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	<title>Carlos Cabral &#187; Porto Vintage</title>
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		<title>Uma excelente prova de vinhos do Douro</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 18:50:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias de vinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Douro]]></category>
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		<description><![CDATA[No último dia 28 de abril, a convite do IVDP – Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, dirigi uma prova de vinhos do Douro para jornalistas e enófilos convidados, nos salões do Hotel Unique, em São Paulo.
Depois do repentino, e felizmente contínuo sucesso dos vinhos do Alentejo, em todo o mundo, os Vinhos do Douro vivem um momento igual.  Há séculos que se produzem vinhos maduros nesta centenária região produtora de vinhos de Portugal, onde o vinho do Porto reina absoluto, mas o Vinho do Porto lhe ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No último dia 28 de abril, a convite do IVDP – Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, dirigi uma prova de vinhos do Douro para jornalistas e enófilos convidados, nos salões do Hotel Unique, em São Paulo.</p>
<p>Depois do repentino, e felizmente contínuo sucesso dos vinhos do Alentejo, em todo o mundo, os Vinhos do Douro vivem um momento igual.  Há séculos que se produzem vinhos maduros nesta centenária região produtora de vinhos de Portugal, onde o vinho do Porto reina absoluto, mas o Vinho do Porto lhe roubava as glórias. </p>
<p>Foi só á partir da década de 50 do século XX, que os vinhos maduros do Douro começaram a ser elaborados visando a atender ao gosto internacional, saindo assim da produção artesanal, que matava a sede dos do povo Dorense. É dessa época que o então enólogo da Casa Ferreirinha Fernando Moreira Paes Nicolau de Almeida apelidado pelo pessoal do Douro de “cheirista”, apresenta ao mundo o seu mítico, Barca Velha. Este vinho reinou absoluto no mundo dos vinhos tintos do Douro até o início do século XXI.</p>
<p>Agora, uma centena de rótulos de vinhos tintos, brancos e até espumantes produzidos no Douro alegram os nossos corações.</p>
<p>Que  a região do Douro produz excelentes tintos, isto muita gente já sabia, e quem foi o primeiro a falar sobre este assunto foi o célebre Barão Joseph James Forrester, lá pelos idos de 1840. </p>
<p>Foi uma necessidade comercial recente que fez com que os tradicionais produtores de Vinho do Porto passassem a dar mais atenção ao potencial que a região tem em elaborar vinhos maduros de alta qualidade, pois o mercado de vinho do Porto, luta bravamente para manter seus números, diante de uma grande concorrência com o surgimento de novos vinhos e outras bebidas mais fortes no mundo dos destilados.</p>
<p>A prova  que realizamos, só veio a firmar em definitivo, que em muito breve, os vinhos maduros do Douro receberão do mercado internacional o título de melhores tintos das terras lusitanas.<br />
A seleção de vinhos degustados foi primorosa, o que mais chamou a atenção de todos é que nenhum dos 15 vinhos degustados apresentou um mínimo defeito que colocasse sua qualidade em discussão. Pareceu uma prova entre amigos, todos os vinhos apresentaram qualidades superiores e seus taninos maduros encantaram à todos os presentes.</p>
<p>Começamos degustando o espumante Vértice Reserva 2005, uma bem elaborada mescla das uvas Códega, Gouveio, Malvasia Fina, Rabigato, Touriga Franca, esta em maioria com 30% do blend, e a Viosinho. Todas as principais características positivas de um espumantes se encontravam presentes, chamando atenção o leve aroma de pão tostado, tão típico em espumantes mais velhos e bem nascidos.</p>
