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O poder do carvalho

25 novembro 2009 | por Editorial | Seja o primeiro a comentar

Muitos dos bons vinhos que você já degustou não teriam o mesmo sabor, aroma e textura sem a ação do carvalho. Diversos tipos de madeira já foram utilizados para fabricar barricas, como o castanheiro, o freixo, a acácia, entre outros. Com o tempo, porém, os produtores acabaram concluindo que o carvalho era a madeira que mais intensificava positivamente o sabor da bebida de Baco. Por esse motivo, é a escolha oficial dos produtores desde o Império Romano.

Os motivos que levaram a isso são vários. O carvalho foi eleito como mais indicado por ser forte o bastante para aguentar o desgaste do tempo e maleável o suficiente para ser moldado em barris. Além disso, essa madeira é responsável pelo surgimento de aromas agradáveis, pelo amaciamento de taninos, pela decantação de sólidos no vinho e pela micro-oxigenação.

Essa pequena “respiração do vinho” por assim dizer, que acontece através da madeira, tem um papel fundamental. Entrando em contato com uma quantidade muito controlada de oxigênio, a cor do vinho se estabelece e o leve amargor dos taninos some, fazendo com que a bebida passe a ser muito mais suave, encorpada e aveludada.

O habitat natural do carvalho é o hemisfério norte e subtropical. Sua árvore pode viver até mil anos, chegando até 50 metros, mas ela pode ser cortada para a fabricação de barricas quando tem de 150 a 250 anos.

Existem mais de 250 espécies de carvalho. As mais utilizadas são o carvalho americano Quercus Alba e os franceses Quercus robur e Quercus sessiliflora. O americano libera aromas mais intensos, que lembram coco e baunilha. Outra característica dessa espécie é ser mais dura e pouco permeável. Em contrapartida, os aromas liberados pelos barris franceses são muito mais sutis, mas conhecidos por serem complexos e elegantes.

O vinho pode ser colocado em barris novos, usados, ou até mesmo numa combinação entre os dois. Porém, em seu terceiro uso o impacto aromático do carvalho é muito prejudicado. Nesse estágio, ele passa ser útil apenas por sua microporosidade.

O tamanho das barricas também varia, mas praticamente todos os produtores do mundo usam os de 225 litros, como em Bordeaux. Esse volume foi escolhido porque quantidades menores oxidam demais o vinho e maiores fazem com que o fermentado não atinja toda sua complexidade.

É preciso lembrar, porém, que não existe um tempo certo para a bebida passar no carvalho e nem todos os vinhos ficam melhores amadurecendo no barril. Os brancos pouco encorpados, por exemplo, não são aconselháveis por terem uma estrutura pequena demais para abrigar o sabor de madeira e baunilha proporcionado pelo carvalho. Isso também acontece com vinhos tintos e brancos muito encorpados. Mas essas são pequenas exceções se comparadas ao extenso universo de vinhos beneficiados pela ação dessa madeira.

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