Victor Siaulys
No último dia 19 de março faleceu em São Paulo meu amigo Victor Siaulys. Conhecido como o homem que revolucionou a indústria farmacêutica nacional, o Victor amigo era uma pessoa afável, positiva, empreendedora, humanista, de bom garfo e grande apreciador de bons vinhos.
Nossas vidas se cruzaram em 1972 quando comecei a trabalhar na indústria farmacêutica como propagandista. Victor, que também fora propagandista na Squibb, vez por outra aparecia nos consultórios médicos da Rua Itapeva para falar com os mais eminentes médicos do Brasil, que lá tinham seus consultórios. Era a época do Moderex, fármaco que fez milhões de mulheres do Brasil emagrecerem, e que fora uma tacada de marketing e de profissionalismo do Victor.
Para nós propagandistas da época, e temos essa sensação até hoje, Victor era nosso herói, pois saiu de “puxar pasta” para dono da maior indústria farmacêutica da América Latina, os laboratórios Aché.
Irrequieto e criador, Victor foi somando vitórias profissionais ao lado de outros 2 amigos, também propagandistas, o Adalmiro, o “Miro”, e o Antonio Depieri, na condução dos negócios do laboratório Aché.
Mas não foi na indústria farmacêutica que Victor se notabilizou. Ele e sua esposa Mara juntaram forças e muito otimismo e fundaram a Laramara, uma Fundação que auxilia pessoas com deficiências visuais, pois tinha em casa, sua filha Lara, que ficou cega por causa de um erro de procedimento logo após o seu nascimento. Compreendendo as deficiências da filha, Victor e Mara puseram a mão na massa para minimizar o sofrimento das pessoas com deficiência visual, buscando engajar com soberania e respeito estes cidadãos na sociedade. A Laramara é hoje uma realidade inconteste, um orgulho do Brasil nesta área.
Victor, Miro e Depieri foram freqüentadores assíduos do Bacalhau do Cabral, que funcionava às sextas e sábados na antiga Casa Cabral, na Rua Padre João Manuel, nos Jardins em São Paulo. Lá recordávamos dos bons tempos de pasta e contávamos nossas histórias, enquanto degustávamos bons vinhos e bom bacalhau.
Ao inaugurar o restaurante Chez Victor, cuja renda sempre foi revertida para a Laramara, Victor concedeu-me um privilégio único: escalou-me para, no dia de maior movimento da semana de inauguração, uma sexta-feira, fazer o Bacalhau do Cabral para 70 felizes comensais. Foi uma noite memorável. Só não contávamos que no sábado, dia em que iria fazer uma Paella para os convidados, Victor sentisse os primeiros sinais de uma leucemia que acabaria levando-o de nós.
Por seu positivismo e amor a vida, Victor semeou alegria por onde passou. Deixou aqui uma legião de amigos, admiradores e um agradecimento com muito amor de todas as pessoas com deficiência visual, milhares deles, que Victor deu um pouco de luz. Meu próximo brinde será para você, tua vida, tua família e tua história, meu caro amigo Victor.
Saudações Vinícolas!
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