<p>Em seguida foram degustadas algumas garrafas do Redoma Reserva Branco 2006, incontestavelmente o melhor vinho branco de Portugal, até o momento. Nascido pelas mãos do amigo e Confrade Dirk Niepoort, que ao longo do tempo tem se mostrado como um dos mais brilhantes criadores de vinhos do Douro, este vinho tem origem em cepas com mais de 60 anos de cultivo, e esta maravilha é um blend  de Rabigato, Codega, Donzelinho, Viosinho e  Arinto. Tem maturação de 8 meses em carvalho, fato que ajuda em muito a torná-lo resistente, pois este é um caso raro de branco de Portugal que chega fácil aos 10 anos sem perder a qualidade. Vinho completo, que preenche a boca e ainda deixa muita saudade após a degustação, seu retrogosto é espetacular.</p>
<p>Seguiram-se a degustação dos outros 13 vinhos tintos reservados para essa ocasião.</p>
<p>Começamos com o Post-Scriptum 2006, da bem sucedida parceria Prats &#038; Symington, tradicional e muito antiga família inglesa produtora de afamadas marcas de vinho do Porto.</p>
<p>Este vinho é o resultado de um harmonioso casamento das 3 cepas tintas mais emblemáticas do Douro, a Touriga Nacional, a Touriga Franca e a Tinta Roriz. Com 13,5% de álcool, quase não se sente este volume, devido à maciez que o vinho tem. Taninos firmes, mas suaves, e uma presença no olfato muito agradável.  A parceria entre a família Prats de Bordeaux, que produz o não menos lendário Cos d’Estournel em Saint-Estèphe e os Symington, que já são uma lenda no setor do Vinho do Porto, não podia ser melhor, o resultado foi excepcional.</p>
<p>Uma novidade chamada Bons Anos, um Douro tinto de 2006, produzido pela Quinta das Hidrângeas e importado pela Magna Import, surpreendeu a todos pela exuberante qualidade.</p>
<p>Um harmonioso casamento entre as castas Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional, com uma potência de 14% vol, que no início da prova se torna imperceptível, agradou a todos os presentes, pois o vinho apresentou-se harmônico e com taninos suaves, o que lhe facilitava a prova.</p>
<p>Seguiu-se a prova com o Quinta do Cachão Touriga Nacional 2006 das Caves Messias. Vi o nascimento deste rótulo há passados 10 anos, quando a família Messias começou a produzir seus tintos maduros no Douro, onde já por muitas décadas produz seus afamados Vinho do Porto. Um verdadeiro “torpedo”, pois este vinho tem 15% de álcool. As framboesas maduras e ameixas pretas estão presentes fortemente nos aromas deste vinho, embora tenha só 6 meses de estágio em carvalho, toques leves e delicados de baunilha se fazem sentir. Uma ousadia da casa, pois este mono vinho da casta de Touriga Nacional veio para se firmar como vinho emblemático da Casa Messias.</p>
<p>Sandra Tavares e Cristiano Van Zeller assinam a próxima obra de arte, trata-se do vinho Quinta do Vale Dona Maria, já bastante aclamado como o melhor vinho tinto do Douro, depois do mítico  Barca Velha. Cristiano Van Zeller faz parte do grupo de jovens apelidados de “Douros Boys” que fizeram uma revolução em termos de vinhos de mesa na região do Douro.</p>
<p>Uma grande representação da vitivinicultura típica do Douro está presente neste vinho, nada menos que 7 uvas estão na sua composição, são elas: Tinta Amarela, Rufete, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Francesa, Touriga Nacional e Sousão. Este vinho passa 2 anos em barricas de carvalho, e tem uma cor rubi intenso e profundo. Seu retrogosto é longo, persiste e é muito agradável. Trata-se de um vinho que pode ser degustado com estas mesmas qualidades daqui a 20 anos.</p>
