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Harmonização inesquecível

20 julho 2009 | por Carlos Cabral | 3 Comentários

Recebendo um casal amigo em casa, daqueles que permitem improvisações e aceitam algumas mancadas, que felizmente não ocorreram, usei um pouco da improvisação para servir vinhos que combinassem com o que servimos, e a decisão do que tomar em conjunto, ou seja, anfitrião e convidados opinaram e o bom senso fez com que tudo desse certo.

Para quebrar o gelo da chegada degustamos uma Champagne Mumm, em meu poder por 9 anos, portanto já apresentava uma cor amarela mais pujante e o inconfundível tostado, lembrando fermentos. Um champanhe adulto e bem maduro, que iniciou a degustação do primeiro prato, que foi uma salada com alface roxo, de nossa plantação, ou seja , mais natural, impossível! Temperada levemente com molho de limão, maionese de leite e gotas de mostarda. Em cima da alface, uma grossa fatia de foie gras fresco, que era adornado com uma porção pequena de caviar negro russo.

Logo em seguida degustamos um Riesling da Alsace Les Pierrets de Josmeyer 2001, que me foi presenteado por Serg Zahil, que é o importador desta iguaria. Uma harmonia total, acidez perfeita, um vinho de sabor inconfundível que arrancou de mim o seguinte comentário: É por isso que o Amarante (enófilo José Osvaldo Albano do Amarante que é fanático por Riesling) gosta tanto de Riesling!

Leda, minha esposa, havia preparado um cozido, igual ao que sua mãe lhe ensinou a fazer, com fortes características da culinária alemã. Em um dia com muito frio aqui em Itupeva, São Paulo, com temperaturas por volta dos 13 graus, o cozido veio a calhar.

Ofereci aos convidados o direito de escolha para acompanhar o cozido, um Chateau Montrose 1982 ou um Pera Manca 1997. A escolha foi para o Pera Manca, que por sinal estava soberbo. Uma compota, e a cada momento o vinho, que foi decantado com 30 minutos de antecedência, se apresentava robusto, soberbo e com taninos doces, e com uma longa permanência na boca, fato que agradou a todos. Repetimos o cozido e logo demos cabo da garrafa.

Para antes da sobremesa, chegou triunfante à mesa um queijo da Serra da Estrela. Então o momento da surpresa. O jovem do casal convidado nasceu no ano de 1970, portanto fui buscar uma garrafa de Porto Borges Vintage 1970. Contei aos presentes que aquela garrafa era a última de uma série que ganhei do meu amigo e Confrade Mario Saraiva Pinto, nos tempos saudosos de quando era diretor de exportação da Casa Borges. A esposa do convidado fez-me um pedido, gostaria que eu partisse a garrafa com a tenaz, técnica lusitana para se abrir vinhos velhos, pois ela só ouvira falar de tal método, mas nunca havia presenciado tal.

Mãos à obra, tenaz ao lume, decanter de cristal, decantador com manivela e funil a postos, fomos à aventura. Deu tudo certo, o”clok” do vidro se partindo foi bem recebido, então partimos para o sacrifício. Os aromas de frutas vermelhas maduras e o álcool bem casado foram os dois pontos altos deste vinho, que pegou carona no bolo de nozes servido em seguida.

Éramos 4 convivas à mesa, quatro também foram as garrafas degustadas, fato que deixou todos em excelente estado de graça.

O mais interessante desta história é que este almoço foi marcado um dia antes, e os vinhos só selecionados na hora, e tudo foi tão perfeito quanto a Filarmônica de Berlin executando Beethoven!

Moral da história: Boa vontade, amigos e mesa farta, transformam tudo em um sábado inesquecível.

3 Comentários »

  • Rodrigo disse:

    Olá Carlos,
    Fiquei encantado com seu poder de harmonização, ficou maravilhoso.
    Agora fiquei curioso nos trechos finais, na abertura do porto, não sabia dessa técnica para se abrir vinho antigo, poderia postar algo sobre?

    Abraços.

  • Elize disse:

    Sinto-me honrada por conhecer pessoas como o Sr. e a Dna. Leda.

  • Carlos Cabral (author) disse:

    Caro Rodrigo,

    Consulte o site http://www.ivdp.com.pt, que é do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e veja tudo sobre estes vinhos e também consulte o site da Ass. dos Escanções de Portugal onde você verá fotos desta bela técnica de se abrir garrafas velhas de vinho do Porto, para se evitar que as rolhas velhas se desmanchem ao contato com o saca rolhas.

    Grato,

    Carlos Cabral

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