante a crise agrícola no Douro, provocada pelo ódio (uma praga devastadora para a vinha), dona Antónia, mesmo fora do país, mandou dar dinheiro a todos os necessitados da região. Tal fato seria eternamente lembrado por todos aqueles assistidos, que desde então começaram a tratá-la pelo carinhoso diminutivo de &#8220;Ferreirinha&#8221;, e até hoje é um orgulho para seus herdeiros.</p>
<p>Senhora de Terras, como também era conhecida, cuidou, remodelou, juntou e criou diversas quintas, dentre elas as mais importantes, que, com o passar do tempo, tomaram-se emblemáticas. Entre elas estão a Quinta do Vezuvio, Vagellas, Arnozelo, Nogueiras, Monte Meão, do Porto, Vallado Rodo e Acyprestes. Mesmo com o aparecimento da Filoxera vastratis, por volta de 1863, dona Antônia não se deu por vencida, foi à luta e realizou em suas propriedades os primeiros testes com enxertia em cepas americanas.</p>
<p>Embora zelosa e segura de seu patrimônio, os filhos saíram mais ao pai, e não tinham juízo quando o assunto era dinheiro. Ambos gastavam demais e dona Antônia vivia socorrendo-os em seus apertos financeiros.</p>
<p>Recusou o título de condessa do Vezuvio e seguiu vivendo espartanamente, sem luxos, dedicando toda a vida ao trabalho e à produção e comercialização de vinho do Porto. Quando faleceu, em 1896, era proprietária de 13.000 pipas de vinho, 24 quintas, além de muitos imóveis e ações de companhias portuguesas e estrangeiras. Toda a sua fortuna foi repartida entre seus dois filhos e 18 netos. Seus<br />
descendentes fundaram logo a seguir a Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto, que seguiu assim até 10 de dezembro de 1987, quando a Casa Ferreira foi adquirida pela gigante Sogrape.</p>
<p>O legado maior de dona Antónia foi seu amor e em-preendedorismo realizado no Douro, que se converteu em qualidade para o vinho do Porto, e que se mantém até os dias de hoje. Além de ser a marca de vinho do Porto mais conhecida de Portugal, a Ferreira brilha desde 1751 e é seguramente o maior orgulho do povo português, quando o assunto é vinho do Porto. Hoje, o rótulo Dona Antónia produzido pela casa presta uma justa homenagem a essa ilustre senhora, que foi muito imitada, mas até hoje nunca igualada ou suplantada.</p>
<p><em>*Texto publicado na revista Prazeres da Mesa em julho de 2011, nº 95</em></p>
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