<p>O “pequeno” grande produtor do Douro Domingos Alves de Sousa enviou o seu vinho, não menos famoso, o Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2005. Com uma produção de apenas 3.500 garrafas, que tiveram sua origem em uma propriedade de apenas 2,5 ha, onde ainda existem vinhas com mais de 100 anos. Domingos informa que a base principal de seu vinho são as uvas Tinta Amarela, Sousa e Touriga Nacional e “outras”, estas outras como sabemos, fazem parte dos vinhedos antigos tradicionais do Douro, onde uma mescla de cepas eram cultivadas todas juntas. Este vinho tem 15,5% de álcool,o que o torna incomum no mundo dos vinhos tintos maduros, seus taninos são doces e macios , o estágio em barricas nova de carvalho francês é de 15 meses, e sua prova provoca um certo prazer, satisfação, logo interrompido pelo elevado grau alcoólico. Seguramente este é um vinho, longevo, pois resistirá facilmente, preservando suas qualidades por mais de 30 anos!</p>
<p>O mítico vinho Pintas seguiu a prova. Esta obra de arte da lavra de Dirk Niepoort, recebeu todos os louros dourados das maiores autoridades em pontuação de vinhos de todo o mundo. Trata-se de uma unanimidade. Sem medo de errar, o rótulo informa que este vinho foi elaborado com Touriga Franca, Tinta Amarela e outras ”27 castas”, que harmonicamente dão origem a esta jóia da vitivinicultura portuguesa. Pisa a pé em lagares de granito e estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês, com uvas cultivadas há passados 70 anos são os pontos chaves para obtenção desta jóia. Toda essa maravilha vem de um pequeno vinhedo de 2 ha localizado na região do Pinhão, no Alto Douro.</p>
<p>O vinho Vértice Grande Reserva Tinto 2006 apresentou-se com 14,5% de álcool, e tem o destaque para aromas que lembram especiarias. Tem uma produção de apenas 8.000 garrafas e se apresenta na boca como um vinho rico, pujante, mas sem se deixar destacar e surpreender pelos seus taninos macios.</p>
<p>Da emblemática e desejada Quinta do Noval veio para a prova o seu Douro DOC 2005. Elegante vinho elaborado pelo Rei dos Vintages, António Agrellos, este Noval tem um corte de 40% de Touriga Nacional, 50% de Touriga Franca e 10% de Tinto Cão. Não foi nenhuma novidade que dos mais belos terraços do Douro surgisse este maravilhoso vinho, rico em aromas e de um paladar memorável. Uma complexidade na boca, que logo deixa saudades!</p>
<p>No conjunto de vinhos degustados, onde todos apresentaram qualidades superiores, um haveria de se destacar, e foi o Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2006. Oriundo de cepas com mais de 70 anos de cultivo, este potente vinho de 14,5% de álcool deixou todos os degustadores perplexos. Esgotaram-se os adjetivos, foi melhor ficar quieto do que buscar palavras para descrevê-lo afinal estava-se diante de uma perfeição e perfeição não se comenta, admira- se e goza-se o momento! A topografia íngreme desta Quinta, aliada aos cuidados quase individuais que cada pé de uva recebe, só podia acabar nesta magistral obra de arte. Degustar este vinho é dar um bom presente a alma!</p>
<p>O Quinta Nova Reserva Tinto 2005, tem sua origem na famosa Quinta Nova de Nossa senhora do Carmo, hoje pertencente à Casa Burmester, mas que em tempos passados, por herdade, pertenceu aos herdeiros da Coroa de Portugal, os Duques de Bragança. Com uma produção de apenas 12.000 garrafas, este vinho de 14,0% teve uma maceração prolongada por 7 dias, tendo depois estagiado por 16 meses em barricas de carvalho novo, todas oriundas da França. O enólogo Francisco Montenegro foi competente e dar a este vinho o que ele merece, tempo para estar pronto para vir ao mercado. Vinho rico, robusto, elegante e com taninos macios, é um grande companheiro de um cordeiro assado ou até um bom arroz de pato, típico do Douro.</p>
<p>As surpresas não parariam por aí. Tínhamos ainda o Quinta das Tecedeiras Reserva Tinto 2005 para provar. Qualquer adjetivo seria pouco para descrever este caldo rico do Douro. Um grande vinho, ou melhor, um senhor vinho, destinado a poucos apreciadores que buscam vinhos vivos, robustos, mas educados, elegantes e finos. Todos estes adjetivos qualificativos são poucos para descrever esta agradável surpresa.</p>
