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Quinta da Alorna: Bons vinhos, bom amigo

3 julho 2009 | por Carlos Cabral | Seja o primeiro a comentar

Ao provar hoje, dia 30 de junho de 2009, os vinhos da Quinta da Alorna em um almoço realizado no restaurante Antiquarius em São Paulo, pude constatar que a qualidade é uma constante por aqueles lados do Ribatejo, hoje , para o mundo do vinho, só conhecida como a região do Tejo.

Os cinco vinhos provados são oriundos de uma propriedade multiprodutiva, que tem 2.800 hectares e não produz só vinhos. Milho, trigo, beterraba, ervilha e tomates fazem parte deste agronegócio que remonta ao ano de 1723, ano em que D. Pedro Miguel de Almeida (1688-1756) comprou a Quinta de Vale de Nabais. Este fidalgo senhor, antes de ser nomeado vice-rei da Índia, onde por bravura tomou o Forte de Alorna – daí ter recebido de D.João V o título nobiliárquico de Marquês de Alorna -, foi Governador das Capitanias de São Paulo e de Minas do Ouro, neste nosso vasto Brasil.

Somente 220 hectares do total de 2.800 da propriedade são cultivados com vinhedos, onde cepas portuguesas dividem espaços com as cepas mais consagradas do mundo vinícola. As castas tintas cultivadas são: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira, Castelão, Tinta Roriz, Syrah, Alicante Bouschet e Tinta Miúda. As brancas são: Arinto, Chardonnay, Fernão Pires e Trincadeira das Pratas.

Todos os vinhos degustados são da lavra dos enólogos Nuno Cancela de Abreu e Martta Simões. Iniciamos com o Quinta da Alorna Branco 2008, oriundo das castas Arinto e Fernão Pires. Excelente vinho de aperitivo, ou pré-festa, que delicadamente soube bem acompanhar os minúsculos bolinhos de bacalhau. Seguiu-se o Qunta da Alorna Reserva Branco 2008, vinho já com mais estrutura de boca e acidez bem marcante, fruto da boa vinificação das castas Arinto e Chardonnay. Com toques cítricos e de manteiga, este vinho portou-se bem no acompanhamento da Brandada de Bacalhau, muito cremosa e saborosa.

Já o pujante Arroz de Pato teve o privilégio de ter dois vinhos para o acompanhar, o Quinta da Alorna Tinto 2007 e o quinta da Alorna Reserva Tinto 2007. O primeiro vinho é soberbo, graças ao toque sempre magistral que a Alicante Bouschet consegue pelas terras lusitanas, embora este vinho tenha ainda em sua composição as cepas, Castelão, Syrah e Tinta Roriz. O pequeno estágio de 4 meses em barricas de carvalho não lhe tirou a frescura de um nobre vinho, de aromas encantadores.

O Reserva, que estagiou 12 meses em carvalho e é uma mescla de Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional, com seus potentes 14,0% de álcool, é também sempre recomendado, mas nesta contenda, para mim, ficou em segundo lugar entre os tintos.

Na sobremesa, o Toucinho do Céu foi acompanhado pelo Quinta da Alorna Colheita Tardia Branco 2004. Elaborado cm 100% de Fernão Pires , tem aromas de mel e de damasco. Sua cor amarela ouro é correta, e sua acidez perfeita, fato que não o torna enjoativo. Este vinho deve acompanhar, e bem, os queijos azuis.

O enólogo Nuno d’Orey Cancela de Abreu, meu confrade na Confraria do Periquita, é daqueles ilustres privilegiados que teve boa escola quando o assunto é vinho. Entre os anos de 1981 e 1987, Nuno trabalhou como diretor Executivo da ADIVID – Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense. Esta entidade que foi concebida pelo grande amigo e Mestre José Antonio Ramos Pinto Rosas, teve o concurso de João Nicolau de Almeida, então, como o Nuno, recém chegado da França onde foram completar seus cursos de enologia. O simples fato de ter trabalhado por 6 anos com Zé Antonio Rosas dá ao Nuno a capacidade de ser um apaixonado por vinho, pois só um “sem alma” não se deixava levar pelos ensinamentos humanos e técnicos que o Zé Antonio sabia com muita simplicidade passar. Neste quesito vale aquela máxima: Diga-me quem foi o teu professor, que eu te digo quem você é!!!!!!

Hoje, com uma bagagem de muitos anos em vinho, que não vem só da escola, mas de casa, onde há 5 gerações sua família vem se dedicando aos vinhos, Nuno pode nos brindar com estas maravilhas hoje degustadas.

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