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Portugal, na Mistral

6 julho 2009 | por Carlos Cabral | 2 Comentários

A Mistral, a maior importadora de vinhos do Brasil, que tem a direção do enófilo Ciro de Campos Lilla, possui mais de 2.000 rótulos em seu catálogo, e já teve mais, tanto que se viu na oportunidade de abrir outra importadora, a Vinci, para dar sequência a um trabalho de atenção pessoal aos fornecedores e clientes com maior zelo e profissionalismo. A Vinci tem uma coleção de vinhos de Portugal de dar água na boca.

Tradicionalmente a Mistral edita 4 catálogos por ano. São tão ricos em informações e possui um conteúdo técnico do mais alto nível, que acabam virando peças de referências aos enófilos e apaixonados por vinho. Dificilmente um catálogo Mistral é jogado fora.

Quando consultamos a seção de vinhos de Portugal deparamos com vinhos de todas as principais regiões produtoras das terras lusitanas, nomes estrelados do mundo do vinho, que não são moda, mas produtores consolidados, com histórias de anos, até séculos, por trás de uma simples garrafa, fato que dá ao catálogo, respeito pela qualidade apresentada.

Começando pelo Alentejo, a Herdade dos Coelheiros, é uma unanimidade em termos de tintos alentejanos. É um vinho consagrado pelos críticos como “digno representante máximo daquelas plagas”. Da mesma região, o tradicional vinho Quinta do Carmo completa a linhagem alentejana. Vinho famoso e com muita história para contar, pois tem como proprietários os mesmos donos do Chatêau Lafite-Rothschild, por si só uma lenda no mundo dos vinhos.

Do Alenquer, os vinhos da Quinta do Monte d’Oiro já são a grande referência desta região, destacando-se o Aurius com jóia maior.

Das regiões de Bucelas e Palmela os vinhos da Quinta da Romeira apresentam a melhor relação custo-benefício do catálogo. Quando chegamos a Bairrada, nada menos que uma espetacular coleção de vinhos do célebre “criador de vinhos” Luis Pato nos aguarda. Nada menos que 20 rótulos distintos, apresentados em diversos formatos de garrafas estão à disposição. É bom lembrar que foi Luis Pato quem colocou a Bairrada de volta no mapa vinícola de Portugal. Luis fez uma revolução e hoje colhe os frutos desse trabalho paciente que consiste em investir nas castas típicas da Bairrada, tirando o máximo da tipicidade de cada cepa, resguardando suas características básicas. Aqui se destaca o célebre vinho Pé Franco, verdadeira mistura de corpo e alma da Bairrada.

Da Campolargo, o vinho branco da uva Bical é uma história à parte. Disputa há muito tempo o primeiro lugar como o melhor vinho branco maduro de Portugal. De um pequeno produtor bairradino, a Quinta de Foz do Arouce , o seu vinho Vinhas Velhas de Santa Maria, merece atenção especial.

E o que dizer dos vinhos do Palácio do Buçaco! Vinho lendário e mítico, criado pelas sábias papilas do Sr. Santos, um “lord” à serviço de Portugal e de seus vinhos. Fruto da inteligente mistura de uvas da Bairrada e do Dão, este vinho fez história por mais de 50 anos, honrando, e muito, a tradicional vitivinicultura de Portugal. Antes este vinho só podia ser degustado no restaurante do Palácio do Buçaco, assim aconteceu por mais de 40 anos seguidos. Agora, um simples telefonema nos coloca o vinho em casa. Vale a pena provar e aprovar o porque este vinho, até os dias de hoje é uma lenda viva.

A região do Dão, última a adotar técnicas modernas de vinificação e dar atenção ao conceito “terroir” tão em moda hoje, está presente no catálogo com três emblemáticas Casas vinícolas, a Quinta da Pellada, incontestavelmente o melhor produtor do Dão, a Quinta do Perdigão e a Quinta da Ponte Pedrinha, estas duas últimas são pequenas propriedades que a cada ano se destacam pela qualidade superior de seus vinhos.

No Douro, a primeira região vinícola demarcada do mundo, um mundo de grandes vinhos nos aguarda. A começar pela Quinta do Vale Meão, antiga propriedade da grande Senhora Antonia Adelaide Ferreira, a “Ferreirinha da Régua”, que hoje pertence a um de seus trinetos, meu amigo e Chanceler da Confraria do vinho do Porto Francisco Javier Olazabal, o “Vito”. Deste solo sagrado, nasceu em 1953 o grande vinho português Barca Velha, orgulho de uma nação voltada para o mundo dos vinhos. Hoje o vinho lá produzido o Quinta do Vale Meão tinto, é considerado um dos 3 melhores vinhos tintos de Portugal. O vinho Chryseia, elaborado pela família Symington em parceria com Bruno Prats, do lendário Château Cos d’Estournel, foi o responsável por colocar os vinhos maduros do Douro em evidência internacional, no final do século passado. Está aqui um vinho para ser degustado de joelhos ouvindo-se uma Sonata de Mozart!

Os vinhos Quinta do Côtto, o Redoma dos Niepoort, o Quinta de Roriz, o Altano da Graham’s e os Lavradores de Feitoria completam esta fantástica linha. Só com este time de vinhos do Douro, um enófilo convicto e praticante pode passar o resto de sua vida em “estado de graça”, caso deguste estas preciosidades regularmente! No quesito dos vinhos tradicionais de Portugal, o catálogo se encerra com um bom Alvarinho do Minho, o Soalheiro e os vinhos do Ribatejo, hoje chamado de região de Lisboa, os vinhos da Quinta da Lagoalva de Cima, que no final dos anos 80 do século passado inovou na publicidade de seus vinhos, provocando uma grande revolução na mídia impressa. O vinho Lagoalva de Cima Alfrocheiro é para se conferir.

Mais de uma centena de rótulos de Portugal são ofertados neste catálogo da Mistral, não comentarei aqui as linhas de Vinhos do Porto e da Madeira disponíveis, isto será tema de uma próxima intervenção, mas já posso afirmar com segurança: As linhas de vinhos disponíveis são de primeiro lugar no mundo desses vinhos, é só uma questão de conferir. Assim, fazendo com prazer um trabalho que ama, Ciro Lilla, com a sua Mistral, nos proporciona momentos de pura alegria.

2 Comentários »

  • karel disse:

    Possuo os seguintes vinhos:
    2 garrafas n° 90104 e 90001, de Velharia – safra 1982 da Adega Coop. da Labrugeira
    1 garrafa da Cave Solar dos Franceses – Anadia – safra 1968
    1 garrafa n° 34844 da Garrafeira n° 1 – Dom Camilo – safra 1974 da Vitavinhos
    Gostaria de saber se teem algum valor e se alguem poderia eventualmente estar interessado.

  • Carlos Cabral (author) disse:

    Caro Senhor,

    No Brasil estes vinhos não tem valor de mercado. Aqui só os franceses de Bordeaux e da Borgonha, de anos excepcionais tem valor.

    Grato,

    Carlos Cabral

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