<p>Seguiu-se a prova com o CARM Grande reserva 2005, produzido pela Casa Familiar Roboredo Madeira, que desde o século XVII se ocupa com vinhos.</p>
<p>Um clássico do Douro com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, com 14% de álcool, este vinho tem aromas pronunciados de frutas vermelhas maduras e toques florais que lembram a Esteva, flor típica do Douro. Com 12 meses de carvalho e mais 6 meses de estágio em garrafa, antes de ir para o mercado.</p>
<p>A prova foi encerrada com a degustação do Evel Grande Reserva Tinto 2006.<br />
Emblemático vinho, um dos primeiros vinhos maduros do Douro a serem elaborados, que fez sua entrada no mercado ainda na década de 70 do século passado, este vinho só tem evoluído a cada ano. Atingiu um patamar de qualidade invejável. Destacou-se dentre todos os provados, por ter um álcool de 12,8%, ou seja, vinho ao estilo mias normal que estávamos acostumados a encontrar. Oriundo de um elaborado corte de Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz e Tinto Cão, este vinho nasce no Pinhão, no Alto Douro e estagia por 18 meses em barricas de carvalho. Vinho complexo e extremamente agradável à boca e ao paladar.</p>
<p>No conjunto geral, foi uma mostra adulta e inteligente, pois deixou todos os 40 provadores perplexos e acuados quanto as suas considerações, pois não havia defeito em nenhum vinho, fato que obriga a todos a por a cabeça a pensar, uma vez que qualificar e destacar defeitos é muito mais fácil que aceitar virtudes, e prestar honras a elas.</p>
<p>São ações como estas que engrandecem os serviços do IVDP, são provas incontestes da qualidade de uma região centenária, que se redescobre a cada dia. </p>
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		<title>Um Porto Vintage para não esquecer</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2009 22:44:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Cabral</dc:creator>
				<category><![CDATA[O mundo do vinho do porto]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Vintage]]></category>
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		<description><![CDATA[Não serei eu a discordar da classificação dos Portos Vintage do século XX, aliás, concordo em gênero, número e grau, que os anos de 1904, 1912, 1927, 1945, 1963, 1977, 1985, 1994, 1997 e 2000 são realmente obras de Deus. 
Vinhos bem nascidos, bem criados e bem servidos, quando temos o privilégio de degustar, como se diz em Portugal, “estas pomadas”&#8230; 
Do 1904 lembro-me de um degustado no ano de 1984 na Sandeman, na companhia de um antigo enólogo da casa, com o mesmo nome que eu, Cabral. Estava vivo, ...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não serei eu a discordar da classificação dos Portos Vintage do século XX, aliás, concordo em gênero, número e grau, que os anos de 1904, 1912, 1927, 1945, 1963, 1977, 1985, 1994, 1997 e 2000 são realmente obras de Deus. </p>
<p>Vinhos bem nascidos, bem criados e bem servidos, quando temos o privilégio de degustar, como se diz em Portugal, “estas pomadas”&#8230; </p>
<p>Do 1904 lembro-me de um degustado no ano de 1984 na Sandeman, na companhia de um antigo enólogo da casa, com o mesmo nome que eu, Cabral. Estava vivo, parecia um ruby com um pouco de idade, não havia perdido muito de sua cor ruby intensa, quando de seu nascimento.</p>
<p>O ano de 1912 foi provado no último dia 17 de abril, na casa de um  jovem amigo, que aos 20 anos aprendeu a gostar de Vinho do Porto, devido as suas constantes visitas a antiga Casa Cabral, nos Jardins , em São Paulo. </p>
<p>Marcos Kitano e esposa  receberam Leda e eu para um jantar e no final, o Vintage Porto 1912 da Cockburn’s. Estava um “old Tawny”, o tempo lhe foi generoso, embora com uma cor topázio queimado, as frutas vermelhas maduras estavam presentes, e no final do cálice um leve toque de fumado se fazia presente. Foi degustado solenemente com uma torta de amêndoas, e brindado com os cálices ao alto e honra de Antonio Graça, que por mais de 40 anos trabalhou na Cockburn’s, e até hoje é alma dessa Casa de origem inglesa, mesmo não mais trabalhando nela.</p>
