O gigante de concreto
A Argentina vivia seus melhores dias, economia forte e seu povo tinha o maior e melhor índice de alimentação do mundo, onde trigo, carne e vinho eram abundantes. Poucos sabem disso, mas foram os argentinos, durante muito tempo os maiores consumidores de vinho do mundo, chegando aos 93 litros per capita, isso ainda porque adicionavam soda em seus vinhos, porque se não adotassem essa prática tomariam 186 litros.
Tempos em que um parreiral de Bonarda, a cepa mais cultivada em tempos remotos, chegava a produzir 25 toneladas de uva por ha. Sem a modernidade do inóx, os argentinos foram os grandes criadores de imensos depósitos de madeira, que já haviam sido abandonados na Europa, e também lançaram-se a construção de imensos depósitos de concreto.
A maior bodega da Argentina, a Peñaflor, localizada em Mendoza, e que pertencia a tradicional família de vitivinicultores de origem italiana, os Pulenta, vendia tanto vinho que foi obrigada a construir um gigantesco tanque de concreto, com capacidade para 5,5 milhões de litros de vinho, a uma profundidade de 20 metros do solo. Sobre este tanque, existem outros 10 tanques, também de concreto, com capacidade de 550 mil litros cada, que quando repletos de vinhos, eram despejados no tanque maior de 5,5 milhões de litros para que o corte fosse realizado.
O impressionante desta história é que estes 5,5 milhões de litros atendiam a demanda do mercado por 10 dias, portanto, 3 vezes por mês esta operação era realizada, e o vinho engarrafado, seguia de trem para Buenos Aires, onde era parte distribuído e parte consumido na capital Porteña. Um terminal ferroviário dentro da Peñaflor se encarregava da distribuição.
O impressionante é que hoje este enorme tanque está vazio. Em sua entrada encontra-se uma placa do Guinness Book afirmando ser aquele o maior tanque de concreto do mundo. Seguramente, uma quadra de tênis ou de vôlei pode ser instalada dentro desse enorme espaço, cujas paredes são revestidas de epóxi de cor verde.
Nem todo visitante tem acesso a este tesouro subterrâneo, mas ele é a grande testemunha de uma época que a Argentina anseia muito poder voltar.

Saudações Vinícolas!
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