<p>O Vintage 1927, chamado de “um clássico” pelo mundo do Vinho do Porto, já tive mais sorte, pude degustar alguns rótulos como, Taylor’s, Quinta do Noval, Niepoort e Croft. Todos insuperáveis, mas o da Casa Borges é o que fez história comigo. Este era o ano de nascimento do querido amigo João Caldas, carinhosamente chamado por nós todos da SBAV (Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho) de Tio João, devido a ser o único entre nós a ter uma enorme cabeleira branca. Tio João, um Lord em todos os aspectos, adquiriu algumas garrafas dessa preciosidade, e deu-me a honra de abrir algumas delas, que eram solenemente degoladas, com a tenaz quente, filtradas, decantadas e servidas para o nosso deleite. Mesmo após a sua morte, a família do tio João me deu a honra de partir a penúltima garrafa do acervo, no ano de 2007, ano em que Tio João completaria 80 anos.</p>
<p>O Vintage 1945, considerado por muitos como a “Jóia da Coroa”, tem seu valor sentimental elevado, por ser o ano do fim da 2° Grande Guerra Mundial. Aqui provei o Fonseca, uma lenda neste assunto, Vintages de superior qualidade é com essa gente. O amigo Bruce Gumarães entendia muito desse assunto e felizmente seu filho David, puxou ao pai. O vinho estava ótimo, mas o Vintage 1945 marcante foi um Ferreira que o Sr. Fernando Moreira Paes Nicolau de Almeida, o célebre enólogo da Casa Ferreira, por 63 anos consecutivos e criador do Barca Velha, presenteou ao meu amigo e confrade Paulo Milagres Jr., quando este acompanhava um grupo de enófilos da SBAV a uma visita ao Douro e Porto no ano de 1989. </p>
<p>Nesse mesmo ano, outro bom amigo, o Sidney Rodrigues também ganhou uma garrafa de  Vintage Ferreira 1945, como Prêmio máximo por seu excelente trabalho à frente da gerência de vendas da importadora Aurora. Ambos, Paulo e Sidney são nascidos em 1945. O Paulo Milagres logo profetizou: A minha garrafa você irá abrir no aniversário dos meus 60  anos!</p>
<p>Tivemos paciência, Paulo e eu soubemos esperar. Foi uma solenidade e tanto, com a família reunida, inclusive sua mãe estava presente. Paulo deu-me a honra de partir o gargalo, de decantar e iniciou-se o serviço, com duas opções de gastronomia. Ana, esposa do Paulo, caprichou na torta de amêndoas, e um solene Queijo da Serra da Estrela nos acompanhou na hora deste sacrifício.</p>
<p>O Vintage 1963 já teve 28 declarações, ou seja, 28 Casas produtoras de Vinho do Porto tiveram seus Vintages aprovados pelo Instituto do Vinho do Porto. Provei várias marcas, inclusive a da Casa Poças Junior, que embora existisse desde 1918, seria o segundo ano em que a Casa declarava um Vintage , o primeiro foi em 1960. Não provei os 28 Vintages, mas tem um que não sai da memória, o Noval Nacional 1963.</p>
<p>Toda a expressão de qualidade superior que se espera de um Porto, estava naquele vinho. Chega a ser indescritível se quiser enumerar a quantidade de predicados que essa maravilha tem.</p>
<p>Se alguém julgar que merece um prêmio extra nesta vida antes de partir dela, peça um Vintage Noval Nacional 1963, e depois morra em paz!</p>
<p>O ano de 1977 também foi farto de Declarações. Aqui um Niepoort, degustado com Rolf Niepoort em 1982 foi um “must”.  Estava muito jovem e os consumidores dos Estados Unidos da América estavam se revelando grandes admiradores em degustar Vintages jovens, deixando para os ingleses a façanha de degustar Portos Vintages, sempre com mais de 30 anos. A onda pegou e hoje os americanos são os reis do Vintage jovem, e os ingleses, delicadamente os chamam de “infanticidas”! </p>
<p>Deste ano recordo-me de ter degustado um da Casa Messias, na casa do amigo e confrade Armando Reis, vinho também de grande e boa memória. Desse ano de 1977, também degustei um Real Companhia Velha em outubro de 1982, em um almoço na sede da empresa em Vila Nova de Gaia, na companhia do saudoso amigo Augusto Pinto Soromenho Junior, a quem muitos anos mais tarde dediquei a minha glamorosa coleção de 8.000 mil rótulos de Vinho do Porto.</p>
<p>O ano de 1985 bateria o record de Declarações, 45 ao todo. Daqui já tive a oportunidade de passear por Ramos Pinto, Poças, Ferreira, Kopke, Taylor’s, Cálem, Ferreira, Warre, Burmester, Rozes, Quinta do Crasto, Borges, Messias, Sandeman e Churchill, Croft, Delaforce e Quinta da Romaneira.</p>
<p>Todos, como foram degustados jovens, eram mais parecidos com um grosso caldo de framboesa e ameixas maduras. O futuro desse vinho, que é agora, começará a dar o ar de sua graça em provas por todo o mundo.</p>
<p>O ano de 1994 teve o efeito de uma bomba atômica.</p>
</p>
<p>O mundo curva-se aos pés do Vinho do Porto, porque a prestigiada revista americana “Wine Spectator” dá nota 100 a dois grandes Vinhos do Porto Vintage 1994, o  Taylor’s e o Fonseca. Quase todas as Casas declararam 1994 um ano Vintage. Os preços dobraram graças a esta publicidade, mas nada ocorreu de anormal, de fato todos os Porto de 1994 valiam, e valem, o quanto pedem. É uma obra de arte, que também encontramos dificuldades em descrever esta verdadeira joia.</p>
<p>Quem puder, corra e prove logo este vinho, será um grande presente a sua alma.</p>
<p>Quanto ao ano de 1997, a natureza foi sábia. Deu tudo igual a safra de 1994, ou seja outra jóia, idêntica a 1994. Caso raro de acontecer no mundo deste vinho, uma sequência que foi um presente dos deuses aos apaixonados por este vinho.</p>
<p>Dos anos de 1994 e 1997, tive o privilégio de provar todos os Vintages que foram declarados. Não vou destacar nenhum, porque a qualidade aqui foi homogênea, o Douro todo foi premiado com grandes vinhos, os enólogos só tiveram o trabalho de mandar colher as uvas e fazer o vinho, o resto, a natureza deu.</p>
<p>Já o ano de 2.000 foi emblemático. Já escrevi muito sobre isso e em palestras que faço digo e repito: Ninguém pode abandonar a vida terrena antes de tomar o Noval Nacional Vintage 2.000. Parafraseando o velho negociante inglês de Vinho do Porto, que no século XVI disse: Se não fosse estragar, o beberia com lágrimas!</p>
<p>Meu deus! Que vinho é esse. Tive a honra e o privilégio de em 120 minutos degustar quase 1,5 litros desse vinho, sozinho, em canto solitário do Palácio da Alfândega no Porto, quando ao final de uma prova 23 jornalistas europeus se levantaram  e se retiraram da sala. </p>
<p>Para espanto do enólogo da Quinta do Noval António Agrellos, mandei que os garçons recolhessem todo o vinho que havia sobrado nos cálices dos 23 jornalistas e colocassem em um decanter. Então, calma e pacientemente, como um monge tibetano, fui me servindo desse néctar, até não ter gota alguma no decanter. Entrei em estado de graça, porque um vinho desse não embebeda, só eleva o espírito à Deus.</p>
<p>No próximo mês de setembro irei comemorar 40 anos que estudo o Vinho do Porto, já lhe dediquei um livro, e dentro de 3 meses estará nas livrarias outro livro em sua homenagem. Tenho 440 livros sobre o Vinho do Porto e uma coleção de 8.000 rótulos, fora toda a literatura promocional que as Casas produtoras desse vinho produzem para distribuir ao mercado, o que soma uma montanha de papel. Já estive na cidade do Porto 34 vezes, desde o ano de 1982, e também tenho o grau máximo da Confraria do Vinho do Porto, lá sou Infanção.</p>
<p>Confesso publicamente: O Vintage Noval Nacional 2.000 foi o melhor Vinho do Porto que bebi em meus 59 anos de vida! Só peço a Deus que me dê outra oportunidade de degustar essa relíquia, depois pode me convocar, subirei ou descerei sorrindo!</p>
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